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06/07/2014:"Na leveza do pequeno"

Comentário ao Evangelho do 14º Domingo do Tempo Comum: Mt 11, 25-30

Pintura a óleo (2007) - José Santos Aguilar
Pintura a óleo (2007) – José Santos Aguilar

Nada é mais penoso que o peso da grandeza. Ou melhor, da pretensa grandeza. Há quem dedique suas melhores e mais preciosas energias exatamente nisto: ser grande, ser notável, fazer-se reconhecido e, não raro, temido. Quantas são as verdades omitidas, as realidades exageradas, as fragilidades dissimuladas e as aparências mantidas à custa de suor e sangue, no esforço de parecermos maiores e melhores do que realmente somos… Quantas máscaras de bondade, quantas cobranças de sucesso, quantas hipocrisias de felicidade, quantos fingimentos de virtude tecemos para cobrir a nudez da existência e a crueza de nossas misérias… E, nesse esforço, como um desajuizado que loucamente constrói um castelo na areia, ao alcance do vento e das ondas, há quem consuma toda a vida à sombra do sonho frustrado de ser grande, de apresentar-se grande perante os demais.

Cansaço interminável, fadiga insuportável e fardo pesado demais – nos adverte Jesus. Porque a vida é muito mais do que nossas efêmeras realizações e a felicidade muito mais do que nossos diminutos sucessos. É possível “ganhar o mundo inteiro e perder a própria vida” (cf. Mt 16,26) ou devotar-se à pretensão de grandeza e perder-se naquilo que é mais simplesmente precioso. Talvez, segundo Jesus, seja esta a verdade conhecida pelos pequenos e simples, mas ignorada pelos sábios e entendidos: o valor da pequenez. Longe de ser uma vergonha, a pequenez é dom que humaniza, pois convida à sanidade do que somos e à saudável consciência dos próprios limites. Reconhecer-se pequeno é libertador, à medida que supera a ditadura da felicidade compulsória, desata da obrigação da alegria permanente, dispensa do jugo de deter todas as respostas e alcançar sempre os primeiros lugares; ao contrário, abre à possibilidade de, volta e meia, deixar-se guiar por outros e reconhecer-se também dependente, frágil, necessitado. A mansidão e a humildade são, pois, virtudes terapêuticas à soberba existencial, pois recordam nosso verdadeiro lugar no mundo e na vida: o pó da terra, que até o vento dispersa, mas tocado pelo suspiro de Deus, que por pura graça abre ao infinito (cf. Gn 2,7).

Assim, ao nos recolhermos novamente na pequenez que nos constitui, reconheçamos simultaneamente quem somos nós e quem é Deus. Reconhecer o Pai do céu no Filho Jesus nos põe diante do espelho de quem somos e nos desvela a beleza e a leveza de nossa frágil condição. Entreguemos a Ele os cansaços de nossas lidas e dele recebamos o alívio curativo do amor que independe de nossos pretensos méritos. Pois para isto Ele nos fez: para descobrir a grandeza do amor na fugacidade de nosso pequeno coração.

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Por, Frei João Júnior ofmcap

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