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Bem Aventurada Virgem Maria, Toda de Deus e toda humana

Maria é ícone da perfeita criação de Deus. Ele ao olhar para sua serva, Maria, vê que tudo o que Ele criou é bom, muito bom. Humilde serva de Nazaré, intercessora da humanidade, Maria se destaca entre todas as mulheres por aceitar, com obediência fiducial (fé) os planos de Deus para sua vida. Fazendo-se serva do Senhor, Maria faz-se serva também da humanidade, pois concedeu ao Mundo um que Era Deus, Jesus Cristo. Não pretendo aqui fazer uma Mariologia, um mini tratado sobre a Virgem Maria, pois não sou especialista deste belo tratado da Teologia Cristã Católica, vou passar pelo texto evangélico (Jo 2,1-11) da Festa de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, deixando que ele me fale a respeito desta mulher, a Filha amada de Deus, a serva da humanidade.

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O apaixonante episódio do Evangelho de São João, 2,1-11, as Bodas de Caná, na Galileia, para começo de conversa, corresponde ao primeiro sinal realizado por Jesus, ele o realizou em Caná, na Galileia, e todos, após tal sinal, creram nele. O sinal realizado por Jesus, no grego de João (seméion) não corresponde a um milagre, como costumeiramente estamos condicionados a ler. Trata-se de um sinal, que indica uma realidade além, outro sentido. O sinal é mais eficaz que o milagre. O milagre se dá por si, uma cura é apenas uma cura; um sinal, por sua vez, indica outro sentido. Por exemplo, quando vemos um sinal de muitas nuvens pesadas no céu, já pensamos em chuva. Portanto, um sinal consiste em uma realidade para além dela mesma. O sinal realizado por Jesus em Caná inaugura os sete sinais na primeira parte do Quarto Evangelho (João).

Caná, no hebraico, pode ser traduzido em português por “comprar”, significando, talvez, uma ironia joanina, pois o noivo não comprou vinho suficiente para o número, aparentemente grande, de convidados. O vinho veio a faltar (v. 3).

A mãe de Jesus, que não tem nome nesta narrativa, estava presente (v. 1b). Ela não havia sido convidada, ela parece ser a “anfitriã”, por excelência. Embora o texto não a mencione no ofício de organizadora da festa, poder-se-ia dizer que ela, no inaudito da narrativa, tem status de quem concede uma festa, fazendo parecer que seu filho, Jesus, é o noivo e que ela o apresenta à noiva, ou seja, a todos os que se desposarão por Jesus, pela experiência íntima da fé.

Jesus e os discípulos haviam sido convidados. Eles são personagens que não podem faltar. Haja vista, que se o noivo é Jesus, sua presença é indispensável. Dias virão, porém, que o noivo será tirado do meio deles, isso nos faz lembrar de  outras passagens da Escritura (cf. Mt 9,14-15).

O vinho, que na Bíblia é símbolo da alegria, veio a faltar. A escassez de vinho não era um bom sinal. Uma festa de casamento judaico durava cerca de sete dias, e durante a festa os nubentes brindavam com um cálice de vinho. Se o vinho veio a faltar, então não haveria casamento, mas sim tristeza e decepção. No mesmo versículo que aponta o nó da questão do Evangelho, aponta-se também sua solução, ou seja, a ação transformadora do problema, iniciada por ação sensível por parte da mãe de Jesus: “Eles não têm mais vinho” (v. 3b). A mãe de Jesus é sensível à realidade que a circunda, por isso, dá-se a pensar que de fato ela estivesse por trás de toda a celebração. E se esta é mesmo uma narrativa simbólica, revelando as núpcias de Jesus, o Messias, com sua Igreja, todos nós, a mãe de Jesus exerce um papel essencial. Ela é quem apresenta seu Filho para nós. É ela também que apresenta a seu Filho nossa escassez de vinho, isto é, de alegria.

O versículo seguinte, (v.4), apresenta uma reação por parte de Jesus: “Mulher, porque dizes isto a mim? Minha hora não chegou”. No texto grego de João, literalmente pode-se encontrar: “O que a mim e a ti mulher”. Dando a entender que, aparentemente, ambos não têm nada a fazer por aqueles que estavam ali. A hora de Jesus, em João, é a hora por excelência, a hora da glória, que será retratada no fim do Evangelho, na hora da morte de Jesus. Na morte de Jesus dá-se a glorificação, do Pai, pelo Filho.

Contudo, a audácia da mãe de Jesus não a deixou paralisada. Ela disse aos que estavam servindo: “Fazei tudo o que ele vos disser” (v. 5). Para ela, executar a palavra de seu filho consistiria na condição primordial. A mãe de Jesus participa, audaciosamente, da ação transformadora realizada por seu filho. Sua participação é fundamental na ação salvífica de Jesus. Ao ouvirem a mãe de Jesus, os serventes ouvirão também seu filho.

O comentário de João é curioso, no v. 6. Estavam lá seis talhas, aproximadamente cem litros cada. Elas serviam para a purificação dos judeus. Elas estavam vazias. Curioso é pensar que em uma festa de casamento, com tantos rituais necessários, para sete dias, as talhas estivessem vazias. Isso nos leva a pensar que não são apenas judeus que participam destas núpcias. É possível pensar que também os pagãos podiam estar lá, contudo, não vamos fazer o texto dizer além de si mesmo.

Jesus ordena imperativamente: “Enchei as talhas de água” (v. 7). Encher as talhas consiste em colocar nelas o verdadeiro sentido, talhas vazias não signifcam nada, apenas utensílios ornamentais. Cheias de água elas terão seu verdadeiro sentido. Eles encheram até a boca, transbordando. A ação transformadora vai da escassez total ao excesso, a superabundância. Certamente seiscentos litros de vinhos dariam para muitos dias…

Jesus ordena, novamente, que levem ao mestre de cerimônia (v. 8) a água que se tinha transformado em vinho. O processo de transformação de água em vinho ninguém pode objetivamente dizer o momento. O mestre da sala de festa experimentou da água que tinha sido transformado em vinho (v. 9), ele não sabia de onde tinha vindo, mas os serventes sim. O mestre chamou o noivo e disse que todos serviam, tradicionalmente, (v. 10), no início das festas o vinho melhor, e quando todos estavam embriagados, serviam o vinho de qualidade inferior, mas este noivo guardou o vinho melhor até agora. O noivo é anônimo, mas sua atitude foi sábia e conhecida. Jesus é aquele que guarda o vinho melhor, da alegria, até o último momento. Com ele não há tristeza, não há luto, todos podem alegremente comer e festejar.

Com este sinal em Caná, da Galileia, Jesus manifesta a sua glória, a glorificação de Deus, sobretudo nas núpcias, no enlace com todos os que nele crêem. É  a partir deste sinal que os discípulos passam a crer em Jesus, sua glória se lhes manifesta e Jesus passa a dignidade da fé. Desta maneira, sua presença, tal como “vinho melhor até agora”, é a garantia de um discipulado alegre e fecundo.

A mãe de Jesus, a Bem Aventurada Virgem Maria, faz-se dócil a vontade de Deus, pois, em sua humanidade, faz-se dócil a todos os que necessitam da alegria, do vinho novo. Por isso, pode-se dizer que Maria é toda de Deus por que é toda humana, e sendo humana, em todos os sentidos, faz-se inteiramente de Deus. Ela intercede por toda humanidade, que busca em seu Filho o vinho novo, guardado até agora. Contudo, para que o vinho bom se faça presente em nossa vida, é preciso, como ela nos disse: “fazer tudo o que ele nos disser”. Da mesma forma com que Maria foi obediente a Deus, e por isso, tornou-se Bem Aventurada, que nós também possamos ser obedientes a Jesus e nos tornarmos também makários, bem bem aventurados, felizes, pois com ele nos estará garantido o Vinho melhor, a Alegria Verdadeira.

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Por, Pe. Júnior Vasconcelos

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