Destaque Palavra do Bispo

Eleições 2018, por Dom Paulo Francisco Machado

ELEIÇÕES 2018

Por Dom Paulo Francisco Machado
Bispo diocesano de Uberlândia

A cada dia se aproxima a data das eleições. Elas são de suma importância para nossa querida e amada pátria, tão conturbada, dividida em grupos opostos, que parecem buscar somente seus interesses pessoais, desprezando nossa gente a sofrer nos corredores dos hospitais, com parte significativa de nossa juventude seduzida pelas drogas, nossas estradas esburacadas, inúmeras obras inacabadas e superfaturadas, professores com salários baixos, uma desigualdade social que clama aos céus e os cemitérios cada dia mais repletos.

O quadro da nação mais parece uma tela nada genial de um pintor cubista (se é que um cubista possa ser genial). E, se fosse ainda vivo, Shakespeare haveria de escrever em alguma de suas importantes obras teatrais: “Há algo de podre na República Brasileira” ou, ainda para ser mais explícito: “O país está podre”.

Só um remédio haveria de curar a carne ferida na nação; aquele preconizado por Gustavo Barroso. Para ele o Brasil deveria ter um único artigo na sua constituição: “Todo brasileiro tem obrigação de ter vergonha na cara e, parágrafo único, revoguem-se as disposições em contrário”. Imagine toda a população a respeitar o tal artigo constitucional do Presidente (ou rei) ao mais humilde cidadão.

Reconheço que estou carregando com tintas fortes, vívidas mesmo, o quadro, a tela nacional de hoje, como são vívidas as dores de nossa gente, governada por tantos que só têm competência para aumentar as suas já polpudas contas bancarias.

Como afirmava, aproximam-se as eleições. Os holofotes neste instante se dirigem para os candidatos à presidência. Esses, para uma sociedade quase agonizante, estão a recomendar placebos ou, planos mirabolantes. Qualquer brasileiro sabe muito bem da importância da Câmara e do Senado para o destino de nossa terra. Importa, pois, neste momento, refletir sobre candidato para estas duas casas.

Há todo um movimento subterrâneo para mudar pouquíssimo o quadro de nossos parlamentares. Grande parte busca a reeleição, outros, buscam eleger seus parentes e filhos. Cuidado! Talvez caiba aqui um ditado: “Filho de traíra, traíra é”.

Consciente de tal situação não vamos nos omitir de votar, nada de anular seu voto ou votar em branco. Vote em pessoas realmente ocupadas com nossa gente, com o bem comum. Esta é uma grande oportunidade para transformar a nação. Como dizia Joaquim Nabuco: “Sob um governo presidencial, o povo não tem senão no momento de eleições sua parte de influência”.

Não podemos desprezar a política, basta considerar o que afirmava o Papa Pio XI em 18/12/1937. “Nada, exceto a religião, é superior ao domínio político no que concerne aos interesses de toda a sociedade e que sobre este aspecto é o domínio de forma mais ampla da caridade, a caridade política”.

Lembre-se, para fazer boa escolha, que a grandeza de uma nação consiste no respeito e defesa das pessoas mais vulneráveis da sociedade, entre elas: os nascituros, as crianças, idosos, doentes, pobres, indefesos. Seu candidato pensa assim, veste a camisa da solidariedade, fica atento às pessoas mais vulneráveis do Brasil.

Não deixe de votar conscientemente, pois: “Por falta de direção um povo se arruína” (Pr 2,14 ou 11,14)

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