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“Encontrar-se consigo e com o outro”, por Ariovaldo Afonso – Seminarista

“Encontrar-se consigo e com o outro”
Ariovaldo Afonso de Oliveira Júnior
Seminarista da Diocese de Uberlândia
Graduando em Teologia pela PUC-Minas

Desde que iniciamos o período de isolamento social, por ocasião da pandemia do Novo Corona Vírus (COVID-19), estamos precisando nos reinventar a todo instante. Para muitos, não só pela dificuldade financeira pela qual estão passando, o período de isolamento tem sido uma verdadeira penitência. Há quem diga que está vivendo a pior fase de sua vida, não por conta do vírus, mas por conta do distanciamento das pessoas. Acredito que para a grande maioria a dificuldade não é a do distanciamento, mas a do encontro consigo mesmo. Já que não podemos encontrar com as pessoas, ficamos fechados dentro de nossas casas, e a única pessoa com a qual nos encontramos fisicamente é conosco mesmo. A todo instante fugimos de nós mesmos, enchendo nossas agendas, preenchendo as vinte e quatro horas do nosso dia, para que não nos deparemos num encontro íntimo e pessoal. Qual o medo que temos desse encontro? O que carregamos no nosso íntimo? Miséria, tristeza, bondade, alegria, gratidão… Por que tenho medo de me encontrar? O que não posso trazer à tona? Não possuo nenhum conhecimento da área da saúde mental, mas nem é necessário para propor tais questões, basta uma análise superficial do modo com que comportamos na sociedade. A necessidade de expor a todo instante a nossa vida, como se vivêssemos um “mar de rosas”, sendo que a vida é um misto de coisas boas e acontecimentos ruins.

De fato, é muito difícil viver distante das pessoas, ainda mais porque somos seres de relações e, nossas relações agora estão reduzidas à telefonemas, chamadas por videoconferência, cartas (se é que ainda se usam), enfim, nossos relacionamentos estão reduzidos ao mundo virtual. Mas convido a uma reflexão: antes do isolamento social convocado e indicado pelas autoridades de saúde, como estávamos nos relacionando? Era diferente do que estamos vivenciando atualmente? Como me relacionava com meus familiares e amigos? Quando estava em uma reunião de pessoas, realmente estava ali inteiramente, ou apenas de “corpo presente” preocupado em responder as mensagens de pessoas que nem estavam ali? Sem dúvidas, a tecnologia nos ajuda a ir muito mais longe, até se não fosse ela, estaríamos muito mais isolados do que estamos agora, muito mais limitados. Mas como fazemos uso dela no cotidiano de nossas vidas? Por que reclamamos tanto do isolamento se antes poderíamos conviver mas preferíamos viver isolados? Acho que estou colocando muitas questões. Cabe aqui um exame de consciência, não aquele que fazemos para o sacramento da reconciliação onde analisamos os nossos pecados, mas uma revisão da vida.
Por hoje é só, voltarei com outras reflexões…

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