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Padre, por Dom Paulo Francisco Machado

Padre

Por Dom Paulo Francisco Machado
Bispo diocesano de Uberlândia

Se há um nome, um termo apropriado e popular para se designar o administrador ou vigário de uma paróquia, este nome é: padre. A palavra vem da nossa língua mãe, a “última flor do Lácio, inculta e bela” (Olavo Bilac), do Latim “pater”, cujo significado é pai. Nomeado assim, aquele que serve uma freguesia, o povo demonstra seu carinho, seu afeto filial para com o homem de Deus,  que não constituiu uma família de seu sangue, mas da “genética” da fé,  ele é o servidor de Cristo e da Igreja e dá voz aos deserdados desta terra.

Pai é a pessoa que gera um filho, este é o sentido essencial, mas o termo adquire grande amplitude quando se fala de paternidade. A imagem do presbítero pai pode ser remontada ao apóstolo Paulo. Assim, na 2Cor6,11-13: “A nossa boca se abriu para vós, ó coríntios, o nosso coração se dilatou. Não é estreito o lugar que ocupais em nós, mas é em vossos corações que estais na estreiteza. Pagai-nos com igual retribuição; falo-vos como a filhos: dilatai também os vossos corações”. Ele entende que, sobretudo pela sua ação evangelizadora, está a gerar pessoas para Cristo.

No passado, mais que nos dias de hoje, o pai era o provedor da família. Era mediante o suor de seu rosto que, à mesa, os filhos e a esposa tinham o pão necessário. Um grande número de nossa gente assistiu a cada dia a saída de seu pai, ainda bem cedo, para trabalhar. Das suas mãos laboriosas, a cada tardinha, já cansado, vinha a alegre recompensa de ver os seus amados se fartarem de alimento. Na verdade, ele entregava seu corpo, com as suas energias para dar vida ao lar que constituiu.

Também o padre, obediente ao mandato de Cristo, – “Fazei isto em minha memória…” – traz à mesa dos filhos o Pão Vivo, o próprio Corpo do Senhor, para nos transformarmos Nele. E como toda mesa, a do altar não só alimenta o corpo, mas promove a convivência fraterna, a vida de comunhão. Tudo o que o sacerdote faz, o faz em nome e fazendo às vezes de Cristo,  para nos agregar intimamente ao Corpo do Senhor, mediante a ação do Espírito Santo. Assim se solidifica aquele sonho de Deus: o Reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino de justiça, de amor e da paz” (Prefácio da Solenidade de Cristo, Rei do Universo).

A vida do padre é dinamismo de amor, de entrega, ao dizer de coração e de fato: “tomai, todos e comei: isto é o meu corpo, que será entregue por vós” (…) tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”. Lembremo-nos do que dizia Pascásio Radberto: “O milagre se realiza (independente da santidade pessoal do sacerdote) não por seus méritos, mas pelas palavras de Cristo e pela virtude do Espírito Santo”. 

A vida do padre é vida de entrega de si mesmo, é vida que se consome, a derramar a Água do Espírito nos frágeis vasos dos fiéis, simples vasos de argila. Ora, não nos esqueçamos que o padre, mesmo agindo e fazendo as vezes de Cristo, ele também é um frágil vaso de argila a portar o tesouro da vida na graça e a graça do ministério sacerdotal. Reze, pois pelos padres.

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