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O Sofrimento (VIII)

Toda a vida de Santa Teresinha foi um rosário de sofrimentos: da infância até à morte dolorosa de tuberculose aos 24 anos. Desde pequena, ela sentiu certa atração pelo sofrimento. Esse fascínio foi crescendo com o passar dos anos e com sua compreensão do valor do sofrimento no mistério da redenção, a ponto que ela, nos últimos dias de vida, afirmava que não sabia como poderia se adaptar a uma situação na qual não pudesse sofrer, como seria a do céu.

É o amor que nos leva à cruz e é a cruz que prova nosso amor. E, por isso, mesmo ela afirmava: “Um dia de carmelita passado sem sofrimento é um dia perdido!”. O sofrimento por amor é um privilégio, do contrário, seria uma tortura. Sofrer no mistério da redenção é prova de amor de Deus. Só no céu poderemos compreender todo esse processo, que geralmente é mistério de amor.

Santa Teresinha tem suas técnicas próprias para bem sofrer e sofrer como uma criancinha. É exigido dos seus discípulos, que cada um ajude Jesus a carregar a sua cruz, e, neste caso, se deve proceder como uma criança fraca e simples.

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Nossa Doutora da Igreja nos deixou algumas regras práticas para que aprendamos a sofrer em paz e por amor, sem chegar ao desespero.

Em primeiro lugar, como toda criança, é preciso saber sofrer cada minuto, isto é, sofrer em gotas. Não devemos antecipar os sofrimentos, preocupando-nos com as dores de amanhã. Lembremos das palavras de Jesus: “Não se preocupem com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade” (Mt 6,34).

Em segundo lugar, é preciso saber aproveitar do sofrimento. Santa Teresinha indica algumas pistas para podermos aproveitar do nosso sofrimento.

A primeira pista é sofrer pelos outros. Eis aí um grande apostolado, o apostolado do sofrimento.

A segunda pista é sofrer pensando que Jesus sofreu muito mais do que nós, sobretudo porque ele era Deus e não tinha nenhuma culpa para sofrer.

É preciso também não se esquecer de que muita gente sofre muito mais do que nós, como por exemplo: gente que vive na miséria, no abandono, na marginalização… morrendo à míngua sem ter acesso ao mínimo necessário para ter uma vida digna. Também não nos esqueçamos das pessoas que contraem doenças contagiosas e horripilantes e as que nascem com deformidades tão feias que causam até mesmo o afastamento dos outros.

A terceira pista é não procurar sofrimentos extras, isto é, contentar-se com os sofrimentos que Deus nos manda ou permite que tenhamos.

A quarta pista é lembrar sempre que Jesus no mínimo permite o nosso sofrimento, logo ele sabe muito bem quanto podemos aguentar e também jamais nos abandonará.

A quinta e última pista para sofrer bem, em paz e com muito amor é aproveitar todas as pequenas ocasiões que se nos apresentam na vida de cada dia. Alguns exemplos dados por Santa Teresinha: o menosprezo dos superiores, o desprezo dos colegas, as calúnias dos inimigos gratuitos…

Atenção! Não se pode jamais esquecer de que tudo isso só tem algum valor e proveito se sofrermos com amor e por amor. Não se trata de uma busca desenfreada e sem sentido do sofrimento. Não basta sofrer por sofrer: o sofrimento tem que ter um sentido maior do que aparentemente deixa transparecer. Deve ser sempre associado ao sofrimento de Jesus. O sangue de Jesus derramado na cruz é fruto e obra do amor. Se quisermos segui-lo de verdade, temos que abraçar nossa cruz com amor e por amor.

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Por, Pe. Antônio Lúcio, ssp

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