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09/02/2014: "Nem insípidos, nem desalumiados"

Destemperada está a vida, se mediocremente é vivida; quando comodamente nada fazemos senão reclamar; se por medo a enterramos; se não nos preocupamos senão conosco mesmos, esquecendo-nos dos oprimidos. Insossa é a vida se não damos tempero a ela, se não oferecemos um pouco de sabor de viver aos que nos rodeiam. Insalubre é a vida se nela não houver amor.

Insulsa é a família se não educar pelo diálogo, para o respeito e para a fraternidade universal; se não houver em seu seio o carinho e a indispensável ternura. Insípida é a educação se não formar mentes pensantes e críticas, mais do que repetidores de conteúdos. Se, minimamente, não ensinar a poesia da vida e a sensibilidade. Desenxabido é o Estado, se não garante a saúde, se não faz valer a democracia, se não cuida da educação, se esquece de fomentar a paz, se se entrega à corrupção e degradação dos valores. Sensabor é a religião apenas ritual, sem implicações éticas, moralista e despreocupada da misericórdia; autocentrada e não missionária.

Desalumiados estão os corações que se esqueceram da beleza e que precisam da luz da arte e da poesia.  Na escuridão do desespero estão muitos pobres, viúvas, órfãos, drogados, prostitutas, enfermos segregados, os que sofrem preconceito. Estão nas trevas os alienados, os ignorantes que não tiveram oportunidades ou que não as aproveitaram… Nas trevas estamos nós se, antes de aprendermos a viver, julgamos os outros.

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Como é possível ver, que bom seria se todos, irrestritamente, aprendêssemos a graça de ser sal e luz…

E quanto a nós cristãos, a quem o mandato é dirigido, silenciamos? Sentamo-nos acaso no eixo horizontal da cruz e confortavelmente esquecemo-nos de temperar o mundo e brilhar para ele? Tornamo-nos acaso, tão mornos, quanto sem-sal, que não resta nada senão sermos vomitados?

Todavia, Jesus pediu que fôssemos sal… Certamente, precisamos aprender a temperar o mundo, com a boa-notícia de Jesus. Com força profética capaz de estremecer as bases da terra, sem, contudo, abandonar a amorosidade, com a qual não salgaremos desmedidamente as realidades. Precisamos também aprender a degustar a vida com os nossos irmãos e ajudar os menos favorecidos a amarem-na também, transformando as realidades constrangedoras que nos cercam. Só o faremos se a sabedoria de Jesus for sabor para nossas vidas. E a sabedoria de Jesus é a que ele enunciou nos versículos anteriores ao evangelho sobre o sal e a luz, desse domingo: ser pobre de espírito, manso, misericordioso, puro, pacífico, alegre, apesar de toda perseguição (Mt 5, 1-13). Vivendo as bem-aventuranças, certamente, salpicaremos os que nos rodeiam com a boa-nova do Cristo.

Também o principal mandamento de Jesus é a nossa real maneira de ser sal, pois só o amor é capaz de dar sabor à nossa vida, sem deixarmo-nos fechados em saboreá-la, mas impelindo-nos a reparti-la. Nossa vida, para ser sal, portanto, precisa se converter em amor. Por isso, Beto Guedes acertou na canção: “Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois, pra melhor juntar nossas forças, é só repartir melhor o pão, recriar o paraíso agora, para merecer quem vem depois… deixa nascer, o amor; deixa fluir, o amor; deixa crescer o amor, o sal da terra”.

Todavia, Jesus pediu para que fôssemos também luz.  Ele, que é a luz que brilhou de uma vez por todas para nós (Jo 1,5), luz que é a glória de Israel (Lc 2,32) e que rasgou as trevas da morte, infundiu em nós o fogo do Espírito Santo, para que  a “nossa luz brilhe nas trevas e nossa escuridão torne-se como a claridade do meio-dia” (Is 58,10).

Esse mistério de ser luz para os outros, está jogado entre dar o pão e ser pão para os irmãos; dando a possibilidade de todos degustarem o amor, esse sal da terra. Não foi nada mais do que o que Jesus fez, dando sua vida, dando-se como pão da vida. Quem o segue, certamente, não andará nas trevas… Quem é seu discípulo jamais se tornará nem insípido, nem desalumiado.

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Por, diácono Eduardo César

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