Destaque Palavra do Bispo

Pátria amada salve, salve!!

Há quem pense que as virtudes caem do céu, como em cascatas sobre nós pobres seres humanos. É bem verdade que há aquelas chamadas de teologais, que vêm da mão generosa de Deus, mas mesmo elas precisam encontrar um vão em nossas almas, para se aninharem e crescerem viçosas nas ações do dia a dia.

As virtudes são, conforme etimologia, forças que advém do cultivo de bons hábitos, daí a necessidade urgente de sermos educadas desde cedo, pois como diz nossa admirável gente: “É de pequenino que se torce o pepino”. Os pais e, depois os professores, nos orientam para criarmos bons hábitos. Sim, porque a virtude é um bom hábito, como o vício é o seu contrário, um mau hábito. São eles que nos ensinam as boas maneiras de convivência, os bons hábitos higiênicos, alimentares, etc.

Agora falemos das virtudes morais. Elas são estimuladas em nós pelos familiares, educadores, pessoas significativas nos primeiros anos de vida e, sobretudo, por nós mesmos. A princípio, tais virtudes são exigidas, impostas pelos mais velhos, só depois é que se tornam verdadeiramente morais, quando entendidas e assimiladas como valores em nossa vida. Neste sentido, somos chamados, em primeiro lugar, a tomar as rédeas de nossa vida. Aos poucos, vamos assumindo os comportamentos, os costumes morais mais adequados à nossa natureza:  o bom julgamento de fatos e circunstâncias de nossa vida; a força para resistir ao mal e aderir ao bem; o dar rédeas curtas aos nossos instintos e, finalmente, o importante costume de dar a cada um o que lhe é devido.

No âmbito da vida pública, política essa última, a chamada de justiça, é de grande importância. É que o político recebeu os votos de seus eleitores para buscar o bem comum, isto é, propiciar aos cidadãos todos os elementos de uma vida digna, atendendo aos justos clamores dos mais variados segmentos da sociedade. Nesse sentido, podemos dizer que o político é promotor da felicidade para todos, enquanto o padre ou qualquer religioso é o magnífico promotor – atenção, observe a letra maiúscula – Felicidade nesta e noutra vida. Age conforme a justiça, o político que honra o voto recebido.

Ora, para viver tão grandiosa vocação, o político há de alçar voo até os ares puros para aspirar o “ozônio” que elimina as toxinas de um ambiente muito afeito ao poder, ao lucro, aos próprios interesses. A virtude paira nos altos patamares, refúgio de quem não quer se chafurdar na lama de tantos vícios.

Infelizmente, não é o que estamos a assistir em nossa querida pátria. Tenho temores de que tal situação crie nas pessoas duas graves e perniciosas atitudes. A primeira é desprezar totalmente este recurso que nos é oferecido, especialmente pelo voto consciente, para construir uma nação sobre bases da justiça, progresso, solidariedade e amor, e porque não dizer, na sensibilidade cristã: Caridade. A segunda é eleger um “salvador da pátria”, induzidos por “marketing” diabólico, pois em vastas áreas da nação há ainda um forte resquício de sebastianismo, basta ver o episódio da Revolta de Canudos e do Contestado.

A Igreja no Brasil está a nos convidar a pôr os joelhos no chão. Dessa forma ficaremos erguidos na nossa dignidade humana para clamar, gritar por um Brasil melhor. Leve para seu coração o pensamento de Mahatma Gandhi, expresso mais ou menos nesses termos: ‘O mar é o espaço do silêncio’ – urge buscá-lo, para melhor pensar e agir; ‘a terra o lugar do grito’ – não temamos soltá-lo para expor nossas graves preocupações; ‘o céu o espaço do voo’ – urge confiar no Senhor e invocá-Lo, Ele o Príncipe da Paz.

Por, Dom Paulo Francisco Machado 
Bispo Diocesano de Uberlândia 

        

 

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