Destaque Diocese em Ação Palavra do Bispo

Nota da Diocese de Uberlândia sobre as Eleições 2018

Aos/Às Candidatos/as e dirigentes dos Partidos
Aos Veículos de Comunicação Social
Aos/Às Eleitores/as

Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão (Salmo 85)

Em comunhão com o Papa Francisco e com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no espírito evangélico, a Igreja Católica em Uberlândia vem chamar a atenção dos/das responsáveis, Candidatos/as, Dirigentes de Partidos Políticos, Veículos de Comunicação Social e Eleitores/as, para a importância e a seriedade do momento político-eleitoral que estamos vivendo.

No dia 07 de outubro o povo brasileiro estará escolhendo, pelo voto direto, o Presidente da República, os/as Senadores, os/as Governadores/as, os/as Deputados Federais e Estaduais. Se o momento às vezes nos parece complexo e confuso, ele exige ainda mais de nós discernimento, lucidez e espírito profético. Não podemos aceitar atitudes simplistas e ingênuas em relação à Política e aos Políticos, devemos romper com os preconceitos e juízos superficiais sobre tal realidade.

A Igreja não defende nem apoia nenhum/a Candidato/a ou Partido Político em especial. Ela se sente chamada a ser “advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu” (Doc. de Aparecida, n. 395).

AOS/ÀS CANDIDATOS/AS E DIRIGENTES DE PARTIDOS: Com o Papa Francisco, afirmamos que “há necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão o seu serviço aos povos, (…) solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados; que não se deixem intimidar pelos grandes poderes financeiros e midiáticos; que sejam competentes e pacientes face a problemas complexos; que sejam abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático; que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação”.

(Mensagem aos participantes no encontro de políticos católicos – Bogotá, Dezembro-2017).

Reafirmamos com a CNBB que “dos agentes políticos, em cargos executivos, se exige a conduta ética nas ações públicas, nos contratos assinados, nas relações com os demais agentes políticos e com os poderes econômicos” (CNBB – Doc. 91 n. 40 – 2010). Dos que forem eleitos para o Parlamento espera-se uma ação de fiscalização e legislação que não se limite à simples presença na bancada de sustentação ou de oposição ao Executivo (cf. CNBB – Doc. 91 n. 40 – 2010)

Lembramos o que prescreve a Constituição Federal (cf. Art. 37): “É dever de todo servidor público obedecer aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”. Para o bem da sociedade, é necessário que todos sejam justos, honestos e respeitosos com seus semelhantes.

AOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO: Queremos lembrá-los do seu compromisso com a verdade dos fatos, com a Ética na transmissão dos mesmos e sua imparcialidade política. Não pautem suas informações por critérios meramente de audiência, nem de forma sensacionalista e superficial. Promovam a sadia comunicação e a reflexão crítica de seus leitores, ouvintes e telespectadores. Alertamos para um cuidado especial com as fake news, já presentes em toda a vida social, com tendência a se proliferarem, em ocasião das Eleições, causando graves prejuízos à democracia e à informação.

AOS/ÀS ELEITORES/AS: O compromisso e a seriedade com que devemos encarar as Eleições é antes de tudo um DEVER DE CIDADANIA. Como Cidadãos/ãs não podemos ficar alheios/as a tudo que diz respeito à Sociedade, e as Eleições definem muitos aspectos do futuro de nossas vidas, pessoal e social. Além disso, é interesse e dever de todos nós colaborar, pelas nossas palavras e atitudes, na construção da cultura de paz, com o espírito de tolerância e na superação dos preconceitos, pois tudo isto nos traz a harmonia social. A Cartilha de Orientação Política – Os cristãos e as Eleições 2018, CNBB, Regional Sul 2, p. 7, fala que “não podemos julgar ou agir de forma desrespeitosa e violenta contra uma pessoa por ela se vestir com roupa de uma determinada cor ou por postar conteúdos de seu partido político nas redes sociais”. Também nos alerta para “superar a polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social”.

Concluímos com a exortação esperançosa dos Bispos do Regional Leste 2 da CNBB (05/06/2018) sobre as Eleições 2018:

Nosso tempo é difícil, complexo, fragmentado; por isso, não podemos tratar esta bela via da grande caridade, que é a política, com descaso e desinteresse. Quando não nos preocupamos com a política, alguém saberá usar dela em benefício próprio ou em favor de grupos que excluem os mais pobres, fazendo crescer a corrupção e a exclusão social.

Não podemos ficar apáticos! Não podemos vender nosso voto! Não podemos deixar de votar! Não podemos tomar atitudes que favorecerão à ”velha” política! Não podemos ceder a quem queira enfraquecer e violar o regime democrático!

Convidamos a todos a olhar este momento com esperança e otimismo. É hora de escolher quem vai dirigir o Brasil e nossos Estados, quem vai nos representar nas instâncias mais altas da democracia, quem vai produzir nossas leis e fiscalizar nossos governantes.

Num espírito fraterno e democrático,

 

Dom Paulo Francisco Machado
Bispo da Diocese de Uberlândia
Uberlândia, setembro 2018.

Para acessar o arquivo oficial, assinado pelo bispo diocesano, clique aqui

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