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Catedral Santa Teresinha é um oásis em meio ao caos

Estamos no inverno, mas todos sabem que o inverno aqui no Triângulo Mineiro não passa de um verão um pouco mais ameno. A temperatura está alta e no Centro da cidade a movimentação é grande. O congestionamento do fim de tarde já começa a tomar forma na rua Duque de Caxias e na praça Tubal Vilela. O som das buzinas, dos pneus, dos ambulantes divulgando seus produtos e das vozes das pessoas ao celular se misturam em meio a um pequeno cenário de caos e confusão. De portas abertas para a comunidade, a Catedral Santa Teresinha é como um oásis em meio a esse caos. Ao entrar na igreja parece que mudamos o estado de espírito e nem parece que estamos no coração da cidade.

Catedral Santa Teresinha de Uberlândia é oásis em meio ao caos

O silêncio é quebrado somente pelos passos de quem chega ou sai, por algum suspiro mais prolongado e o soluço de quem tenta conter as lágrimas. Apesar das concorridas missas e dos casamentos sempre com o espaço todo lotado, é no dia a dia que a grandiosidade da Catedral parece ainda maior quando serve de porto seguro para alguém que precisa encontrar a saída para um problema, ou para quem encontra um tempinho para agradecer por alguma graça alcançada.

Não se interrompe ninguém durante uma oração. O nosso entrevistado nos aguarda na secretaria da Catedral. O historiador Ricardo Luiz Nasser é um conhecido estudioso da história da Catedral Santa Teresinha, tanto que os funcionários não pensam duas vezes antes de indicá-lo para falar sobre o prédio. Também não é por menos. “Desde os três anos de idade, eu frequento essa catedral”, afirmou.
Ele volta ao ano de 1846, quando foi construída a primeira capela de Uberlândia em homenagem à Nossa senhora do Carmo e São Sebastião. “Nossa Senhora do Carmo tornou-se a padroeira da cidade e São Sebastião o padroeiro”. A capela, que tornou-se paróquia entre 1857, 1858. “Em 1862, ainda com a paróquia sob responsabilidade de Felisberto Carrijo e seu filho José Joaquim Carrijo, primeiro pároco, foi feita a primeira reforma”, disse o historiador. A primeira igreja de Uberlândia ficava à margem esquerda do rio Uberabinha, depois foi para o lado esquerdo, em terreno pertencente a Felisberto Carrijo. Em 1870, outra pequena reforma. A demolição da Matriz do Carmo foi em 1943.

Catedral Santa Teresinha de Uberlândia é oásis em meio ao caos

Os trabalhos para angariar fundos para a construção da Catedral Santa Teresinha começou em 1920, com o padre João Dantas de Melo. Em setembro daquele ano, disse ele conseguiu arrecadar fundos com a venda dos terrenos da Matriz do Carmo. Em 1926, deu-se início aos esforços para a construção da Catedral com uma comissão criada pelo cônego Albino Figueiredo Martins de Miranda. Em 1928, foi adquirido o terreno na então rua Visconde de Ouro Preto, hoje, Duque de Caxias.

Pedra fundamental

A pedra fundamental da Catedral Santa Teresinha foi lançada em 1933 com a bênção do bispo diocesano de Uberaba, Dom Frei Luiz Maria de Santa´Anna.

Doente, o cônego albino deixou o Brasil e voltou para Portugal, em 1938, e quem assumiu seu lugar foi o cônego Eduardo Antônio dos Santos, posteriormente nomeado Monsenhor Eduardo. Em 1941, no dia 25 de dezembro, foi feita a transferência e inauguração da nova Matriz com o vigário Cônego Eduardo Antônio dos Santos.

“Em 1942, a pedido de Monsenhor Eduardo, trocou-se a padroeira da igreja Matriz, que deixou de ser Nossa Senhora do Carmo (que continuou como padroeira da cidade) e passou a ser Santa Teresinha”, disse Nasser.

A mudança para Catedral aconteceu em 1961, em 22 de julho, com a vinda do primeiro bispo, Dom Almir Marques Ferreira e a criação da Diocese de Uberlândia. “A participação popular nas celebrações era grande, a devoção do povo era maior”, afirmou Nasser.

“Memórias da fé”

Ricardo Luiz Nasser tem 64 anos e sua devoção à Catedral Santa Teresinha vem desde a infância e sua curiosidade pela história da primeira igreja de Uberlândia, a Matriz do Carmo, vai virar livro. “Será meu primeiro livro. Quero lançá-lo em 16 de julho de 2018, quando faz 160 anos que a capela do Carmo tornou-se paróquia”, afirmou o historiador e pesquisador que busca pessoas que viveram na época para ajudá-lo a remontar o período. O livro já tem título: “Memórias da Fé”.

Imagens da Via Sacra foram feitas para igreja de Blumenau

O historiador Ricardo Luiz Nasser conhece a origem de todas as obras da Catedral Santa Teresinha e lembra também como foram parar lá. Os vitrais da Via Sacra, do artista Vladimir de Moraes, que estão na igreja desde os anos 70, por exemplo, foram feitos, originalmente, para uma igreja em Blumenau (SC), mas não tiveram a aprovação do padre de lá na época.

Catedral Santa Teresinha de Uberlândia é oásis em meio ao caos

“Os vitrais centrais trazem os nomes das pessoas que fizeram a doação”, disse o historiador, que na hora da foto escolheu a imagem de Santa Teresinha que tem em seus pés a bandeira do Brasil e veio da França.

O órgão de tubo é outra peça que chama a atenção na Catedral. O instrumento foi adquirido com verba levantada em um concerto beneficente realizado em 1955 no Cine Eden.

Curiosidades

Até 1891, quando foi feita a primeira constituição da república, era a igreja que comandava o poder civil. A Matriz do Carmo comandava a parte civil e religiosa do então Arraial de São Pedro do Uberabinha, logo Distrito. Com a proclamação da república, separou-se a lei civil da religiosa e os cartórios foram constituídos tais como são hoje.

O terreno onde está a Catedral Santa Teresinha foi comprado por 30 mil réis, com entrada de 5 mil réis e o restante parcelado.

A Matriz de Santa Teresinha recebeu muitas festas e celebrações. No fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, Monsenhor Eduardo destacou a bravura dos soldados brasileiros, principalmente, os uberlandenses que lutaram na guerra.

Na época da revolução de 1964, o Brasil tinha muitos padres perseguidos pela ditadura, como Monsenhor Antônio Afonso Cunha, que foi obrigado a deixar o altar durante uma missa para conversar com o comandante das forças proteladas em Uberlândia. A reclamação popular foi grande e o então comandante foi exonerado do cargo em Uberlândia.

Em 1959, durante os tumultos do quebra-quebra em Uberlândia, causado pelo aumento do preço do ingresso do cinema, Monsenhor Eduardo deixou as portas da Catedral abertas para quem quisesse rezar.

Fonte: correio de uberlândia online

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