Destaque Palavra do Bispo

“Dom Luciano Mendes”, por Dom Paulo Francisco

“Dom Luciano Mendes” 
Por Dom Paulo Francisco 
Bispo de Uberlândia

Muitas e belas histórias de Dom Luciano Mendes já correram o Brasil que retratam a caridade, o especial cuidado e respeito aos pequeninos deste mundo: os pobres, as crianças abandonadas. No conhecimento da Palavra de Deus, especialmente na leitura orante dos Evangelhos, ele foi fazendo suas, as opções de Jesus Cristo.

Luciano Pedro Mendes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro há quase 90 anos, no dia 05 de outubro de 1930, membro de uma família de nobres (conde e marquês). Ingressou na Ordem da Companhia de Jesus, conhecida como jesuíta, doutorou-se na Gregoriana de Roma em Filosofia, foi ordenado padre em 05 de julho de 1958, fazendo votos perpétuos em 15 de agosto de 1964. Aos 02 de maio de 1976, por nomeação de Paulo VI, foi ordenado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Foi secretário Geral da CNBB de 1979 a 1987 e seu presidente de 1987 a 1995. Em abril de 1988 foi nomeado Arcebispo da Diocese de Mariana.

Ao paciente leitor, peço desculpas por narrar fato ocorrido comigo, mas é preciso entender que não sou protagonista dele, e sim, mero coadjuvante. Não narro uma daquelas histórias antológicas ouvidas tantas vezes nos corredores, refeitórios e salas de Itaici, de Aparecida ou de Belo Horizonte. Sabemos que ele onde se encontrasse um pobre, uma pessoa desamparada, nele encontrava um solícito irmão. Mais do que eu, é certo, muitos de meus irmãos bispos mais próximos dele terão tantos fatos muito mais edificantes.

Faço questão de narrar o que aconteceu comigo, porque estou convencido do valor das pequenas coisas como afirmou Jesus Cristo: “até mesmo em copo d’água é moeda, é tíquete para entrar no paraíso” conforme o Evangelho segundo Marcos capítulo nove, versículo quarenta e um. E além disso, o povo, na sua sabedoria, afirma e qualquer pessoa de bom senso entende que: “pelo dedinho se conhece o gigante”. Pois bem, eu vi um dedinho e percebi o gigante.

Mas vamos ao fato. Os bispos do Brasil estavam reunidos em Assembleia, e lá em Itaici, Indaiatuba, São Paulo. Eu era ainda Bispo Auxiliar da amada igreja particular de Juiz de Fora. Num belo e amplo salão de reunião, estavam bem acomodados, mais de trezentos bispos. Estes ficavam assentados em grupos de acordo com o seu Regional da CNBB. Naquela época, Dom Luciano era membro do Regional Leste 2, pois era Arcebispo de Mariana.

Como dizia, estávamos assentados e ao meu lado Dom Luciano. Ele parecia cochilar o tempo todo, não digo que tal cochilo fosse nos braços de morfeu, o deus pagão do sono, mas nos ternos braços de sua mãe, Maria Santíssima, a sua e nossa rainha Mãe. Por vezes, quando se discutia algo sobre algum documento, ele despertava de seu sono, levantava a mão e ia organizando todos os parágrafos numa sequência mais lógica, e, portanto, mais clara e inelegível.

Acabada aquela seção, todos os bispos começaram a se encaminhar para os corredores, onde se encontravam fartas mesas de bons quitutes e um café revigorante. Continuei por algum tempo sentado, a fazer algumas anotações. Dom Luciano Mendes levantou-se e ficou a me esperar. Ao me levantar, ele tomou o meu paletó na cadeira para ajudar-me a vesti-lo e, olha que ele sabia muito bem, como auxiliar um desajeitado bispo a vestir um paletó, parecia ter trabalhado numa luxuosa loja de roupas masculinas.

Isto foi o que se sucedeu, um gesto pequenino, quase invisível e curto, mas reflexo de uma grande alma, de uma especial atenção ao irmão.

E Dom Luciano Mendes? – Ele ainda não tem seu nome inscrito na lista dos santos, não foi canonizado ainda, mas está numa longa listagem, a dos corações de inúmeros brasileiros.

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!