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Subjetividade e mercado

Vivemos numa época de rápidas e profundas transformações. As sociedades desenvolvidas atuais podem ser analisadas sob vários aspectos e não faltam autores que nos apresentam contribuições relevantes quanto às condições da subjetividade na pós ou na hipermodernidade. Gilles Lipovetsky e Zygmunt Bauman, um francês e um polonês, respectivamente, são bons referenciais de leitura.

A compreensão da subjetividade, em meio a tantos desafios enfrentados na atualidade, ganha expressão quanto mais evidenciamos o impacto da sociedade de mercado sobre o sujeito.

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Foto: Google

Recentemente o Papa Francisco declarou, aos novos embaixadores na Santa Sé, que vivemos numa cultura descartável, que promove o culto ao dinheiro e transforma o ser humano em um bem de consumo. Ele textualmente diz que: “O Homem criou novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro encontrou uma nova e inesperada imagem no fetichismo do dinheiro e na ditadura da economia sem rosto, nem objetivo verdadeiramente humano. Atualmente, o ser humano é um bem de consumo de uma cultura descartável, para se usar e deitar fora”.

Sua crítica ressoa em meio a tantas outras que desvelam a onipresença do mercado na estrutura e dinâmica da vida social.

 O mercado parece cooptar todas as realidades impondo sua lógica e temporalidade. No contexto da economia mundial, observa-se a destituição da autonomia administrativa dos governos e a redução da participação da sociedade na definição das prioridades sociais. É o mercado que descreve os sacrifícios necessários para a consolidação das políticas que tornam inclusos os Estados que desejam se sustentar na economia globalizada.

Outra grande transformação operada pelo mercado pode ser encontrada no registro da cultura. Por meio do marketing e das peças publicitárias somos convocados permanentemente a acreditar que o caminho da felicidade passa pelas trilhas do mercado e que fora do mercado não há felicidade.

Neste sentido, a configuração da vida subjetiva passa a se estruturar sobre o fetiche da mercadoria e a economia do desejo do sujeito vai se modelando pelo influxo das relações de consumo. Os shoppings têm se apresentado como os grandes templos do consumo e neles o sujeito anestesia as marcas de seu mal-estar pelo culto à mercadoria.

É assim que se pode compreender a frequente fala das pessoas que, quando se dão conta de seu mal-estar subjetivo, acabam entendendo que devem ir às compras.

É nesta perspectiva que podemos desvelar o mercado como um importante processo presente nas novas formas de constituição do sujeito na atualidade.

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Por, Márcio A. Gonçalves

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