Diocese de Uberlândia Em Destaque

Comissão Diocesana é formada no I Simpósio em Defesa e Promoção da Vida

No final de semana em que a Liturgia da Palavra do 5º Domingo da Páscoa apresentava Jesus Cristo como o “caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,6), a diocese de Uberlândia, com o apoio da Pastoral Familiar, celebrou a Vida em grande estilo.

10344797_10200901471978628_758793090782180076_n

Após meses de trabalho e divulgação junto às Paróquias, ao Clero e nos meios de comunicação disponíveis da Igreja Particular, ocorreu na Sociedade Médica, à Rua Cesário Alvim, 2, no Centro de Uberlândia, o I Simpósio em Defesa e Promoção da Vida. Na ocasião, foi constituída a Comissão Diocesana de Defesa e Promoção da Vida.

O Simpósio contou com a presença do conferencista Pe. Rafael Fornasier, Assessor Nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF/CNBB), nos dois dias do evento.

351

No sábado (17), pela manhã, Pe. Rafael Fornasier concedeu entrevista ao diácono transitório e âncora do Programa ELODAFE, veiculado pela Rádio América aos sábados das 11 às 12h. Com vasta experiência em assessorias, Pe. Rafael foi um dos responsáveis pela síntese nacional do Questionário que o Vaticano enviou às dioceses de todo o mundo em preparação ao Sínodo da Família que ocorrerá no Vaticano no próximo ano.

Com o tema “a sacralidade da vida” e o lema “antes de formar você no ventre de sua mãe, eu o conheci; antes que você fosse dado à luz eu o consagrei, para fazer de você profeta das nações” (Jr 1, 5), o Simpósio foi oficialmente aberto às 14h30.

Responsáveis pelas boas-vindas aos participantes, o casal coordenador da Pastoral Familiar Diocesana, Sr. Cláudio Rodrigues e Sra. Maria do Rosário, acolheram os presentes ressaltando a importância de um encontro como esse, especialmente num momento social tão importante para a família: “nós da Pastoral Familiar nos sentimos honrados e agradecidos a Deus por esta oportunidade”.

O bispo diocesano, Dom Paulo Francisco Machado, por sua vez, abriu oficialmente o I Simpósio em Defesa e Promoção da  Vida ressaltando a dinâmica vivaz do Espírito de Deus que, “assim como inspira os fiéis e aqueles que se deixam interpelar por eles, motiva-nos a sermos promotores e defensores da vida a exemplo do Cristo que é vivo”. Em seguida, todos rezaram a oração pela vida.

[box]

ORAÇÃO PELA VIDA

Nós vos louvamos Senhor, Deus da Vida.
Bendito sejais, porque nos criastes por amor.
Vossas mãos nos modelaram desde o ventre materno.
Nós vos agradecemos pelos nossos pais, famílias
e todas as pessoas que cuidam da vida humana desde o seu início até o fim.
Em Vós somos, vivemos e existimos.
Abençoai todos e todas que zelam pela vida humana e a promovem.
Abençoai as gestantes e todos os profissionais da saúde.
Dai às pessoas e às famílias o pão de cada dia, a luz da fé e o amor fraterno.
Nossa Senhora Aparecida, intercedei por nossos nascituros,
nossas crianças, nossos jovens, nossos adultos e nossos idosos,
para que tenham vida plena em Jesus,
que ofereceu sua vida em favor de todos.
Amém!

[/box]

Ainda nos protocolos iniciais, deu-se a constituição da Comissão Diocesana com a convocação dos agentes. O termo de posse foi lido pelo mestre de cerimônias, Diácono Claudemar Silva, e, posteriormente, o termo foi assinado pelos membros da Comissão.

Em sua primeira palestra, Pe. Rafael Fornasier salientou o dado fundamental da vocação humana no cuidado com a vida, usando como fundamentação bíblica o texto do Evangelho de João, 10,10: “eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), o número 5, especificamente, que evidencia, sobretudo, a urgência da Igreja no serviço à vida plena para Todos. Pe. Rafael abordou diversas situações que tocam as várias fases de uma realidade familiar, contemplando desde a esfera nascente até o término de vida, além de temas como a violência, as drogas, e a falta de compromisso de uns para com os outros: “o desafio para nós cristãos é acreditar no outro como sacramento para a nossa salvação, isto é, que me ajuda a crescer”, afirmou.

Ainda na primeira palestra, o conferencista comentou temas como a “cultura do encontro”, alusão à mensagem do papa Francisco para o dia mundial das comunicações, no ano passado; a “ecologia humana”, tema presente em muitos dos discursos do papa João Paulo II, e o tema espinhoso da parcela da Política que se rende à Economia, “muitas vezes em detrimento das necessidades humanas, deixando entrever a dificuldade em ordenar a Economia para o bem comum”, denunciou.

358

Ao término de sua conferência, o assessor da CNBB convocou os participantes a serem cuidadores da vida, esteja ela em que estágio estiver: “cuidar de um pai, de uma mãe ou de um parente na cama nem sempre dá prazer, mas é uma questão de doação”, afirmou, “a família tem a ver com os seus membros desde o nascimento até a morte. (…) Hoje se fala muito do amor como sentimento, mas pouco como doação. O papel da família é determinante e insubstituível no cuidado e manutenção da vida. O papel do Estado é dar condições para que a Família cumpra com o papel que é dela, não substitui-lo”, criticando o hedonismo e o individualismo tão presentes na sociedade contemporânea.

Em sua segunda palestra e última do sábado, Pe. Rafael Fornasier esclareceu para os membros da Comissão Diocesana em Defesa e Promoção da Vida, bem como aos demais participantes do I Simpósio, acerca da finalidade de uma Comissão como essa: “Ela deve ser uma proposta de plano de pastoral de ação, com eixos muito bem definidos, tais como: espiritual, educativo, serviço de cuidado pastoral, entre outros. É um auxílio para o clero, o sr. bispo e toda a diocese. Questões atuais como aborto, controle de natalidade, métodos contraceptivos, contracepção de urgência, reprodução assistida, pesquisas com células tronco, homossexualidade (união civil x matrimônio), prostituição, Eutanásia, Ortotanásia, tráfico de pessoas, tráfico de órgãos, objeção de consciência (o direito de recorrer a objeção de consciência), entre outros serão as pautas de vocês”, informou.

[box type=”tip”]

Membros da Comissão em Defesa e Promoção da Vida

Cristiane de Fatima Pereira – Médica Veterinária
Cristina Guimarães Arantes Araujo – Médica Pediatra
Darcy Borges da Cunha – Esteticista
Denyele Carvalho Zanata – Fisioterapeuta
Edson Euzébio da Silva – Filósofo
Eduarda Maria de Melo Ferreira – Pedagoga
José Alfredo Borges da Cunha – Médico Pediatra
Leandro Gabriel Gomes Zanata – Publicitário
Maria do Rosário Silva – Pedagoga/ Acadêmica em Teologia
Mariana Matias – Biomédica
Pe. Joéds Andrade de Castro – Presbítero Diocesano

[/box]

No domingo (18), segundo e último dia do Simpósio, as atividades tiveram início às 08h com a celebração eucarística no auditório da Sociedade Médica, local das palestras, presidida pelo Diretor Espiritual da Comissão Diocesana de Defesa e Promoção da Vida, Pe. Joéds Castro, e co-presidida pelo conferencista convidado, Pe. Rafael Fornasier, assistidos pelo Diácono Claudemar Silva, diretor do CCD (Centro de Comunicação Diocesano).

401

Em sua homilia, Pe. Joéds Castro evidenciou as leituras do dia, sobretudo o Evangelho (Jo 14, 1-12), com ênfase na afirmativa de Jesus: “eu sou o caminho, a verdade e a vida”, e comentou: “para fazer esta descoberta, como fizeram os discípulos, precisamos nos tornar íntimos dEle como eles foram”, garantiu. Segundo o Diretor Espiritual, nós também muitas vezes temos a “mesma desculpa de Tomé, nosso gêmeo: ‘ah, Jesus, eu não sei o caminho. Não sei como e o que fazer…”, denunciando uma certa apatia nos cristãos atuais que se deixa tomar por uma certa indiferença frente às necessidades prementes da vida.

Concluída a celebração, após o café da manhã, reuniram-se em debate os convidados para a mesa redonda: “a sacralidade da vida sob três olhares: teológico, filosófico e científico”, os professores Mário Alves e Gilzane Naves, ambos mestres da Pontifícia Universidade Católica de Uberlândia (PUC-Uberlândia), e o conferencista do Simpósio, Pe. Rafael Fornasier.

428

Em seu discurso, Prof. Mário Alves iniciou abordando o tema do mito e sua importância para se compreender a vida e suas várias nuances. Com abordagem genuinamente filosófica, Mário Alves evocou os gregos e os indígenas, especialmente: “a vida é de origem divina, vem dos deuses. Desde os gregos tenta-se apresentá-la como ‘algo que vem de fora’”, esclareceu. ”A vida é sagrada; intocável. Qualquer tentativa contra a vida seria logo refutável. (…) Eu não tenho o direito de tirar a vida por qualquer motivo, e a vida humana por motivo nenhum. (…) O sagrado nos criou para uma vida sagrada”, finalizou.

Prof. Gilzane Naves, por sua vez, falando a partir da visão científica, salientou que “a ciência concebe a vida e a entende como algo absoluto. E, por conta disso, faz um esforço fascinante. Tenta compreendê-la ao mesmo tempo em que se procura destiná-la ao campo humano, unicamente. (…) Quem faz ciência é o humano. O humano faz ciência por que ele tem medo da morte. (…) a vida tem limites. A vida vale a pena ser vivida até quando? Alguns utilitaristas dizem que até que seja plausível, isto é, até que a pessoa possa usar de sua autonomia. Outros dirão, até quando formos produtivos. (…) A modernidade pôs uma necessidade tremenda ao homem, especialmente no campo do trabalho, que nos tornou unicamente servis. Até mesmo a educação está voltada para o trabalho e não para a vida”, ressaltou. “Será que a qualidade de vida deve se sobrepor sobre a sacralidade da vida? Não deveria, antes, nos propor os cuidados até os últimos instantes? E reafirmar a vida não mais como algo absoluto, mas como algo fundamental? Ela se encerra aqui? Qual o limite da vida? Vale tudo para manter esta vida biológica?”, questionou, passando a palavra para o terceiro e último convidado.

Pe. Rafael Fornasier, a quem coube abordar a perspectiva teológica, revisitou os textos judaico-cristãos, sobretudo os das Gênesis dos mitos judaicos, perpassando ainda pela teologia moderna e pelo magistério da Igreja.

“A Revelação de Deus ao Povo de Israel e depois, em Jesus Cristo, a nós, é uma responsabilidade e não um privilégio. (…) A vida do homem é a glória de Deus: Kadosh: aquilo que é intocável, colocado à parte. (…) Somos guardiões da sacralidade da vida: nossa, do outro, da criação e de tudo o que é criado. (…) Dentro do dinamismo da vida nós também nos deparamos com o mistério da morte, mas que sempre dá vida novamente. O mistério da morte traz o mistério da vida, novamente. O mal odor da morte não apaga o bom odor da vida”, evocando a imagem do Ressuscitado que mostra seu lado aberto e as marcas dos pregos.

O I Simpósio em Defesa e Promoção da Vida foi concluído às 12h, sob o aplauso e a gratidão dos agentes de pastorais e movimentos presentes nos dois dias de encontro. Convocados e formados, espera-se que todos sentindo-se motivados e entusiasmados possam se tornar multiplicadores do conhecimento e da missão que cada um recebeu desde o batismo, e agora conscientemente assumido, pois, o tema da vida está na ordem do dia mesmo para aqueles que não a tem em conta. E é justamente aí que se descortina a grande missão dessa Comissão Diocesana: anunciar que, “aquele que crê em mim, ainda que morto, viverá” (Jo 11,6), garantiu-nos o Vivente do Pai.

[box type=”note”]

O que é CDDPV Comissão Diocesana e Defesa e Promoção da Vida?

Trata-se de uma comissão para a promoção da cultura da vida através da formação e evangelização de agentes, ressaltando constantemente a importância do resgate dos valores éticos e cristãos que se refletem na estrutura familiar e na vida humana, desde a concepção até o seu termo natural.

MISSÃO

Promover a cultura da vida e a denúncia da cultura da morte e, assim, agir em defesa do ser humano, ressaltando o valor do direito primário e fundamental à vida e à dignidade como pessoa que, dotada de uma alma espiritual e de responsabilidade moral, é chamada à comunhão beatífica com Deus.

OBJETIVO

Proporcionar uma adequada e exaustiva evangelização dos agentes, para que, educados nas leis de Deus, possam ser promotores da vida em todos os segmentos da sociedade, independente de raça, cor, credo, religião e situação social.
Os membros da CDDPV, sempre em espírito de pastoral de conjunto, devem atuar junto às diversas pastorais / movimentos, especialmente a pastoral familiar, da saúde e também ao setor juventude (com seus diversos movimentos e grupos de jovens, música, crisma, etc.). Obviamente tal trabalho não exime nenhuma outra pastoral, pois a todas quer atingir, levando o esclarecimento de temas ligados à vida. Por fim, a CDDPV deseja auxiliar na solução e na interação dos mais diversos casos ligados à defesa da vida, em qualquer instância, sempre movidos pelo espírito do Evangelho de Jesus Cristo.

[/box]

________________________________

Para conferir outras fotos do I Simpósio em Defesa da Vida, acesse nossa fanpage: www.facebook.com/elodafe.com

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!