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Do monte à planície: peregrinos no mundo

Um dos textos mais belos dos evangelhos é com certeza o texto da transfiguração do Senhor em Lc 9,28-36. Este texto é construído a partir da experiência de alguns discípulos, na confirmação de que toda experiência de Deus se dá a partir da condição daqueles que se entendem a caminho e conscientes do percurso a ser trilhado. Subir a montanha para falar com o Pai e depois descê-la para dialogar com o mundo, constitui, primordialmente, os dois momentos da fé cristã explicitados nas realidades da vida: eis a missão do ser peregrino.

O caminho é sempre o lugar onde se dá o esvaziamento para a fé em Cristo. Por isso o caminho é tão importante na mística cristã. Nele, se efetiva o lugar do aprendizado do discípulo e é, também, o lugar onde o mestre se revela. Para o percorrermos não se faz necessário muitas coisas, mas apenas a coragem para vivermos a Kenosis (o esvaziamento). Considerar a missão como o caminho leva a Igreja, e nela, os nossos jovens, a assumirem a condição de caminhantes, em atitude de provisoriedade na busca do definitivo que é o Reino de Deus. Na caminhada passos constantes precisam ser dados orientados sempre pelo norte de nossas vidas, a saber: “ A fé que recebemos como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para estrada orientando nossos passos no tempo” (Lumen Fidei 4).

Há pouco tempo, mais de três milhões de jovens, subiram a “montanha” convidados pelo Cristo para orar. Como os discípulos, muitos não sabiam que em suas vidas, já modificadas, haveria um convite a uma missão vital. Em várias experiências de encontros na fé, manifestaram-se outros desvelamentos de um Cristo identificado por tantos rostos jovens e solidário às tantas dores e angustias do universo juvenil. Nesta experiência não apenas Pedro , Thiago e João tiveram a confirmação de que Jesus é o filho de Deus vivo, mas também outros discípulos missionários traduziram em alta voz uma resposta para a convocação do Cristo e descendo para as realidades do mundo, na planície, reafirmaram:“eis me aqui Senhor, Envia-me”.

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Muitos já aderiram ao projeto do Reino na paz em Cristo e na defesa da vida. Assumiram a cruz de forma consciente e livre movidos pela misericórdia que brota do Cristo sempre de braços abertos, com o objetivo de buscar inverter a lógica sacrifical de um mundo moderno que estabelece relações idolátricas com deuses impessoais. Um mundo marcado por muitas realidades onde tantos homens e mulheres ainda não compreenderam o profundo gesto de amor do Pai, pelo Filho na ação do Espírito Santo. Eis a missão de cada um, tornar conhecido o Cristo e seu projeto que brota do coração de nosso Pai.

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Pe. Flávio Henrique Barbosa

Assessor Eclesiástico do Setor Juventude

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