Destaque Diocese de Uberlândia Palavra do Bispo

CF 2018

Por, Dom Paulo Francisco Machado
Bispo Diocesano de Uberlândia 

Há mais de cinquenta anos, a Campanha da Fraternidade vem incrementando o serviço pastoral da Igreja no Brasil, ao abordar temas de interesse nacional, sempre na perspectiva da fraternidade, valorizando de forma bem prática os exercícios quaresmais prescritos pela Igreja no afã de, com Cristo, celebrar a Páscoa.

A cada ano, a CNBB propõe um tema a ser iluminado pela fé, chamando-nos a responsabilidade e empenho em promover uma sociedade melhor, mais justa, fraterna, solidária. Ninguém pode negar o quanto a nossa sociedade cresceu nos últimos anos, com as iluminações e reflexões das Campanhas.

Neste ano, em particular, a Igreja está de parabéns ao nos convocar para ingente tarefa de buscar meios para superar a violência, que a cada dia se estampa diante de nossos olhos nos meios de comunicação, ou ferem os nossos tímpanos com os tantos ais de dor, lamentos e choros.   Pede-nos a Santa Mãe Igreja a aprender a estar atentos ao que disse Jesus a seu apóstolo Pedro: “mete a espada na bainha” (Jo 18,11).

Meter a espada na bainha é resguardar-nos de atitudes violentas, seja em palavras, seja em atos e, mais ainda, propiciar aos nossos dias uma cultura de paz, pois somos discípulos de quem se deixou padecer a maior violência, para nos ensinar que o remédio para superar a violência é amar.

Sabemos quão longo foi o caminho da humanidade, para estabelecer uma convivência sadia em sociedade e, neste sentido, foi se estabelecendo o início e o desenvolvimento do direito. Assim, lei do talião, embora tenha sido um grande avanço na história da civilização ao buscar a mais estrita justiça, mostrou-se insuficiente. Grande evolução se deu quando os sumérios, lá na distante Mesopotâmia, propuseram estabelecer a justiça, em certos casos, mediante uma compensação econômica e, antes mesmo de Cristo, as chamadas grandes religiões universais insistiam com seus seguidores a não fazer aos outros o que não desejamos que nos façam. Já os romanos, grandes mestres do Direito, perceberam que a justiça, na pretensão de ser perfeita, acaba por gerar grande injustiça.

Foi Jesus quem nos deixou o mandamento maior: “amar como Ele amou” (Jo 15,12), é a sua lei que há de ser inscrita em nossos corações pelo seu Espírito, o Santo Espírito, estabelecendo a Civilização do Amor. Tal lei, sussurrada na consciência das pessoas humanas e obedecida, desarma mentes, corações e depõe todas as armas.

A CF 2018 desperta-nos para cobrarmos aos nossos governantes leis, que de acordo com a Ética e a Moral, produzam efeitos de uma sociedade pacífica, solidária. Basta esta tragédia de homicídios, estes corredores de hospitais repletos de macas, de doentes a gemer de dores, de pais e mães a chorar seus entes queridos nas mais dolorosas situações, estas intermináveis procissões de pais, mães de família, jovens à procura de trabalho e vida digna.

Quaresma é tempo de jejum. Que tal não cultivar ira, rancor no coração. “Que o sol não se ponha sobre vossa ira” (Ef 426). Que tal a penitência de desarmar nossa língua de toda palavra vã, ofensiva (cf Tg 3). Que tal estender ao irmão pobre a esmola preciosa de nosso afeto, respeito e a moeda para o pão. Que tal abster-se de tantas quinquilharias, para deixar nosso coração mais liberto das coisas passageiras desta vida. Que tal buscarmos mais o diálogo com Deus para que nos dê sabedoria na difícil, mas profundamente necessária, escolha de nossos governantes neste ano eleitoral.

No Domingo de Ramos encerra-se a parte financeira da Campanha da Fraternidade. Junto com o Conselho Presbiteral decidimos que a metade dos recursos auferidos, que são de direito da Diocese, será entregue à Diocese de Roraima, Roraima.

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