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ARTIGO: FOME, POR DOM PAULO FRANCISCO MACHADO

Fome…

Dom Paulo Francisco Machado

A fome sempre rondou a humanidade, desde seu passado mais remoto. A Sagrada Escritura conta-nos a história de José do Egito, que soube providenciar trigo nos “sete anos de vacas magras”. E o Egito, devido às enchentes do rio Nilo, era o grande celeiro do mundo antigo.

Não foram poucos os profetas a lançar as mais duras pragas, especialmente a fome, contra os inimigos do povo de Deus e, até mesmo, anunciá-la contra Israel devido à quebra da Aliança, o esquecimento do Senhor Deus e de seus favores.

A falta de alimento é tão trágica que, ainda hoje, pedimos sejam afastadas dos povos a fome e as guerras. Essas, em geral, são as maiores responsáveis por multidões de famintos.

Nos dias atuais, a insegurança alimentar se deve, sobretudo, ao egoísmo, em que um complexo sistema abarrota os celeiros e, ao mesmo tempo, marca o mapa mundi de espaços de miséria e fome. Somos levados a pensar: “O que tenho a ver com o Nordeste, o Norte de Minas, as grandes favelas dos grandes centros urbanos do Brasil” ou “o que tenho a ver com as pessoas esquálidas, muitas sem forças para permanecer de pé, outras a caminhar tontas atrás de um naco de pão, na África Subsaariana

No próximo ano, a igreja no Brasil, pela terceira vez, traz à luz a questão da fome. Seu Tema:” Fraternidade e Fome”. Seu Lema: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16).

Convida-nos, Jesus, à criatividade, no citado texto do Evangelho. É bem verdade que a ciência veio em nosso auxílio. Ao Brasil a Embrapa prestou, e presta relevante serviço,

Porém, nosso problema maior se encontra no coração, incapaz de realmente se sensibilizar diante da trágica situação de dezenas de pessoas do Brasil mal alimentadas. Pior que o solo árido é o coração insensível diante do clamor dos famintos. Na nossa insensibilidade, acalmamos a alma com um pensamento perverso, aplicando a teoria darwiniana a essa questão social: “Os pobres vivem na miséria porque não trabalham, são preguiçosos, são inaptos para vencer os desafios da vida. Se os mais aptos é que sobrevivem, e essa é uma lei natural, fazer o que? Deixem que eles morram à mingua, são imprestáveis e grande peso para a nação. Discurso semelhante acendeu o ódio e gerou o maior conflito no século passado.

Aqui recordo pensamento de um cristão convertido e renomado intelectual: “Não existem pessoas comuns. Você nunca conversou com um simples mortal (…) Com os imortais é que fazemos piada, trabalhamos e nos casamos” (C S Lewis). Ao ver uma família desejosa do pão de cada dia, lembre-se, você tem diante de si um imortal, alguém muito especial necessitado de um olhar fraterno e caridoso.

Lembre-se: no trem, no navio, no avião da humanidade não existe segunda classe, todos, sem exceção, somos da primeira classe. O Pai Celeste não imprimiu bilhete de segunda para seus filhos, criados à imagem e semelhança do Verbo Divino.

O Menino Jesus, tão festivamente celebrado nas Igrejas e esquecido nas lojas e “shoppings”, encontra-se reclinado numa manjedoura a proclamar o Evangelho da igualdade, da dignidade e da fraternidade humana. Somos filhos no Filho, somos irmãos e temos um único Pai, o Celeste. Então, mãos à obra.  Vamos rezar com o coração, com os lábios e com as mãos a Oração do Senhor: “Pai nosso…. O pão nosso (pão para todos) de cada dia nos dai hoje…

A nossa comum natureza e, muito menos o Evangelho, não nos dão o direito de pisotear o suor, as lágrimas e o sangue de nossos semelhantes, de nossos irmãos e irmãs.

Para os corações sensíveis: “UM FELIZ NATAL!”.

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