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ARTIGO: “DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER…”, POR DOM PAULO FRANCISCO MACHADO

“Dai-lhes vós mesmos de comer…”

Dom Paulo Francisco Machado

 

No dia 2 de abril, durante a missa de Domingo Ramos, a Igreja no Brasil encerra a parte financeira da Campanha da Fraternidade, o que não significa, que a questão da fome e da miséria de tantos irmãos saia do radar de nossas preocupações e cuidados para com as pessoas desassistidas, nesse nosso imenso e populoso país.

Durante semanas, refletimos sobre o drama angustiante da fome, tomando por tema Fraternidade e Fome e, por lema: o versículo 16, capítulo 14 do Evangelho segundo Mateus: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

Sabemos das circunstâncias em que Jesus deu a seus discípulos essa ordem. O povo acompanhava Jesus, suas palavras eram e são ainda sedutoras, faziam e fazem a multidão sofrida sonhar com o novo, tantas vezes anunciado pelos profetas como fartura de pão. A gente sofrida segue a Jesus no deserto como o antigo povo de Deus, sob a liderança a de Moisés, a caminho da libertação, da terra prometida, na abundância do alimento, o leite, e da doçura do viver fraternalmente, o mel. Uma promessa de fartura de pão corresponde a um límpido anseio de toda humanidade, especialmente dos pobres.

Jesus, mediante toda a sua atividade terrena, toca, sobretudo nos nossos dias, naquela nossa ferida causadora maior da tragédia dos excluídos de uma mesa suficiente e até mesmo farta, para cada ser humano: a ambição, o desejo desenfreado e muitas vezes imoral, de um lucro fácil, reproduzindo a fala da parábola do grande solitário encontrada no Evangelho segundo Lucas capítulo 12, 16ss: “Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então direi a mim mesmo: Minh ‘alma tem boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, diverte-te…”. A missão profética da Igreja é a de denunciar essa desmedida e imoral ambição para suscitar pessoas justas, virtuosas e, assim construir um mundo novo.

Com a ordem: “Dai-lhes vós mesmos de comer”, Jesus também nos intima a buscar as melhores soluções para o problema da fome, a atender nossa necessidade básica do alimento. Certo é, que a chamada “Revolução Verde” trouxe uma fartura de alimentos desconhecida na nossa longa história da humanidade. Louvo a Deus pelos cientistas dedicados a pesquisas, para minorar essa chaga na sociedade contemporânea. A “Revolução Verde” trouxe também apreensões quanto ao uso indiscriminado de agrotóxicos e a crescente necessidade de insumos agrícolas.

A ordem do Senhor: “Dai-lhes vós mesmos de comer”, incita-nos à criatividade. Diante do drama da guerra Rússia X Ucrânia, cresceu a insegurança alimentar no mundo, especialmente nos países mais pobres (como na África Subsaariana e, até mesmo nessa potência agrícola que é o Brasil.). Nossa cidade de Uberlândia se movimentou em pesquisas para minimizar a falta desses insumos agrícolas no mercado internacional. Sob a liderança da Prefeitura, investiu-se na produção do pó de basalto, que eleva em muito a produtividade no campo.

Em conversa com uma deputada federal, que me apresentou as vantagens do uso do pó do basalto, afirmei-lhe que é hora de fazer com que esse pó   chegue ao pequeno agricultor, aquele que nos fornece as verduras e legumes para a mesa de todos, a preços razoáveis e acessíveis aos pobres.

É isso aí: quando Jesus nos diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer”, Ele nos incentiva à criatividade na solução do problema da fome no mundo, além, é claro, manifesta seu sonho de nos tornar verdadeiros filhos de Deus, para podermos rezar com coerência: “Pai Nosso…O pão nosso de cada dia nos dai hoje…”.

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