Colunistas Destaque

“Descansar é necessário”, por Ariovaldo Afonso – Seminarista

Descansar é necessário!
Ariovaldo Afonso de Oliveira Júnior
Seminarista da Diocese de Uberlândia
Graduando em Teologia pela PUC-Minas

A todo instante somos cobrados sobre o que estamos fazendo na quarentena, se estamos aprendendo algo novo, se lemos algum livro, se assistimos séries, se estamos estudando, trabalhando, praticando exercícios físicos, se aprendemos algo novo, ou seja, precisamos produzir a todo instante. E isto gera angústia, tristeza, sentimento de impotência, etc… É claro que não podemos e nem devemos passar por este período como se não estivéssemos vivendo mais; precisamos, sim, nos exercitarmos fisicamente, estudar, trabalhar, cuidar da casa, das crianças, da família, temos que ler um livro, praticar algum hobby, assistir bons filmes, séries, mas, podemos, precisamos e devemos viver um pouco do ócio. Há quem diga de ócio produtivo, se é produtivo deixa de ser ócio. De acordo com o dicionário ócio é o “espaço de tempo em que se descansa”. É necessário descansarmos, não precisamos produzir a todo momento. A psicóloga que me acompanha sempre me disse que é um tempo justo e necessário, até porque precisamos liberar a mente de tudo aquilo que nos prende. Como é boa a sensação de deitarmos na nossa cama, fecharmos os nossos olhos e não pensarmos em nada, não fazermos nada, é revigorante, fortalecedor. Nos ajuda a recobrar o ânimo, a voltar aos nossos afazeres com mais leveza. Não é pecado descansar, podemos, inclusive. Notemos na narrativa da criação que no sétimo dia Deus descansou (cf. Gn 2, 2).

Precisamos cobrar menos de nós mesmos. As vezes achamos que as pessoas nos cobram demais, mas, na verdade os maiores cobradores somos nós mesmos. Colocamos fardos muito pesados sobre nossos ombros, por vezes acreditamos que não daremos conta, e não damos mesmo. Colocamos metas humanamente impossíveis de serem atingidas, tudo porque queremos ser pessoas melhores que as outras, queremos destaque, queremos reconhecimento do outro. E quase nunca reconhecemos aquilo que fizemos, baseamo-nos apenas na avaliação de outrem.

Você deve estar pensando: nada disso tem sentido para mim, tudo o que está escrito é clichê. Mas já parou para pensar sobre isso? Já imaginou que estamos vivendo em uma sociedade competitiva e desunida, desigual e desamorosa justamente porque pensamos mais sobre nossas produções do que em sermos nós mesmos? Se nada disso fizer sentido para você, parabéns! Eu, realmente, gostaria de aprender como você faz, gostaria de fazer também, infelizmente não consigo, pois, este pensamento está enraizado desde a infância. Na escola os reconhecidos eram os que tinham melhores notas, então eu era cobrado para ter as melhores notas, no trabalho, os que tinham melhores resultados eram premiados, eu queria ser premiado… vejam, desde criança a gente incute o pensamento de que precisamos ser reconhecidos e, quando nos tornamos adultos isso piora muito. O texto de hoje parece estar meio desconexo, não sei, acho que é porque uma coisa levou à outra… Reflitamos. Até logo!

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!