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21/12/2014: "Para sempre e de perto"

Comentário ao Evangelho do IV Domingo do Advento: Lc 1, 26-38

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Que Deus viesse morar com os seus, em familiar convívio, dividindo as alegrias e as decepções mais humana – nada disso era estranho à fé do antigo Israel. Desde a libertação do Egito, Deus acompanhara seu povo de diversos modos: a coluna de nuvem, a teofania do Sinai, as tábuas da Aliança… Mais ainda, fora Deus mesmo que, um dia, colocara em caminhada nosso pai Abraão e prometera-lhe a infinda descendência, da qual o povo se reconheceu herdeiro. Findada a travessia do deserto, a divina presença se fazia sentir na segurança do país unido sob um governo forte e na solidez do templo, onde ininterruptamente a fumaça dos sacrifícios conectava terra e céus. E, quando a infidelidade rondava as fraquezas e os orgulhos humanos, a mesma presença se fazia ouvir na voz dos profetas, como apelo urgente à conversão e à restauração da Aliança partida. Disposto a perdoar, Deus nunca se escondera daqueles que o buscaram de coração sincero.

Mas… não bastava tudo isso? Já não era muito um Deus que se interessasse por nós e nossas labutas, sustentando-nos a coragem e convidando à felicidade? Não era o bastante o caminho tão claramente proposto pelas Escrituras, interpretado pelos sábios e confirmado pelas solenes liturgias? Que Deus nos esperasse qual Pai amoroso, nos educasse qual mestre generoso e nos amasse desde sempre – isso não era mais que suficiente? Talvez. Mas, para o amor infinito que deseja infinita proximidade, não. Porque é próprio do amor fazer-se sabido e, uma vez amado, amar para sempre e de perto. Assim, por fidelidade ao próprio amor e à própria decisão de amar, era preciso realizar a mais inaudita de todas as iniciativas: era preciso que Deus se fizesse gente e experimentasse desde dentro todas as determinações da carne do mundo criado, ao qual amava. Desde então, o sacramento de Deus não seria mais um texto ou uma instituição, mas uma pessoa; um homem nascido do aconchego de um útero, como todos os seres humanos, sujeito às mesmas incertezas e riscos de toda vida humana, mas capaz de demonstrar de modo inequívoco a nobreza de nossa humanidade. Só assim, quando salvas desde dentro todas as fibras da história e assumidas para sempre as tragédias humanas, o desejo do amor de Deus estaria completo.

Assim se deu. E, no caminho nem sempre fácil de reconhecer essa Boa Notícia, na travessia do advento dessa Presença, muitas vozes apontam a direção: os brados de João Batista que convidam à conversão (1º domingo), as esperanças de Isaías que não se deixam abater (2º domingo), a promessa sempre reiterada do Espírito (3º domingo) e a simplicidade disponível de Maria e de José (4º domingo). Cada qual a seu modo, todos são testemunhas do mesmo amor e da mesma fidelidade de Deus, que convida ao acolhimento de seu Filho. Respostas corajosas às interpelações de Deus, que longe de nos dispensar, nos encorajam a darmos, nós também, nossa resposta aos apelos que ainda hoje Ele nos dirige.

Que, ao findar as esperas do advento e coroar as expectativas do Natal, nosso coração esteja um pouco menos alheio e um pouco mais disponível ao Deus-pessoa que nos vem ao encontro nos olhos de todas as pessoas. Pois no brilho desses olhos de menino, ainda hoje refletidos, se realizam todas as promessas mais belas já feitas ao coração humano.

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Por, Frei João Júnior ofmcap

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