Diocese de Uberlândia Em Destaque Reflexões Dominicais

13/10/2013: "apenas um estrangeiro"

Um estrangeiro é um estranho à nossa terra natal, alguém que não está na mesma circunscrição geográfica. Mas, apenas literalmente. Simbolicamente, todos nós somos estrangeiros, pois caminhamos para o nosso lugar original e originário: a coincidência conosco mesmos – não somos muitas vezes, estranhos ao que é o nosso “solo mais sagrado”? –, e o encontro com Deus – que é a “terra prometida” que temos o direito de esperar. Para os cristãos esse simbolismo é ainda mais forte: somos irmãos do mundo, mas não encontramos nossa derradeira morada aqui, pois somos simultaneamente cidadãos da terra e do céu.

Um estrangeiro é sempre, alguém – ao menos do ponto de vista onírico – curioso, não habituado aos costumes do país em que se encontra; disposto a descobrir e redescobrir novos jeitos de ser e de estar. Se forem pessoas que encontram auxílio, costumam ser gratos e também solícitos. Surpreendem-se com facilidade, porque estão, quase sempre, em face da novidade. Aflitos, também sentem falta da terra natal, do que lhes é familiar e muitas vezes não se dão com as realidades que vivem.

fora do mundo

No evangelho da cura dos dez leprosos, somente um deles, depois de ser curado, retorna louvando a Deus, para agradecer a Jesus. Apenas um estrangeiro… Não sabemos nada sobre ele, a não ser que é um samaritano (povo inimigo dos judeus). Longe do templo de Jerusalém, esse homem sabe reconhecer, ao menos, que Deus o cura por pura graça, já que não tinha nenhuma “obrigação” para com ele. E à gratidão desse homem, Jesus sabe responder sabiamente: pedindo que se levante, pois não é prostrado que ele deve permanecer e reconhecendo-o como sujeito da própria transformação (curando-o duplamente): tua fé te salvou!

E essas são as possíveis “lições” a serem tiradas desse evangelho: de fato há pessoas que ajudam não simplesmente por bondade, mas para terem por ‘reféns’ os que elas beneficiam e isso, nada tem a ver com a postura de Jesus, que cura e envia (vai!) e que felicita o samaritano por dar glórias a Deus! Há também os que não são capazes de gratidão; não compreendem que muito do que têm e são deve-se à graça (que possibilita o trabalho); graça com a qual, mesmo infiéis, somos amados (2 Tm 2, 13; Rm 5,15).

Enfim, não diríamos que o samaritano foi curado por ser estrangeiro. Mas a surpresa de Jesus é também a nossa: quem volta é um estrangeiro. Não precisaríamos devolver-nos ao estrangeiro que somos para nós mesmos? Só assim, reconhecendo de que “país” somos, que não estamos de posse nem de nós mesmos, quem sabe devolvêssemo-nos à sensibilidade, à redescoberta do novo em cada coisa, da surpresa de nos conhecer e descobrirmos o outro; quem sabe não voltássemos ao caminho?! Caminhantes, nunca estagnados, nunca acomodados nem habituados encontraríamos no fim do caminho a ele, que já no caminho se fazia presente: Jesus. Por certo, no hábito e no furor do cotidiano, o que é mais belo em nós, o mais sagrado vai desbotando e nem somos capazes de agradecer. Por isso, talvez precisasse voltar, o estrangeiro em nós.

_______________________

Por, Diácono Eduardo César

1 comentário

Clique aqui para postar um comentário

  • Parabéns pela maravilhosa reflexão do Evangelho de Lucas.Quando o senhor na sua reflexão ,nos pergunta. Não precisaríamos devolver-nos ao estrangeiro que somos para nós mesmos? Esta pergunta min leva a refletir como,não tenho enxergado o estrangeiro que esta no meu lado.Obrigado.

    Braço fraterno.
    Maria do Carmo.

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!