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A grandeza do Sacerdote, por Dom Paulo Francisco Machado

A GRANDEZA DO SACERDÓCIO

Dom Paulo Francisco Machado

    Narra-nos o Evangelho segundo São João que, para certificar-se da morte de Jesus, um soldado traspassou-lhe o lado do qual abundantemente jorraram sangue e água. Só podemos desvelar o mistério do nosso sacerdócio ministerial se entrarmos nesse coração misericordioso de Jesus na sua disposição de fazer plenamente a vontade do Pai entregando-se por nós e por nossa Salvação, e, ainda, adentrando-nos na Igreja que nasce dessas abundantes águas purificativas, regenerativas e vive da graça advinda do Mistério da Encarnação, mormente do Mistério Pascal.

A missão e a grandeza do sacerdócio cristão só podem ser contempladas perfeitamente pelos que crêem em Cristo e amam a sua Igreja. Quero trazer à luz algumas breves reflexões sobre o sacerdócio, considerando atitudes e pensamentos de alguns Santos. Essas permitir-nos-ão colocar nossa cabeça de discípulo amado no lado de Cristo, fonte da água Viva, Mistério de Infinito Amor.

-Tal era o sentimento da grandeza do sacerdócio que alguns Santos, cientes de sua indignidade, resistiram muito à ordenação. Assim, Ambrósio escondeu-se num túmulo para não ser ordenado. São Gregório de Nanzianzo, por não se considerar merecedor de tão grande honra, fugiu para lugar deserto e, depois, justificará sua atitude: “Pensei ser melhor ficar louvando a Deus serenamente”. Santo Agostinho terá chorado antes de sua ordenação ao pensar na sua baixeza e, ao mesmo tempo, na grandeza da graça sacerdotal. Dizia-nos: “Eu, irmãos, porque Deus assim o quis, certamente sou sacerdote e com vocês bato em meu peito, com vocês peço perdão, com vocês Deus terá misericórdia de mim”. Santo Efrém e São Francisco, sentindo-se indignos de se tornarem sacerdotes, permaneceram diáconos, tão alta era a estima que possuíam pelo sacerdócio.

Os Padres consideravam a grandeza do sacerdote à luz da identificação deste com Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo uma “atualização sacramentalmente perene da presença de Cristo no mundo ao longo da história … Pelo sacramento da ordem opera-se no sacerdote uma transformação ontológica que o converte na presença sacerdotal de Jesus entre os irmãos”.

Identificado com Cristo, são-lhe conferidos imensos poderes, ele é o “ministro dos mistérios de Cristo (2Cor 11, 23). Esse é o motivo para “gloriar-se em Cristo no que se refere ao serviço de Deus” (Rm 15, 15ss). Assim a administração dos sacramentos, faz do padre: um pai que gera filhos para a fé (1Cor 4, 15); um pastor a conduzir as ovelhas para o céu (Ef 4, 11); um mestre (Tt 2, 7).

A grandeza do sacerdote não pode ser considerada à luz do que ele faz, mas à luz do que ele é. Em dois grandes momentos podemos sentir como o peso de glória que o Senhor nos concede, quando impondo as mãos sobre a cabeça de um penitente dizemos: “Eu te absolvo dos teus pecados” e, quando tomando um simples pedaço de pão, dizemos: “Isto é o meu Corpo”.

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