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A vida humana é bonita, por Dom Paulo Francisco Machado

A vida humana é bonita

Dom Paulo Francisco Machado
Bispo Diocesano

        A vida cristã, toda ela, se realiza e se forma num clima, num dinamismo de ação de graças. Quem melhor expressou isso foram Maria Santíssima e a Igreja, no significativo hino do Magnificat: “O Senhor fez em mim maravilhas, santo é o seu nome…” (Lc 1,46)

        Pode parecer-lhe estranho, mas eu tenho um outro motivo para manifestar minha gratidão ao meu Criador e único Deus: “Graças a Ele eu não sou anjo, fico contente em ser humano”. Certo, a vida angelical teria algumas vantagens, mas não invejo essas criaturas puramente espirituais.

        Os anjos, assim os definem os grandes teólogos, são puros espíritos e sempre  penso que, em tais condições, eles não podem nem sentir o gosto amargo e salgado de uma lágrima, nem experimentar a carícia materna na sua cabeça de filho, ou, o vento manso na face. Não sabem o que é o suor do rosto para ter alimento na mesa e também não podem expressar a alegria, mediante um belo e agradável sorriso.

        Mas se você, meu caro e paciente leitor, me perguntar um motivo maior para agradecer a Deus por não ser um anjo, é que por vezes sinto um grande orgulho – penso ser um orgulho santo – de ter corpo e espírito e, assim, poder alcançar com as mãos dois mundos: o corpóreo e o espiritual, alcançar o tempo e a eternidade do jeitinho mesmo que sou. Isso tudo, por obra e graça de Jesus Cristo, o Verbo divino humanado.

         Ele, ao contemplar o ser humano, sua obra mais grandiosa, quis se igualar a nós e, num corpo o Verbo Divino sentiu o calor das areias de uma praia sob seus pés, deixou correr lágrimas pelo rosto quando noticiado da morte do seu amigo Lázaro (Jo 11,33), ou ao contemplar com tristeza sua amada cidade de Jerusalém destinada à destruição: “Jerusalém, Jerusalém (…) quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas….” (Mt 23,37).

          Na casa de Simão, sentiu a maciez dos cabelos e as lágrimas de Maria a banhar-lhe os pés. Aconchegou-se quando criança aos seios de sua mãe para que Ele, Senhor da Vida, vivesse, saciasse sua fome do alimento corporal e porque também não dizer sede de segurança e ternura. Com olhos humanos, obra maravilhosa de seu Amado Pai, pode contemplar com grande prazer as flores do campo, mais suntuosas nas cores e formas, que as túnicas e mantos de Salomão. “Observai os lírios do campo, como crescem, e não trabalham e nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.” (Mt 6,28b-29). Até mesmo o medo transpareceu em seu corpo, Ele tremeu, e tal era sua angústia que gotas de sangue afloraram em sua pele (Lc 22,43).

          É nos Evangelhos, contemplando o rosto humano/divino de Jesus, que encontro o motivo de minha grande alegria, de minha ação de graças para louvar o Criador: “O Senhor fez maravilhas, santo é o seu nome”.

          Tenho tantos motivos para louvar a Deus por ser o que sou, uma pessoa humana e rei da criação e, por comando do coração, posso ajoelhar-me para contemplar o verde das nossas montanhas, o amarelo de nossos ipês durante o mês de agosto, o azul ou o verde dos nossos mares, sentir a carícia do vento no meu rosto. Posso dar às criaturas, uma voz agradecida e plena de louvor ao seu Criador: “Louvai-o, o sol e a lua, louvai-o, astros todos de luz, louvai-o, céus dos céus, e águas acima dos céus!” (Sl 148,3-4).

Alegria maior ainda eu sinto por saber de acordo com a fé cristã, que este meu corpo, pobre “irmão corpo” receberá também a grande recompensa de tornar-se corpo glorioso.

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