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“Vem aí, o Natal” por Dom Paulo Francisco Machado

Por Dom Paulo Francisco Machado
Bispo Diocesano de Uberlândia 

Nas Igrejas, ainda não se veem sinais da proximidade desta grande solenidade para os católicos, ainda não iniciamos o período do Advento, as quatro semanas que preparam os nossos corações para celebrar o precioso mistério do nascimento de Nosso Senhor em Belém.

Enquanto isto … o comércio da cidade já acena para todos os transeuntes – potenciais compradores – inúmeros presentes, pacotes de ligeira felicidade. Os passantes precisam ser tentados com todos os recursos: muitas cores, muitas luzes para fascinar os incautos corações. Apresentam-se também, em todos os cantos, a parafernália da decoração natalina: trenós, bolas coloridas, árvores de natal, etc… Ah! Já ia me esquecendo, não pode faltar um simpático homem gordo pronunciando um dialeto desconhecido, que não passa de um som gutural intraduzível, a tocar um sininho, com proeminente barriga, longa barba branca e um ridículo uniforme vermelho.

Tenho notado, porém, que nada ou quase nada se refere ao divino aniversariante, pois não é politicamente correto apresentar um menino pobremente reclinado numa tosca manjedoura. Se no passado, Maria e José não encontraram morada digna para o nascimento de seu filho, hoje, não há espaço para apresentá-lo nas vitrines luxuosas das lojas de nossos inúmeros “shoppings”. Para atrair corações e mentes e, sobretudo, os bolsos e cartões de crédito, vale tudo, até mesmo insistir numa adocicada mensagem de paz e de fraternidade.

Que contradição! Que paradoxo!

Desprezamos o bebê tão frágil reclinado num comedouro de animais, ladeado por uma distinta jovem senhora, um homem maduro, um burro e um boi, na cena bela e luminosa criada por São Francisco de Assis. Pugnamos pela paz, mas desprezamos seu Príncipe ainda criança. Será difícil, para não dizer impossível, implantar a cultura de paz e fraternidade sem Cristo.

Se os símbolos natalinos não fazem mais referência ao menino Jesus, como cultivar a compaixão para com os pobres, para com as mães – às vezes forçadas por dolorosas circunstâncias – a praticarem o aborto, sem um cristão a anunciar-lhe o Evangelium Vitae.  E não nos indignaremos com as latas de lixo repletas de fetos dilacerados, e consideraremos muito normal, em nossas ruas, o triste espetáculo de mulheres a venderem seus corpos , tantas vezes com a alma lacrimejante, mas seu filho, que ela teve a dignidade de  não abortar, precisa de leite, agasalho, escola, enfim, ser gente.

Sem o homem-Deus, o Emanuel, como edificar uma sociedade verdadeiramente justa, e construir a sonhada e necessária cultura de paz? Desprezamos a ternura da Divina criança no pobre-rico espaço de uma gruta em Belém, e assim, no nosso cotidiano, teimaremos  não levar em conta a miséria dos moradores de rua ou dos perigosos casebres e palafitas disseminados nos quatro cantos do Brasil, não choraremos com os que se recolhem a cada noite com fome de pão e de afeto,  ou que se encontram jogados entre dores lancinantes nos inúmeros corredores de tantos de nossos hospitais.

Não contemplamos a Criança de Belém no seu aniversário de nascimento, não ouvimos nem percebemos a sua mensagem. É, meu irmão, minha irmã, é urgente recristianizar o Natal, pela contemplação silenciosa de Jesus e pelo arregaçar as mangas da camisa para edificar o Novo, a Civilização do Amor, Fraternidade e Paz.

Permita-me fazer uma pergunta: o seu Natal tem Jesus, o Menino Jesus?

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