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21/12/2013: "de novo e sempre"

Às proximidades do Natal do Senhor, quando enfim a humanidade de Deus repousar numa manjedoura, celebramos o último domingo do advento. Deus é um pouco isto e aquilo: advento e chegada. Mais uma vez festejaremos o dia em que, das alturas, os céus orvalharam e fizeram chover a justiça, irrigando a terra com o Deus Salvador. E para que essa terra se abra ao amor e deixe germinar esse precioso Dom, ainda hoje, nos preparamos por este tempo, para reviver aquele. Somos um pouco isto: história e festa.

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O galo é símbolo daquele que, percebendo o sol, vigilante o anuncia.

A liturgia desse quarto domingo do advento está radicada na importância de um nome: Jesus. Nas culturas antigas o nome significava a identidade de uma pessoa, o que se poderia esperar dela. No caso de Jesus, o nome significa: Deus salva. O evangelista deixa claro desde o início, que tipo de messianismo poderemos esperar; não político, mas recriador; a salvação dos pecados (Mt 1, 21). E fazendo eco à profecia de Isaías, Mateus diz ainda que chamarão o menino de Emanuel, “Deus conosco”. São dois nomes, certamente, mas uma única verdade os une: Jesus nos salva pondo-se conosco na trama da história. E essa verdade não é apenas um sonho, nem de José, nem de homem algum, mas antes um despertar possível a todos que queiram.

Contudo, há que se perguntar o que o nome de Jesus significa num tempo em que muitas de nossas palavras sofrem de excessos. Será que tal nome tornou-se uma moeda, cuja ‘efígie’ está desgastada? O nome de Jesus guardava um mistério para as primeiras gerações cristãs (Fl 2,10), um mistério de salvação. Não sei se conservamos essa densidade; não só porque nossa cultura não associa nome e pessoa, nem tampouco somente por causa do nosso descuido com as palavras, mas porque deixamos de sentirmo-nos salvos por Jesus, em muitos sentidos. Precisamos ser salvos do quê? De nosso narcisismo, certamente. Do esquecimento do outro e de nós mesmos. Talvez por isso, a salvação não esteja só lá na cruz, mas também deitada na manjedoura, indicando que devemos percorrer o caminho da humanização, que passa pela ternura e delicadeza, pela fragilidade do amor.

E Emanuel? Como podemos falar esse nome sem esquecer seu sentido e sem perguntar: eu sinto Deus comigo? Sem a consciência doída de reconhecer que tantos não O sentem consigo; uns porque não querem, outros porque não conseguem, outros ainda porque não o conhecem. Como o nome poderá traduzir, ainda, que “Deus é/está conosco” se não o experimentamos próximo? Todavia, o Deus que está conosco não é nosso. Está longe convidando o passo; está perto convidando o olhar, sendo rosto, sendo criança, sendo poderosamente fraco; está dentro, mais íntimo que o mais íntimo, convidando a palavra ao silêncio. E mesmo não o sentindo, a sabedoria para compreender o seu ‘estar conosco’ será simplesmente abrir-se ao nosso último mistério e descobrir que ele fala de coisas mais altas, as quais não podíamos imaginar…

Quando uma vez mais concebermos na fé, a Jesus, como Maria fez; quando uma vez mais acolhermos Jesus, como José fez; quando uma vez mais reconhecermos que é só frente ao outro que somos o que somos; quando uma vez mais nos surpreendermos com nosso último mistério; quando, finalmente, acordarmos para nossa verdadeira humanidade, será, então, de novo e sempre, natal.

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Por, diácono Eduardo César

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