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Ano da Misericórdia: Dom Paulo Francisco Machado

Quis o Papa Francisco proclamar para toda a Igreja o Ano Jubilar da Misericórdia, a iniciar no dia 08 de dezembro do corrente ano e terminar no dia 20 de novembro de 2016, primeiro domingo do Advento. Quer assim, por um lado, que tomemos consciência de nossa condição de pecadores e, por outro, com profundo sentimento de autêntica gratidão, professarmos a fé no verdadeiro Deus, o Deus de Jesus Cristo, rico em Misericórdia.

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Este precioso tema da Teologia Católica já fora abordado pelo papa São João Paulo II, no ano de 1980, na Carta Encíclica “Dives in Misericordia”. Também é tema recorrente no Antigo Testamento, no qual um dos termos usados para definir a misericórdia é “rah-amin” (seio materno), que nos faz voltar à experiência do amor materno, para aquele forte vínculo que liga o homem à sua genitora. Trata-se de amor “entranhado”, totalmente gratuito. Com mais clareza, o Novo Testamento afirma que Deus é assim, mostra-nos o ícone do Crucificado, com sua infinita beleza, amor que se torna sumamente bom, bonito.

A sociedade contemporânea é carente de perdão, de misericórdia, daí o sucesso de toda cena visualizada no teatro, cinema, no écran de computador ou, de um smart phone, que evoque perdão, bondade gratuita, misericórdia.

Mas, voltemos ao Ano Santo. Esse, no dizer do Santo Padre, há de ser “um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia divina” e, para isso, concede indulgência jubilar a todos os que verdadeiramente buscam o encontro com o rosto Divino/Paterno, a acolher, perdoar e esquecer o pecado cometido.

Para viver e obter a indulgência se requer uma breve peregrinação à Porta da Misericórdia que, em nossa igreja Particular de Uberlândia, se encontrará na nossa Sé. Atravessá-la é expressão de profundo desejo de conversão e de abandono ao abraço do Pai Celeste. Devido às distâncias e dificuldades de transporte, estabelecemos outras Igrejas Jubilares que, visitadas, dá ao fiel a grata oportunidade de lucrar as indulgências.

Importa esclarecer. As indulgências são anexas a algumas disposições: o desejo e compromisso de buscar a conversão, o acercar-se do sacramento da reconciliação mediante a confissão auricular, a participação na Celebração Eucarística, acompanhada da profissão de fé e da oração nas intenções do Papa Francisco.

Que dizer aos fiéis impossibilitados de transpor a Porta da Misericórdia ou frequentar uma das Igrejas Jubilares? – A esses o Papa recomenda “viver com fé e esperança jubilosa, o momento de provação, recebendo a comunhão ou participando da Missa”, inclusive pelos meios de comunicação social (rádio, TV, computador, etc), para obter indulgência. Até mesmo aos encarcerados é concedida tamanha graça quando, dirigindo seu pensamento e oração ao Pai Misericordioso, atravessarem a porta de suas celas, ou em outras palavras, a porta da cela prisional torna-se Porta da Misericórdia.

Penso que o Papa ao proclamar este extraordinário Ano Jubilar tem em mente, como grande ícone, a passagem do Evangelho segundo Lucas, na incomparável parábola do Pai Misericordioso (Lc 15). Se de um lado somos o filho em retorno para a casa, para o paterno abraço e para a festa, somos também chamados a apresentar aos irmãos o rosto misericordioso do Pai de Jesus Cristo e nosso. Mais, o Ano Jubilar visa “redescobrir a riqueza das obras de misericórdia corporais e espirituais” para se dar testemunho claro da experiência da misericórdia tal como Jesus nos ensinou.

Celebrar o Ano da Misericórdia é aceitar o desafio, confiando na graça divina, de ser expressão, ícone, sacramento da misericórdia de Deus.

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Por, Dom Paulo Francisco Machado

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