Destaque Palavra do Bispo

Órgão de tubos

No passado ele, o órgão, era instrumento encontrado em toda igreja de maior expressão. Inconcebível uma Catedral, um Santuário ou Basílica sem os seus longos tubos e, às vezes, milhares deles, como o maior da América Latina, que se encontra no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói com seus 11.130 tubos. Nas igrejas menores e, até mesmo nas capelas dos colégios religiosos aparecia seu irmão menor ou parente próximo, o harmônio, muitos de fabricação francesa.

A Igreja Catedral de Uberlândia, cujo orago é Santa Teresinha do Menino Jesus, teve a alegria de reformar e, até mesmo aumentar, o número dos tubos de nosso órgão. Louvável feito com participação e preciosa ajuda de um grupo de pessoas afeitas à boa música sacra e ao canto litúrgico. Em nossa catedral, o órgão é empregado primeiramente para o louvor, adoração, ação de graças à Trindade Santa, mas também tem oferecido às pessoas a oportunidade de participar de vários concertos, com músicos brasileiros de renome e mesmo de outros países.

Dito isto, sou chamado a apresentar uma brevíssima história que justifica o uso do órgão de tubos nas catedrais e nas igrejas mais expressivas. Faço uso de curta reflexão do papa emérito, Bento XVI, num livro intitulado “O espirito da música”.

Vamos nos reportar ao Império Bizantino. Quando e enquanto o imperador falava oficialmente para seus súditos soava, mais a maneira de fundo musical, um órgão. É que o imperador, por influência do paganismo, era objeto de um “culto divino”, e assim, seu discurso adquiria expressão divina. O órgão executado significava o ressoar do cosmos, a orquestração de todos os sons, vozes e clamores do universo. A voz do imperador, unida ao sussurro do órgão, era para criar nos ouvintes o sentimento de que o imperador reina sobre todo o universo.

O que era costumeiro na parte oriental do Império Romano, passou a ser utilizado lá onde o Cristo Pantocrátor tem o seu Vigário, o sucessor de Pedro, o papa. Se o imperador de Bizâncio tinha a pretensão de reunir todos os povos sob o seu governo, com mais razão o Cristo, verdadeiro Rei do Universo, Senhor de todas as nações e, sobretudo, dos corações dos discípulos. Em Roma, Cristo fala pela boca de Pedro e de seus sucessores, como precioso instrumento do Espírito Santo, para guardar a unidade da fé, esperança e, incentivar-nos na caridade. Assim, na liturgia do Pontífice Romano fazia-se ressoar o órgão.

Sei que essa última consideração soará profundamente desafinada aos ouvidos dos contemporâneos. Vamos, pois, dentro de nossa mais pura fé católica nos remeter tão somente à dimensão cristológica. Afinal, o som do órgão reúne o murmúrio quase silencioso dos oceanos, o rumor das águas todas, o zumbido das abelhas, o farfalhar das borboletas, a sinfonia das estrelas, o cantar dos homens e dos anjos para a adoração e o louvor de Cristo, Senhor supremo do universo. A sonoridade deste maravilhoso instrumento de tantos tubos apresenta a Jesus Cristo, o canto do cosmos e o grito lancinante do homem ansiando pela libertação. 

Aproveito, para mais uma vez agradecer a todos os fiéis interessados pelo canto litúrgico e pela música sacra, promovendo o devido uso do nosso órgão de tubos, instalado na Igreja Catedral de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Por, Dom Paulo Francisco Machado
Bispo Diocesano de Uberlândia 

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