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10/05/2015: "Fruto do permanecer"

Comentário ao Evangelho do VI Domingo da Páscoa: Jo 15, 9-17

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Se, em pouquíssimas palavras, alguém lhe pedisse para sintetizar a essência da fé cristã, o que você diria? Se, numa única frase, fosse-nos necessário exprimir o esforço dos cristãos ao longo de seus vinte séculos de história, o que afirmaríamos? E se toda a arrojada arquitetônica doutrinal do cristianismo pudesse ser dita numa única expressão; ou mesmo a pluralidade das tradições e dos testemunhos do Ressuscitado – tudo, num único gesto, numa única ação, numa única palavra, a mais definitiva, decisiva e conclusiva de todas – qual seria?

O evangelho de hoje desenvolve a imagem tão bela da relação entre Jesus e seus discípulos, expressa no domingo passado. Tal como os ramos se mantêm ligados à videira, nutrindo-se dela para dar frutos, assim também nos mantemos unidos a Cristo (cf. Jo 15,1-8). Um alívio, no fundo, pois a partir daí sabemos, humildemente, que as graves e urgentes respostas de que precisamos e que os muitos sofrimentos que acudimos não dependem, em última instância, de nós mesmos. Esses frutos vêm do evangelho, que brota de Cristo e que corre em nossas veias. Nós damos apenas o “fruto do permanecer” unidos a ele. Perseverança em manter-se próximo, insistência em não perder as referências – nisso consiste o fruto do bom ramo.

Mas como permanecer nele, de modo que ele permaneça em nós e nos sustente desde dentro? João não hesita: pelo amor. “Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele” (1Jo 4,7); ou ainda: “Como o Pai me amou, assim também ou vos amei – permanecei no meu amor” (Jo 15,9). Que amor é esse, de se fala Jesus? O enamoramento dos apaixonados? O encantamento dos namorados? Também ele, com certeza, desde que seja um amor capaz de se dar a conhecer, de revelar quem somos no íntimo e de amar até a entrega da própria vida. Pois estas são, segundo João, as características desse amor: um amor capaz de se fazer oblação, pois dá a vida pelos amigos; que não admite servidão, mas amizade de quem se deixa encontrar e conhecer – que se deixa, portanto, amar; amor que dá alegria completa, pois vem de Deus e realiza o que de melhor e mais original trazemos em nós. Enfim, um amor que se ocupa de guardar os mandamentos. Mandamentos da lei? Para que ninguém se engane, o evangelho esclarece: o mandamento do próprio amor, pois “isto vos ordeno / este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,12.17).

Que fruto, portanto, a permanência em Cristo produz em nós? Sem dúvida: o amor aos irmãos, no qual consiste o mais elevado dos mandamentos. Unidos a ele, amados por ele, seremos capazes de amar sempre mais e melhor, pois seu amor pulsará em nós. Creiamos, pois, que o amor de Cristo habita em nós. E ofereçamos com generosidade o maior de todos os frutos da qual nossa condição de ramo é capaz: o fruto do amor, amadurecido na permanência insistente em Cristo, na fidelidade ao evangelho que brota dele e corre em nós.

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Por, Frei João Júnior ofmcap

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