Destaque Palavra do Bispo

Campanha da Fraternidade 2020 (I), por Dom Paulo Francisco Machado

Campanha da Fraternidade 2020 (I)
Por Dom Paulo Francisco Machado 
Bispo de Uberlândia 

Como ocorre todos os anos desde 1965, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade por ocasião da Quaresma. Neste ano de 2020 foi proposto o Tema: “ Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e, o Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Neste tempo da Quaresma, que se abre com a quarta-feira de Cinzas, a Igreja nos convida a tomar a bela parábola do Bom Samaritano, apresentada por Jesus para dar resposta à pergunta: “Quem é o meu próximo? ” Recordemos: um homem foi assaltado e deixado ferido, quase morto, no caminho. Dois passantes insensíveis não deram atenção ao caído, enquanto, passa também um samaritano que “viu, compadeceu-se e cuidou dele” (Lc10,33-34).

Sem levar em conta uma antiga e bela interpretação a afirmar que é o próprio Jesus este bom Samaritano que nos curou com o seu sangue, ofertou no alto da cruz o sacrifício da nossa redenção, e lavou-nos com a água do seu Espirito, tornando-nos novas criaturas. Tomaremos sim, para nossa reflexão e vivência da CF 2020, os três verbos encontrados no texto da parábola: “ Viu, compadeceu-se e cuidou dele”.

O samaritano “VIU”. Somos convidados, ou até mesmo intimados pelo amor a Cristo e aos irmãos, a ver os feridos de nossa sociedade. Esta é uma tarefa a exigir a extirpação do egoísmo, esta nossa insistência em olhar somente para nós mesmos, este terrível vício – porque não dizer pecado – de tirar Deus e o próximo do centro de nosso coração. O egoísta só vê a si mesmo, faz de si o ídolo diante do qual constantemente se prostra em adoração. E, como bem sabemos, e a Sagrada Escritura nos ensina, todo ídolo tem “olhos, mas não veem” (Ez12,12).

Bem diferente é o verdadeiro Deus, Aquele que começa a reescrever a História, como História da salvação, dirigindo-se a Abraão, convidando-o à grande aventura de constituir um povo. Este por infidelidade é escravizado, mas Deus, por não ser cego, dirá a seu Servo Moisés:  “Eu vieu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos” ( Ex 3,7).

Também Jesus Cristo, Filho Eterno do Pai, ao viver entre nós, com atitudes, ensinou-nos a ver e compadecer-se, em muitas ocasiões, com o sofrimento do ser humano, destacando-se sempre uma profunda sensibilidade para com os pequeninos deste mundo.

Neste tempo, chamados à conversão, abramo-nos à ação do Espirito que quer purificar o nosso olhar, capacitando-nos, pela graça batismal, renovada solenemente na Vigília Pascal, no Sábado Santo, perceber os sofrimentos e angústias dos irmãos e irmãs. A CF 2020 nos estimula a abrir os olhos do coração para. à luz do Espírito, estar atento ao próximo, gerar em nossa alma um sistema de fina sintonia para ver e ouvir as dores e os gemidos de nossos semelhantes.

Neste período da Quaresma, preparemo-nos para deixar o Espírito perscrutar nosso íntimo, para nos tornar mais conscientes de nossos pecados, pois se todos eles têm o selo do egoísmo, do amor a si mesmo que não permite perceber as lágrimas dos irmãos, a graça tem o selo do amor e nos coloca sob a luz do Espirito do Ressuscitado.

Participando com fé e piedade nos mistérios propostos pela Igreja, nesse tempo favorável e vivenciando no nosso dia a dia o que nos pede a Campanha da Fraternidade, o Espírito Santo iluminará nossos olhos para vivemos o mandamento novo: “Que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,34-35).

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