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ARTIGO: IDENTIDADE, VOCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE NA VIDA DO CATEQUISTA, POR DIÁCONO RAFAEL DE MELO VIEIRA E SANDRA FERREIRA CARRIJO DA SILVA

“A vocação do catequista é a realização da sua vida batismal e crismal, na qual, mergulhado em Jesus Cristo, participa da missão profética: proclamar o Reino de Deus. Integrado na comunidade eclesial e enviado por ela, conhece a sua realidade e aspirações, sabe utilizar a pedagogia adequada, animar e coordenar com a participação de todos” (DNC 173).

Chamados a exercerem cotidianamente a vocação cristã, os catequistas, inseridos no mundo, se apresentam como protagonistas do anúncio salvífico de Jesus Cristo. Escolhidos e guiados pela ação do Espírito Santo, são chamados de mestres ou mistagogos, sinais proféticos e ministerial da missão evangelizadora da Igreja, canais transmissores dos conteúdos da fé e dos processos educativos da Iniciação à Vida Cristã (DC 110).

Tais princípios, decorrentes do processo formativo para os catequistas, só são possíveis de serem realizados na prática cristã, na abertura ao Espírito e à formação permanente. Capacitados e instruídos a serem testemunhas da fé e guardiões da memória de Deus, devem, primeiramente, identificar-se ao chamado e às exigências que dele decorrem.

Colocando-se à disposição para servir a comunidade, os catequistas, prontamente entregues a esta missão, concretiza no interior de seus corações e dos fiéis a graça do amor de Cristo.

Ao ocuparem um lugar significativo e indispensável no desenvolvimento da fé, eles são vistos como sinais da esperança, do otimismo, geradores de filhos de Deus para a Igreja, homens e mulheres que nos ajudam a responder a exigências e dificuldades dos tempos atuais.

Ao desenvolverem seus trabalhos, bonitos e exigentes, procuram realizar ações que auxiliam os fiéis no crescimento humano e cristão na e para a Igreja. Em suas atividades cotidianas, vê-se brotar um crescimento interior e exterior, um amadurecimento da fé, um trabalho apaixonante, uma santidade, não somente para os cristãos, orientados a seguirem os passos de Jesus, mas também para cada catequista, vocacionado a esta missão.

Dispostos a seguirem os passos do Mestre, servo e humilde catequista, a comunidade vê os catequistas como referências ao trabalho em prol do reino de  Deus. São mestres que ensinam, que vivenciam a oração cristã, que não centram a fé em si mesmos. Cada catequista assume a espiritualidade como estilo de vida, visível no seu jeito de ser e viver as coisas divinas, seja na Igreja, na família, na natureza, na sociedade e no mundo.

A espiritualidade do catequista é algo que está intrinsicamente ligada ao interior. Está no modo de ser, viver, falar e agir. Toda sua vida está centrada no amor Trindade. Uma ação que os impulsiona a fazer o bem e a transformar o que precisa ser transformado, sempre com alegria. É compromisso, comprometimento com o próximo.

Catequizar não é transmitir uma experiência intelectual, mas experiencial, de um encontro amoroso com Deus/Jesus Cristo, que transforma radicalmente a vida daquele que crê. Os catequistas não buscam fazer catequese, mas ser, com Jesus, canais que possibilitam os catequizandos a conhecerem Jesus e praticar seu discipulado.

Atentos aos sinais dos tempos, agem conforme as orientações da Igreja, da Sagrada Escritura e do Magistério. Em seus itinerários formativos, os catequistas, ao aproximarem do Ministério, procuram aprofundar seus conhecimentos na História da Salvação, da Igreja, dos núcleos essenciais da fé cristã, ou seja, o Símbolo da fé, Liturgia, Sacramentos e Moral Cristã. Devem, além disso, possuir um conhecimento geral da Teologia, do Pluralismo Religioso, das ciências humanas, da Doutrina Social da Igreja e da Comunicação (AtM 8)

Em uma análise pedagógica, os catequistas são considerados como educadores daqueles que a Igreja lhes confiou, facilitadores respeitosos para a experiência da fé de seus interlocutores. Por essa razão, o Diretório para a Catequese (DC 135) prevê alguns critérios formativos em que os catequistas devem aprofundar-se cotidianamente, são eles:

  • Espiritualidade missionária e evangelizadora: ao longo do processo formativo, os catequistas devem considerar em seus trabalhos pastorais a perspectiva missionária, discipular, sempre a partir da experiência de Deus, que os enviam a ajudar e a estar com os irmãos.
  • Catequese como formação integral: trata-se de orientar os catequistas a desenvolverem tarefas de iniciação, de educação e de ensinamento. Devem ser educadores, mestres e testemunhas do amor de Deus, sempre na perspectiva catecumenal.
  • Estilo de acompanhamento: os catequistas devem ser acompanhados para que não se percam frente aos desafios da vida. Devem possuir a disposição de serem tocados pelas situações cotidianas das pessoas, sempre com um olhar de compaixão. São preparados a viverem a humildade, proximidade, acolhimento e a gratuidade para caminhar junto com os outros, escutando e apresentando a Palavra de Deus.
  • Coerência entre os estilos formativos: o processo formativo deve possuir duas vertentes – a pedagogia global e a pedagogia própria do catequista. Os conteúdos da catequese não são improvisados, mas elaborados à luz da Palavra com um olhar na realidade.
  • Perspectiva da docilibitas e da autoformação: os catequistas são formados para amadurecer, para se deixar tocar pela graça divina numa atitude serena e positiva em relação à realidade. Cada um precisa autoformar-se, fazer o seu próprio caminho formativo, espiritual e eclesial, de modo a desempenhar/aplicar seus dons junto aos outros catequistas, pois é fonte de aprendizagem a convivência com o grupo.
  • Dinâmica laboratório no contexto do grupo: a fé que se aprende fazendo em grupo, praticando, valorizando sempre a experiência vivida e as contribuições de cada membro.

Após esse período formativo, os catequistas precisam atentar-se ao modo de como transmitir a mensagem cristã. São eles: caráter sintético e querigmático – que os elementos da fé sejam apresentados e correlacionados com a experiência humana (fé e vida); abeirar-se da narrativa bíblica – deixar que as palavras sejam sentidas e vividas por cada fiel; adquirir um estilo de catequese nos conteúdos teológicos – considerar as condições de vida das pessoas; um conhecimento apologético – evidenciar as verdades da sua fé/religião (DC 145).

Devem, além disso, possuir algumas aptidões: capacidade de liberdade interior, dedicação e coerência com o seu testemunho; competência/habilidade na comunicação e narrativa da fé; mentalidade educativa – adquirir relações, orientar dinâmicas, incentivar processos de aprendizagem; relações educacionais afetivas; capacidade de elaborar um itinerário de fé, criativa, lúdica e vivencial (utilizando, quando possível, os meios digitais, redes sociais, novas tecnologias).

Dada a sua importância desafiadora para a missão da Igreja, é desejável que a catequese seja uma tarefa irrenunciável, sempre fortalecida, valorizada e renovada. Portanto, todas as formações devem garantir um amplo caminho de sensibilidade, criatividade e experiências pastorais. Os catequistas desejam e merecem meios adequados de aprofundamento em todos os aspectos do âmbito catequético, teológico e missionário, uma vez que a catequese e a formação dos fiéis não se improvisam.

 

BIBLIOGRAFIA

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Diretório Nacional para Catequese. Brasília, Edições CNBB, 2006.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar Discípulos Missionários. Edições CNBB, 2017.

Conselho Episcopal Latino-Americano. Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Aparecida, Edições CNBB. 13-31 de maio de 2007.

Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Diretório para a Catequese. Brasília, Edições CNBB, 2020.

Papa Francisco, Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Antiquum Ministerium: pela qual se institui o Ministério de Catequista. Edições CNBB, 2021.

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