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Cristão, por Dom Paulo Francisco Machado

Cristão

Por Dom Paulo Francisco
Bispo Diocesano de Uberlândia 

Foi em Antioquia que, segundo At 11,26, os discípulos de Cristo receberam o título de cristãos. Mas, cristão não é só um nome, uma alcunha que erradamente os pagãos deram aos seguidores de Jesus, uma certidão que guardam ciosamente numa pasta ou carregam no peito à maneira de um crachá, como se fossem funcionários de uma grande empresa, mas, uma realidade misteriosa, fruto da misericórdia e graça de Deus concedida aos que creem em Cristo, e que foram batizados. Cristão é aquela pessoa que, iluminada pela fé em Jesus morto e ressuscitado, e, ao receber o sacramento, inundada pelo Espirito de Cristo, inicia um caminho de seguimento de Jesus, e num crescendo, só termina na Eternidade, no fim dos tempos, quando Deus será tudo em todos (1 Cor15,28).

Ao tomarmos consciência de nossa vida cristã, procuramos saber quem foi Jesus Cristo, seu comportamento, suas atitudes, suas opções, enfim, o seu jeito de encarar a vida. Deveríamos iniciar por meditar continuamente o augusto mistério da Encarnação, sempre a iluminar nossa vida. Jesus é o “Filho do Deus Vivo, o Verbo que se fez carne no seio virginal de Maria. É São Paulo que nos conduz a uma reflexão profunda acerca desse mistério e suas consequências: “Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus, como algo a que se apegar ciosamente, mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl2,6-7). Como dizia famoso bispo norte americano, Fulton Sheen: “O Filho de Deus feito homem foi convidado a entrar no mundo, pela porta de serviço. ” A escolha d’Ele há de ser também a nossa escolha.

Não tem sentido para o cristão, seguidor do Humilhado/Crucificado, buscar desenfreadamente a riqueza, as honrarias humanas, pois, o Filho do homem à diferença das raposas que tem suas tocas, como as aves, os seus ninhos, não tem uma pedra para reclinar a cabeça. Jesus mesmo na parábola do homem rico e solitário, mostra-nos a insensatez de quem só pensa em acumular riquezas: “tolo, nessa mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulastes, de quem serão” (Lc 12,20).

Contemplando o Humilhado, que sentido tem a busca de poder, uma vez que o Todo Poderoso, Aquele a quem o vento e o mar obedeceram, fez do madeiro da cruz o seu glorioso trono. Mais ainda, mostrou-nos que todo poder é para ser exercido como serviço, ao inclinar-se na última ceia diante de sua criatura, para levar-lhe os pés (Jo 13).

Não tem sentido toda esta sofreguidão na busca de prazeres, tanta vezes desonestos a comprometer a saúde e desonrar nossos corpos pois, como dizia o grande apóstolo Paulo: “Passa a figura deste mundo” (1 Cor,7,31).

O cristão, como seguidor de Cristo, Caminho, Verdade e Vida é sempre chamado a procurar no túmulo o corpo do seu Senhor e, para seu espanto, deparar-se com o túmulo vazio, quando terá a graça de ouvir o seu nome – como ocorreu com Maria Madalena – prostrar-se e, cheio de alegria dizer “Rabboni” (Jo 20,16). Ou ainda, deixar-se acompanhar por um Forasteiro que lhe explique as Escrituras, convidá-Lo para a ceia, ‘pois a noite se aproxima’, ter as pesadas cortinas dos olhos descerradas para encontrá-Lo na Eucaristia, força e energia para viver e dinamismo para anunciá-Lo a todas as gentes.

Agora pergunto: “Por que vale a pena ser seguidor de Jesus Cristo? – Sim, caro irmão, porque Ele não foi derrotado pela morte, mas a venceu na manhã gloriosa da Páscoa e o senhor, a senhora, seguindo a Cristo dirigem-se à plenitude de vida.

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