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08/09/2013: Importa segui-lo, sempre de novo

22º Domingo do Tempo Comum

como o navegador que não olha as estrelas e a bússola uma única vez, mas confere repetidamente a direção tomada

No dia 24 de fevereiro de 1208, então Festa de São Matias Apóstolo, o jovem Francisco de Assis, confuso como estava, foi à missa, à procura de um caminho que lhe clareasse os passos incertos. À angústia de seu atribulado coração, o Evangelho não ofereceu doces palavras de consolo, que convidassem à inércia de esperar de Deus uma solução. Pelo contrário, o que Francisco ouviu naquele dia – e que, segundo ele, mudou para sempre o rumo de sua vida – foram as claras exigências àquele que se decide por seguir Jesus. Um convite que o pôs em movimento, seguindo as pegadas do Mestre com tanta profundidade que, hoje, depois de oitocentos anos, a clareza de sua resposta, delineada ao longo de toda a vida, ainda nos desconcerta: “é isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo viver com todo meu coração!”.

De fato, as primeiras comunidades, desde muito cedo, se deram conta de que a vivência da fé cristã se dá a partir do seguimento de Jesus: para além de qualquer sinal externo de pertença à comunidade eclesial, para além do assentimento tradicional à fé dos antepassados, muito para além dos laços de sangue e de afinidade, o traço que distingue o cristão é sua adesão radical ao caminho aberto pelo Mestre Jesus, a capacidade de fazer-se discípulo do Senhor, caminhando atrás dele, vivendo como ele vivia, esforçando-se por amar o mundo e a vida como ele os amava, dedicando-se àquilo a que ele se dedicava. Somente nesse sentido somos cristãos. E tudo o mais que, de maneira mais ou menos ocasional, componha a vida cristã deve estar a serviço desse seguimento fundamental, reafirmado dia a dia, em cada atitude, nos decisivos dilemas cotidianos.

Uma decisão assim tão séria implica avaliar com critério as exigências do caminho. Ninguém parte ao deserto sem boa reserva de água; ninguém sai a escalar sem os equipamentos necessários; ninguém deveria se atrever a ensinar sem os requisitos mínimos; ou, como diz o Evangelho, a construir sem calcular bem os gastos; ou ainda a guerrear sem verificar as reais chances de vitória. Do mesmo modo, partir atrás do Mestre implica averiguar as disposições do coração, alargando-o para abraçar a todos com o mesmo amor sem limite com que o Mestre abraçou.

bússola
imagem: google

 

E, como o navegador que não olha as estrelas e a bússola uma única vez, mas confere repetidamente a direção tomada, do mesmo modo o discípulo não avalia as condições do seguimento apenas previamente, de uma vez por todas. É preciso se dispor sempre de novo, pois é possível e provável que, a cada nova encruzilhada, o discípulo tenha que fitar novamente o Mestre, novamente ouvi-lo e, se necessário, tomar de novo sua direção.

Que, ao longo de nossa vida e de nossa caminhada histórica como Igreja, não percamos de vista a primazia do seguimento de Jesus. E que todas as nossas decisões, projeto de vida, opções pastorais, estruturas comunitárias, ministérios estabelecidos e relações institucionais se ponham a serviço dessa radical decisão. Do contrário, correm o risco de impedir a vivência autêntica de nossa fé cristã.

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 Por, Frei João Júnior ofmcap

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