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17/11/21013 "ao amanhecer daquele dia"

17 de novembro de 2013

33º Domingo do Tempo Comum

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A literatura apocalíptica, tanto nas escrituras judaicas quanto nas cristãs, nos oferece um número sem conta de imagens e metáforas, algumas delas bastante plásticas e impactantes, para descrever nossas esperanças derradeiras. Pois, de outro modo, que não a linguagem metafórica e simbólica, essas esperanças seriam indizíveis. E, neste penúltimo domingo do ano litúrgico, quase como prelúdio à celebração d’Aquele que, em si mesmo, se constitui princípio originário e plenitude última de tudo quanto existe, o sentido ao mesmo tempo primeiro e definitivo, o “Cristo Rei do Universo”, os textos apontam exatamente para isto: nas incertezas do provisório momento presente, a esperança derradeira de um dia de suprema verdade e suprema justiça. Mas que dia é esse?

Não é, propriamente, uma esperança nova. Isaías já havia se referido a esse dia como uma grande notícia boa: cura para os corações aflitos, libertação aos cativos, soltura aos prisioneiros, consolação aos tristes, soerguimento às ruínas; em poucas palavras,  um “ano da graça” – tudo conforme mandato do Espírito (cf. Is 61). Ou ainda como o broto novo, que nasce da desacreditada raiz já seca (cf. Is 11,2). Jeremias descrevera esse mesmo dia como “o dia da desforra” (Jr 46,10), de restituir a justiça a todos os injustiçados e de pedir contas aos opressores, de todos os tempos. Para estes, um dia de aflição; para aqueles, um dia de júbilo. Ezequiel também profetizara sobre esse dia que, contraditório, corrige toda contradição. Nele, não haverá mais engano nem enganação (Ez 13,5s), mas os o Senhor mesmo restituirá a vida aos seus, que vivos na esperança já não morrem (Ez 37,12). Finalmente, na liturgia de hoje, Malaquias proclama o dia: simultaneamente sol de salvação e fornalha abrasadora (Ml 3,19-20a). Mas que dia é esse?

Para Jesus, segundo Lucas (Lc 21,5-19), é um “dia de destruição, em que não ficará pedra sobre pedra”. Nesse dia, as raízes do mundo se abalam, os reinos dos homens se amotinam, os lares se desfazem, a justiça do século falha. Nada resistirá a esse dia. Nem mesmo do Templo. Pois até mesmo a ordem religiosa estabelecida desfalece, pálida, diante da suprema verdade que pretendeu anunciar, entre fidelidades e traições. Mas, afinal, que dia é esse? – perguntam aflitos os discípulos.

Nós o sabemos. Bem no fundo, nós o sabemos. Porque esse dia não nascerá no horizonte de uma serra, de trás de uma montanha; ele habita dentro de nós, ainda no escuro da madrugada, sob o brilho das últimas estrelas e os primeiros raios de uma manhã fulgurante. E, cedo ou tarde, amanhecerá em nós, resplandecendo sua luz transparente de sinceridade e verdade, de efetivada realização, de encontro e júbilo. Nesse dia, não haverá mais espaço para os corriqueiros fingimentos e hipocrisias, longas justificativas e planejadas escusas, palavras demasiadas que escondem o vazio mudo. Nesse dia, a maldade será iluminada em gratuidade, o medo em intrepidez, o interesse em gratuidade e a indiferença em amor.

Esse dia vem, diz o Senhor. E já desponta no horizonte dos corações. Pode-se retardá-lo, mas não impedi-lo; fugir dele, mas não esconder-se para sempre; fechar-lhe os olhos, mas não subtrair-se à sua luz – assim cremos, em nossa esperança derradeira. Que ele nos encontre vigilantes, como a sentinela que aguarda ansioso a aurora que vem.

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Por, Frei João Júnior ofmcap

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