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14/12/2014: "Nossa alegria e nossa luz"

Comentário ao Evangelho do III Domingo do Advento: Jo 1, 6-8. 19-28

Harmadik+advent

Misteriosamente, distante de olhares ávidos e esquadrinhadores, é assim que cresce a semente deitada no seio da terra. Delicadamente e sem alardes, sem exigir a atenção de ninguém, ela germina, cresce e emerge, singela e frágil. Naturalmente, sem intervenções sobrenaturais, bastando-lhe a terra, a água, o ar e a luz… Assim também, seria para o profeta Isaías, com a justiça e a glória de Deus. “Como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a glória diante de todas as nações” (Is 61, 11). Não à vista de todos, mas misteriosa e silenciosamente; não em espetáculos, mas delicada e singelamente; não em sobrenaturais intervenções, mas respeitando o transcurso de nossa história. Pois assim é Deus; não aquele que invade a história, nem tampouco aquele que a subjuga, mas aquele que da história fez brotar nossa salvação, sua justiça e sua glória…

Não será isso o que nos aguarda no natal; contemplar que na carne de nossa humanidade, vindo não de uma viagem interestelar, nem tampouco nascido de uma interrupção no decurso de nossa vida e suas leis, mas gerado do amor de Deus, fruto de sonhos há muito plantados no útero de nossa história, deitou-se sobre nossa terra o pobre menino-Deus, a fim de revelar-nos a justiça e a glória divina?

Como uma luz, ele corrigirá a visão turvada pelas sombras, brilhará para os que repousam nas trevas, aquecerá os desconsolados. Como a luz em suas gradações e refrações, ele será um em todos… E não poderá ser segurado, detido ou apreendido, senão experimentado. Será luz para os humildes, que sofrem desencorajados; iluminará o caminho dos feridos e dos cativos. Enfim, no interior e no exterior, nos envolverá com seu reluzente amor e nós, iluminados, jamais deveremos confundir-nos com a luz, mas como João Batista, deveremos apontá-la e testemunhá-la.

João Batista é testemunha dessa luz e a aponta como alguém que não conhecemos, embora esteja no meio de nós (Jo 1, 26). E é bem verdade: no meio de nós estão tantas coisas que passam despercebidas, porque olhadas com repulsa ou preconceito… Outras tantas, porque olhadas com desconfiança e medo. Repousa tanto nas funduras de nossa alma, no meio de nós, que não conhecemos, nem queremos conhecer. Sem atenção às sementes escondidas no desejo do mundo, sem atenção às sementes escondidas no desejo do coração humano, poderemos conhecer de verdade, aquele que está no meio de nós? Sem ouvidos bem atentos, à Palavra calada na carne de nossos anseios, como poderemos contemplar a Palavra feita homem?

Porque Jesus é a semente plantada não só no ventre de Maria, mas desde a geração do mundo, plantada também no seio da vida, que por sua vez, aguarda o encontro com seu sentido e finalidade. Jesus é a semente que cresce silenciosa entre nós e que podemos não conhecer ou tematizar, embora o possamos sentir no apelo que sua palavra faz à nossa humanização.  Basta ter coragem para enfrentar a própria interioridade, para suportar o próprio mistério, a fim de descobrimos o mistério de Jesus Cristo latejando em nós, brotando e rebrotando… Basta ter sabedoria para, suportando as nesgas de trevas que se interpõem em nossa vida, encontrar o clarão que sempre quis ser nosso farol.

Às proximidades do natal, enchemo-nos de alegria, rendemos graças e celebramos o que ficou conhecido como domingo Gaudete (ou domingo da alegria), a saber: o terceiro domingo do advento. Alegria, obviamente, não encontrada exteriormente, mas no esforço da intimidade com Deus, da vida interior. Alegria que não pode advir de nenhum lugar, senão de dentro, da clareira donde brilha uma luz inextinguível, capaz de sempre mais nos fazer vivos. Alegria de estar às portas do natal quando veremos deitado sobre o feno, não o mistério de Deus feito homem, apenas, mas também o nosso mistério, o mistério de ser gente. Domingo Gaudete, enfim, porque a razão de nossas alegrias, não estará simplesmente em vê-lo sobre a manjedoura, mas em reconhecê-lo fora, porque sempre estivera, misteriosa e delicadamente, dentro de nós.

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Por, Pe. Eduardo César

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