Diocese de Uberlândia Em Destaque

Diocese de Uberlândia comemora hoje 54 anos de existência canônica

No dia da festa litúrgica de Santa Maria Madalena, a apóstola dos apóstolos, há 54 anos, por meio da bula Animorum Societas, do papa João XXIII, dava-se início no Estado das Minas Gerais, a mais nova diocese brasileira: Diocese de Uberlândia.

Antes, pertencente à Diocese de Uberaba, Uberlândia se tornou sede diocesana englobando outros oito (08) municípios, a saber: Araguari, Araporã, Cascalho Rico, Estrela do Sul, Grupiara, Indianópolis, Monte Alegre de Minas e Tupaciguara.

Atualmente, governa a Igreja Particular de Uberlândia, há 7 anos, natural da cidade fluminense de Magé, Dom Paulo Francisco Machado, que tomou posse solenemente no dia 22 de Fevereiro de 2008.

Sob o patrocínio de Santa Teresinha do Menino Jesus, a Igreja Católica em Uberlândia conta com mais de 60 padres, entre seculares – diocesanos – e religiosos, além de congregações do ramo feminino, associações religiosas, leigos e leigas engajados em diversas pastorais e movimentos.

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Para conferir a lista com o nome das 48 Paróquias da Diocese, clique aqui.

Confira abaixo, um artigo a respeito daquela que, na Tradição Cristã ficou conhecida como a “apóstola dos apóstolos”: Maria de Mágdala:

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Era Domingo. Manhã de Páscoa. Os fujões da sexta-feira já tinham se dispersado. Mas não todos. Algumas mulheres foram, pela manhã, ao sepulcro. Entre elas, estava Maria de Mágdala.

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Por que Maria Madalena fora tão cedo ao sepulcro? Talvez, ela quisesse, ainda, chorar a morte de Jesus; derramar suas lágrimas no sepulcro do Mestre. “Vigiá-lo”, espreitá-lo como se fiel a um contrato esponsal: na dor e na alegria, na vida e na morte. Na expectativa de quem sabe vê-lo ainda uma vez, como na cruz, em que chorosa, manteve-se de pé. Ao invés de Jesus, ela viu os anjos.

Na simbólica e na hermenêutica bíblicas, “ver os anjos” é “fato sobrenatural” transmitido ao homem “a partir do céu”, como sendo uma boa-nova que aquele não poderia ter conhecido de modo apenas natural. No Evangelho de João, diferentemente do de Lucas em que há uma compreensão na dimensão humana, é uma resposta não puramente humana: aqui, os céus dão uma satisfação àquela que, tendo acompanhado o amado por grande parte de sua vida terrena, vigilante O espera: “Mulher, por que choras?”, perguntaram-lhe os anjos. O interesse dos anjos não poderia ir além disso. Eles não a conheciam profundamente, embora fossem mensageiros dos céus. Somente aquEle que a fitou profundamente, transfigurando-a em nova criatura, era realmente capaz de se interessar por algo mais: “Mulher, por que choras? Que buscas?”, disse-lhe Jesus.

Atordoada como estava, pela dor e pela tristeza, Maria de Mágdala não reconheceu Jesus. A noite espessa do luto recaíra sobre sua alma. Pensando ser o jardineiro, disse: “Senhor, se tu o tiraste daqui, dize-me onde o deixaste, para que eu o leve” (v. 15). Por que o jardineiro retiraria o corpo de Jesus? Jesus fora colocado ali às pressas; ela tem razão em pensar assim, mas, “para que o leve”? Para onde Madalena gostaria de conduzir o corpo de Jesus? Sentia-o como seu? Teria ela esse direito? Poderia ela ter tamanha pretensão? No nível da narrativa há algo que Maria ainda precisa aprender: efetivamente, naquele sepulcro havia acontecido algo de inédito.

Todavia, ela ainda não era capaz de percebê-lo, tamanho o luto e a tristeza em seu coração. Mas também Jesus Ressuscitado era outro. “Disse-lhe Jesus: Mariâm! Ela foi em sua direção e exclamou, em hebraico: Rabuni!” (v. 16). Jesus a chamou pelo nome em sua língua natal. Ele adentrou em na pátria interior, na “natalidade” dela, ali onde não há dúvidas nem segredos; onde somente a intimidade profunda é capaz de entrar. É o Ressuscitado que com o seu apelo, soberano e amigo, restabelece a relação perdida.

No ponto culminante do encontro entre Jesus e Maria, a narração adquire um tom de humanidade tão terna e tão fascinante que até os anjos desaparecem do cenário.. Madalena, em sobressaltos, exclama: Rabuni! Em outras palavras, ela disse: “meu único Mestre; meu Senhor!”. Neste ínterim, dá-se o encontro de duas humanidades: a de Madalena e a de Jesus.

Maria, após reconhecer o Senhor, entra em uma relação nova com Ele: de Mulher chorosa passa à alegria de quem encontrou desperto o amor de sua alma, tornando-se, a partir de então, anunciadora dessa presença: não mais enlutada pela dor e pela morte, mas transfigurada em nova criatura (cf. 2 Cor 5, 17). Do pesar pela morte e pelo sumiço do corpo, Madalena migra para a alegria contagiante ao ver o Senhor Ressuscitado. Ela não quer deixá-lo mais; não quer perde-lo nunca mais de vista: deseja-o para si. Tenta retê-lo: “não me retenhas, porque ainda não subi4 para junto do meu Pai” (v. 17), adverte-lhe o Ressuscitado.

Jesus, que foi corrigindo este tipo de fé ao longo de todo o Evangelho (lembremos que Jesus desconfia da fé baseada nos sinais: 4, 48; 6, 30; 7, 5), indicará aqui a passagem necessária para uma nova relação: “não me toques”. “Reter” não é o meio de relação pessoal com Jesus depois da exaltação e da passagem para o Pai. Jesus sobe para o Pai e é de Lá que Ele de novo nos vem, inaugurando um novo jeito de nos relacionarmos com Ele e, consequentemente, com Deus. Aqui se purifica uma visão de fé excessivamente arraigada na presença física de Jesus. A visão verdadeira que a fé comporta não é a visão física, mas a que vem com a fé: “se creres, verás a glória de Deus” (11, 40). Após o seu encontro pessoal – pascal – com Jesus, Madalena passa de “simples” seguidora a Apóstola, com o mesmo mandato dos demais apóstolos: “Vai antes dizer aos meus irmãos e anuncia-lhes: subo ao meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (v. 17b). É o próprio Jesus quem comunica a mensagem pascal. Do contrário, é impossível passar da visão material, terrena, à visão da fé.

Maria Madalena é enviada a transmitir a mensagem aos discípulos que costumavam chamar Jesus de “mestre”. A alegre mensagem pascal que Maria deve transmitir aos “irmãos de Jesus” consiste na fundação de uma “nova comunidade escatológica de Deus”, mediante a volta de Jesus para o Pai. João usa o verbo angéllein, ángeloi (v.12), associando Maria aos mensageiros. A mensagem que se esperava deles é proclamada por Maria de Mágdala, primeira mensageira da nova comunidade. Largando o “aparecente”, Maria anuncia agora que viu o Kýrios, dando ao termo a mesma força do nome de Deus no AT (cf. Ex 3, 14): “Aquele que está aí, o “Disponível”, o “Responsável”, o “Atento”; o “Presente”!

Embasadas na fala dos anjos (revelação), é que as mulheres, dentre elas Maria de Mágdala, tomadas pelo torpor sagrado (alegria e assombro), vão imediatamente aos discípulos comunicar-lhes o fato: “retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o deixaram” (20, 2). O Sepulcro, longe de denotar uma prova da Ressurreição é, antes, um convite: a ir aos “seus irmãos” e comunicar-lhes “a boa-nova”, ainda que não totalmente compreendida. Preso a ausência que o vazio sepulcral afirma, ele, o sepulcro, só pode distrair. Jesus não se encontra ali. É no seio da comunidade, na reunião dos seus, que o Ressuscitado se faz presente e deseja, sobretudo, ser encontrado.

Ao deparar-se com o Vivente, Maria de Mágdala testemunha que Aquele que vive, vive agora uma vida plenamente nova, inteiramente outra, pois fora arrancado do poder da morte pelas mãos do Pai e já não morre mais. Jesus é, de agora em diante, o Vivo, aquele que ascendeu à vida, exatamente àquela vida plena que é a de Deus (Zoé). Ao pronunciar seu “Rabuni”, mais adiante, auxiliada pelo Senhor, Maria de Mágdala faz a passagem de uma relação antiga, meramente humana, para uma relação totalmente nova, expressando aos discípulos o seu Credo: “Eu vi o Senhor”, o Kyrios, Kurios, que depois também passará a ser o deles: também nós “vimos o Senhor” (cf. Jo 20, 25).

Madalena, ou como preferimos nomeá-la, Maria de Mágdala, continua sendo o protótipo mais exemplar daquele (a) que se torna discípulo (a) após o seu encontro pessoal com o Ressuscitado.

Todavia, não basta se autodenominar discípulo, como se fosse condição sine qua non para se colocar nas fileiras do “Caminho”, como eram conhecidos os primeiros cristãos, e o ser de fato. É necessário, antes de tudo, deixar-se conformar ao Mestre divino pelo Espírito Santo, sendo chamado por Ele pelo nome como chamou a “Mariam” (cf. Jo 20, 16), e, por Ele, ser enviado em missão a exemplo da Apóstola dos Apóstolos.

Maria de Mágdala desvelou-nos também uma outra questão [nossa?]: “onde está o meu Senhor? Onde o colocaram”? Não deveria ser também essa a pergunta fundamental do caminhante que, ao longo do caminho (cf. Lc 24, 13 – 35), é também por Ele interpelado: “A quem procurais?” (Cf. Jo 1, 38). Pois, na encruzilhada da vida discipular, assentados à sombra do nosso apostolado, Ele nos propõe aquela mesma questão de Cesaréia, envolta em nossa pessoalidade: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Cf. Mc 8, 29). O que lhe diremos?

O anúncio teofânico exige, todavia, uma comprovação que se dá não no tempo nem no espaço, mas sim, no horeb da nossa existência, visto que, ali, sob o umbral do Gólgota e no silêncio profundo do sepulcro, agora vazio, anunciaremos: “Ele não está aqui!”. Ainda que a visão ante o brilho de Sua Vida pareça nos cegar, constataremos: “Ressuscitou!” (Cf. Lc 24, 6). Eis o ressoar de um anúncio que nos confia uma missão: “vá, antes, aos meus irmãos e anuncia-lhes…” (cf. Jo 20, 17). Somente assim é que poderemos ir, paulatinamente, descobrindo-nos vocacionados, seduzidos e, após este encontro, anunciá-lo com desassombro e intrepidez, convictos de nossa relação nova com Ele, numa ruptura abissal e na transformação da experiência anterior: “não me retenhas, porque ainda não subi para junto do meu Pai” (cf. Jo 20, 17).

E, por fim, despertos do sono dogmático de outrora, visitados por esta força do in-finito em nossas brechas, poderemos ampliar nossos olhares ao sermos vistos pelo olhar do Mestre e com Ele acolher a todos indistintamente, pois, quando não houver mais preteridos e preteridas em nosso meio, sobretudo em nosso meio eclesial, é que seremos respaldados no nosso anúncio a partir da experiência de tê-lo visto por aqui, em nossas vias mais estreitas e por entre nossos escondimentos, Ele, tão livre como fora um dia, sem medo de ser má-afamado, ensinando-nos a não temer o infortúnio, quer da vida quer da morte. Isso deveria de algum modo suscitar em nós uma intensa perturbação interior ao ponto de querermos imitá-lo.

Destarte, firmes na Fé, alegres na Esperança e solícitos na Caridade, após o encontro com esta Vida Ressurreta que nos entusiasma (do grego: en-tu-theos, literalmente “em Deus”), despontar-nos-emos para onde é profícuo e urgente todo anúncio que se faz missionário a fim de que, alegremente, possamos, como Maria de Mágdala, dizer a outros, com a nossa vida feito testemunho, que também nós O vimos: eu vi o Senhor! Ei-lo! Não O vedes?

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Por, Pe. Claudemar Silva

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