Colunistas

“A satisfação como um caminho para a paz”, por Ariovaldo Afonso – Seminarista

A satisfação como um caminho para a paz
Ariovaldo Afonso de Oliveira Júnior
Seminarista da Diocese de Uberlândia
Graduando em Teologia pela PUC-Minas

Temos o hábito de sempre perguntarmos aos outros: “Como você está?”. E sempre esperamos uma reposta positiva. Não queremos saber detalhes, apenas queremos ouvir que a pessoa está bem ou que está satisfeita. E quando o outro diz que não está bem, logo vem um desconforto de nossa parte por ter que ouvir as lamúrias ou explicações. O bem-estar, na maioria das vezes, está ligado à satisfação. E é muito comum, até mesmo normal, que exista pessoas que sempre estão satisfeitas, bem como, as que nunca estão satisfeitas com nada, sempre lhe falta algo. E da mesma forma, existe também o satisfeito que não se agrada com mais nada. Então, podemos dizer que existem dois tipos de satisfação: o bem-estar perante a vida e a satisfação restrita de quem se volta para si mesmo.

Várias são as atitudes, situações e maneiras de se chegar à satisfação, ela está intimamente ligada à felicidade. Anselm Grün, monge beneditino e autor do livro A felicidade das pequenas coisas, diz que “Somos felizes se somos satisfeitos, se estamos em harmonia com nós mesmos e com nossas vidas. Outra atitude é o contentamento. Aquele que é frugal (econômico) está de bem com a vida, não tem necessidades adicionais. Contentamento é também simplicidade. O frugal se contenta com uma vida simples, e a satisfação tem forma de gratidão.” Uma pessoa em paz é uma pessoa satisfeita. A palavra alemã “zu-frieden” (que quer dizer satisfeito, com satisfação) indica que quando estamos satisfeitos, alcançamos um patamar de paz, mas para isso deve-se fazer um caminho para se chegar a esta paz. Vou citar duas maneiras que nos ajudam a chegar nesse patamar: o caminho psicológico e o caminho espiritual.

No caminho psicológico, alguns estudiosos dizem que, as pessoas funcionam como estruturas polares, ou seja, existem polos opostos: amor e agressão, razão e sentimento, confiança e medo, fé e incredulidade, disciplina e indisciplina. Na maioria das vezes, por questão cultural e até mesmo de autoestima, somos tentados a esquecer o nosso lado obscuro, mas para se fazer um caminho para o contentamento interior é necessário que aceitemos que possuímos esses lados obscuros com humildade. É preciso nos reconciliarmos com nossas desvantagens. A reconciliação consigo mesmo não diz somente da aceitação da própria sombra, mas da aceitação da própria história de vida, a aceitação de si mesmo.

Uma maneira, especialmente na psicologia, é questionar sobre as causas da nossa insatisfação. Muitas vezes estão relacionadas com experiências dolorosas durante a infância, não nos sentimos aceitos. Por isso é bom ter um terapeuta para que possamos nos auto perceber e lentamente ficarmos em paz com nós mesmos. No caminho espiritual, percebemos que uma das causas da nossa insatisfação está nas imagens que temos de nós mesmos. Desde a infância nos é ensinado que devemos ser sempre perfeitos, bem-sucedidos, simpáticos, adaptados e bons. Ou de um outro lado temos a imagem de que não somos bons em nada, que a vida é uma verdadeira desgraça.

O psicólogo católico Karl Frielingsdorf “pensa que quando uma criança experimenta apenas um direito condicional de existir, se só é amada se tem bom desempenho, se é bem-sucedida e bem-comportada, desenvolve estratégias de sobrevivência. Faz mais e mais para ser notada. Nunca se atreve a dizer a própria opinião, diz o que os outros querem ouvir para que a amem.” Pessoas assim nunca chegam paz consigo mesmas, porque nunca acham suficiente tudo o que fazem. Só podemos transformar aquilo que aceitamos. O processo de transformação se dá quando nos relacionamos verdadeiramente e honestamente com Deus. Entregamos a Ele a nossa realidade, do jeito que somos. Também entregamos os nossos sonhos e confiamos que o amor de Deus penetra o mais profundo de nós. Não podemos confundir a imagem que Deus tem de nós com a imagem que fazemos de nós mesmos.

Não devemos nos apegar às nossas próprias imagens, mas deixar que Deus nos torne mais e mais abertos para encontrarmos o nosso verdadeiro “eu” que está por detrás de todas as autoimagens que construímos. Jesus não nos promete pela satisfação, mas Ele deseja e nos encoraja para que permaneçamos firmes, pois com Ele encontraremos a paz mesmo no meio de tantas tribulações. Quando estamos em contato com essa paz, quando alcançamos verdadeiramente a paz do Cristo é aí que nos contentamos de fato.

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