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A ética de Cristo e a nossa ética – Parte I

Toda pessoa tem ética. E ética não depende de religião. Dizer que alguém ou um profissional agiu de forma antiética ou sem ética é incorreto. Ética diz respeito ao código interno [moral] de uma pessoa e/ou instituição. No máximo, podemos dizer que alguém agiu a partir de uma “ética duvidosa”, mas jamais que agiu sem ética. Dito isso, prossigamos. Qual foi a ética de Jesus nazareno?

Para falarmos de Jesus e de sua ética é preciso ir aos lugares escriturísticos que no-lo revela: os Evangelhos. Os chamados sinóticos (Mc, Lc e Mt) apresentam Jesus a partir de uma ética cujo agir é desconcertantemente livre para com o seu povo e para sua época. Em todos os Evangelhos, vemos um Jesus que se relaciona, preferencialmente, com os chamados “chusmas”, i. é, os considerados pecadores: os publicanos, as mulheres mal afamadas, os doentes, os pobres, os impuros, entre outros. Com esses, Jesus se relacionava de modo que eles se sentiam acolhidos, compreendidos e respeitados, para escândalo dos religiosos de então.

A ética de Jesus transitava em torno do valor da vida. Ele soube dar à vida o valor e a dignidade que ela merece. Sua postura era de defesa da vida e não das normas ditadas pela religião sobre a vida. Para tanto, lembremo-nos dos muitos confrontos com os fariseus, religiosos observantes da Lei, que não conseguiam ou não queriam compreender que “o sábado fora feito para o homem e não o homem para o sábado”. E que valia muito mais a liberdade do homem, a reabilitação do pecador, a saúde devolvida ao doente e a dignidade para quem a perdeu do que os muitos ditames prescritos na lei mosaica. Jesus não foi homem de seguir o script.

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As pessoas, ao se encontrarem com Jesus, se davam conta da novidade inaugurada nele e com ele: “estavam espantados com o seu ensinamento, pois Ele os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (cf. Mc 1, 21ss), “de onde lhe vem tudo isto? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? […] E estavam chocados por sua causa” (Mc 6, 2-3). A diferença abissal entre Jesus e os escribas é que Jesus, antes de se apegar ao dito, afirmava, anteriormente, a pessoa humana. Sabia, por convicção, que o mistério não está, em última instância, em Deus e em sua divindade, que nós a bem da verdade nem sabemos o que é, mas no fato de que a nossa humanidade é tão salutar que Ele mesmo, Deus, quis vir e se hospedar em nós, e, conosco, iniciar um processo novo de humanização: a partir de dentro; a partir de “baixo”.

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Por, Diácono Claudemar Silva

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