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PÁSCOA – Dom Paulo Francisco Machado

Uma grande narrativa só merece esse qualificativo se for desconcertante, chegando ao cume do inimaginável, do totalmente inesperado. Foi o que aconteceu com Jesus, que pela sua morte e ressurreição tornou-se Senhor. O próprio príncipe dos Apóstolos, Pedro, irá proclamar esta verdade quando se dirige pela primeira vez à multidão em Jerusalém, no dia de Pentecostes.

Este Jesus, Deus o ressuscitou; e disto nós somos testemunhas. E agora, exaltado pela direita de Deus, recebeu do Pai o Espírito Santo, objeto da promessa, e o derramou… Pois Davi… afirma: ‘O Senhor disse a meu Senhor: senta-te a minha direita até que eu faça de teus inimigos escabelo de seus pés’. Saiba, portanto, toda casa de Israel, com certeza: Deus constituiu Senhor a Cristo, a esse que vós crucificastes” (At 2,32-36)

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Quando Jesus foi condenado à morte, o que se poderia esperar? Ele não foi o primeiro homem a ser injustiçado. Mas,  sua morte teve um elemento agravante. Os judeus e os apóstolos conheciam a maldição de que nos fala Deuteronômio 21,23. Jesus morreu como um pecador amaldiçoado por Deus. Imaginem a frustração dos apóstolos, dos discípulos. Eles todos tinham “apostado” tudo em Jesus e, certamente, esperavam, sentiam-se  merecedores de uma recompensa condigna. “Nós que deixamos tudo e te seguimos” (Mc 10,28)

Acabou-se o sonho do reino: “esperávamos que fosse Ele quem iria redimir Israel…” (Lc 24,21a). Quebrou-se a pretensão dos filhos de Zebedeu, Tiago e João, de se assentarem ao lado de Jesus, quando Ele se apresentasse como Rei messiânico (Mc 10,35-37; cf. também Mt 10,20-21)

De um drama assim trágico, o que se pode esperar?

Aconteceu que essa não é uma história qualquer, é uma grande, a maior e a mais bonita história, porque o próprio Deus está envolvido nesse enredo, nessa teodramática. Surpreendentemente, Jesus começa a ser percebido por alguns dos seus seguidores. Maria, sua mãe , terá sido a primeira. Depois, outra Maria se encontra com Ele , enquanto procura seu corpo, seu cadáver no túmulo. Aquele que está vivo não pode ser procurado entre os mortos, pois Ele ressuscitou (Lc 24,4-6).

O mais antigo anúncio, escrito a respeito desse evento histórico e meta-histórico, deu-nos o apóstolo Paulo na 1Cor 15:

Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive (a carta é da década de 50 da era cristã), enquanto alguns já adormeceram”.

Do Mistério Pascal que celebramos e, do qual solenemente  fazemos memória cada ano, brota a vida nova, pois “Eu vivo e vós vivereis” (Jo 14,19). Mais uma vez, na mãe de todas as vigílias, ao anoitecer do Sábado Santo,  somos chamados a nos vermos aos pés da Cruz com Maria e o discípulo amado; a nos encontrarmos com o Senhor ressuscitado , como Maria Madalena o encontrou próximo do túmulo vazio. O Mistério Pascal é uma grande narrativa a encher, a plenificar a nossa história de esperança, de vida.

Com palavras de São João Crisóstomo, convido todos para a participação frutuosa na Liturgia do Tríduo Santo:

“Que todo homem, amando a Deus, aproveite desta festa luminosa, participe do banquete da fé e beba nas fontes da misericórdia!”.

Aleluia.

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Por, Dom Paulo Francisco Machado

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