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Artigo: Nada sem o Bispo, por Dom Paulo Francisco Machado

Nada sem o bispo

Dom Paulo Francisco Machado

Santo Inácio de Antioquia, no início do segundo século de nossa era, assim escrevia aos cristãos de Esmirna: “Segui ao bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai (…). Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa alguma concernente à Igreja (…). A comunidade se reúne onde estiver o bispo e onde está Jesus está a Igreja”. Portanto, na Igreja Particular o bispo, em comunhão com o papa, é referência para a vida diocesana. Nesses dias tão desafiadores, quando algumas pessoas assumem um magistério paralelo na Igreja de Jesus Cristo, penso ser de utilidade o artigo que faço chegar aos pacientes leitores.

Fiz questão de iniciá-lo com essa elucidativa afirmação de um dos mais conhecidos e muitas vezes citado Padres da era apostólica. Penso que vale a pena recordar seu precioso ensinamento, que gostaria de confirmar mediante um testemunho pessoal de uma experiência, quando ainda era membro do clero petropolitano.

É sempre constrangedor falar ou escrever de si mesmo, especialmente quando se trata de alguma forma de elogio, mas pautando-me em São Paulo, que sendo um santo apóstolo, em seu profundo zelo pelas ovelhas de seu Senhor, falou até com um certo orgulho de seus sofrimentos, suas cadeias e tantos padecimentos por causa do Evangelho.

O que me faz apresentar uma experiência pessoal é o desejo de iluminar a muitos cristãos que, através dos meios de comunicação, têm sua fé solapada por comunicadores auto apresentados como mestres nos artigos da fé e de moral, desqualificando o magistério vivo da Igreja. Esse magistério espúrio não acolhe na obediência da fé o ensinamento do papa e dos bispos unidos ao Santo Padre. Aquele é o sucessor de Pedro, esses, de acordo com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, os sucessores dos apóstolos.

Posto isso, encho-me de coragem. Passemos aos fatos.

Eu era padre ainda jovem, pároco de São Pedro de Alcântara com sua bela matriz, a catedral diocesana, e mais quatro capelas. Certo dia, uma religiosa me falou da Pastoral da Criança, isso nos idos de 1987-1988, quando ainda era incipiente a citada pastoral. Encantei-me com a proposta, pois estudante ainda de Filosofia, veio-me à mente as preciosas aulas de Psicologia ministradas por Frei Ademar com muita sabedoria. Ele afirmava da necessidade de se investir tudo na educação das crianças nos primeiros sete anos de vida.

No meu entusiasmo, logo adquiri um barraco no meio de uma favela para ser o centro de apoio da nova Pastoral, onde se guardava uma balança e todos os apetrechos para fazer as misturas destinadas ao enriquecimento alimentar de crianças subnutridas. O resultado foi desolador. Meu sonho de jovem padre foi pulverizado.

Passados poucos anos, o bispo diocesano propôs a Pastoral para toda Diocese. Só então, a Pastoral da Criança foi implantada com êxito.

Aprendi a lição: “Nada se faça sem o bispo”. Certo dia, apareceu-me um casal para apresentar-me as “Oficinas de Oração e Vida”, do Frei Ignácio Larrañaga. Dessa vez, depois de recolher e estudar alguma bibliografia, fui ao encontro do meu bispo para pedir a permissão e sua bênção no intuito de implantar as “Oficinas de Oração e Vida” na paróquia que servia. Não me alongo, deu tudo certo. Em pouco tempo a iniciativa se espalhava pelas paróquias.

Para mim, ficou mais que claro que a Igreja é guiada pelo Espírito Santo, mas tem uma estrutura visível a ser respeitada. Desse modo, assim me expresso: Tudo começa pela ação do Espírito Santo, mas compete à hierarquia da Igreja dar o seu “Placet” e a sua benção. Do Evangelho, segundo Lucas, soam aos nossos ouvidos as palavras solenes do Senhor: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza”.

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