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A Ética de Cristo e a nossa ética (Parte III)

O Deus de Jesus de Nazaré é um Deus que se humaniza, mas não em qualquer humano, e sim, no humano-servo-escravo (cf. Fl 2, 6ss). É um Deus na contramão das imagens divinas apresentadas pela filosofia grega; um deus impassível, distante, totalmente transcendente e sem nenhuma afetação. O Deus que Jesus ousou nos apresentar é patético (páthos / sofrimento); capaz de se deixar afetar pela nossa vida, nossas dores e sentimentos mais basilares. Ele é “bipolar”: diz que vai destruir e arrasar, mas, no momento seguinte, volta atrás e não causa o mal que disse que causaria (cf. Jn 1-3; Os 11; Zc 1, 3). Um Deus que, portanto, converte-se.

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Logo, olhando para Jesus e sua ética, é preciso mudar o foco da afirmação: de “Jesus é Deus” para “Deus é Jesus”. Pois, verdadeiramente, nós não sabemos quem é Deus, a priori. É Jesus quem no-lo revela e nos diz, explicitamente, quem e como é Deus. Não se pode eximir o humano para compreender o divino, antes, é imprescindível que olhemos acuradamente para a nossa humanidade a fim de compreendermos, honestamente, quem é Deus. Diz o Evangelista João: “ninguém jamais viu a Deus” (1,18). Entretanto, para o pedido de Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai”, assegurou-nos Jesus: “quem me viu [humano], viu o Pai [divino]” (Jo 14, 9s).

Por isso, é tão necessária a conversão do olhar: a imagem de Deus que temos e trazemos em nós é importantíssima: ela dita, consciente ou não, o nosso modo de nos relacionarmos com as pessoas e com este mundo. Se cultuamos um Deus forte e poderoso aos moldes dos mandatários deste mundo, pode ser, em grande medida, porque gostaríamos de ser assim ou estar nessas condições. E o que é pior: podemos tratar as pessoas, próximas ou não, a partir de cima, do lugar que julgamos estar em relação àqueles que não creem ou não são tão “puros e morais” como nós, afinal, comumente nos julgamos “dignos”, praticantes exímios da religião e adoradores qualificados de um Deus que é Santo, Imaculado e Transcendente. Daí, um Deus fraco, pequeno, pobre e que se [im]põe limites pode não nos parecer muito interessante.

Após a Ética de Jesus, é bom refletirmos sobre a nossa ética. A ética cristã tem em Jesus de Nazaré o seu horizonte último. Se não for assim, não nos podemos identificar com aquele homem que viveu no tempo (1a.C – 30d.C) e no espaço (Nazaré/ Galileia / Jerusalém), e que fora morto pelos poderes constituídos, mas que, como garante o testemunho dos seus seguidores, fora ressuscitado ao terceiro dia.

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Por, diácono Claudemar Silva

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