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“Esperança versus expectativa”, por Ariovaldo Afonso – Seminarista

Esperança versus expectativa
por Ariovaldo Afonso de Oliveira Júnior
Seminarista da Diocese de Uberlândia
Graduando em Teologia pela PUC-Minas

Para começar essa reflexão quero trazer aqui os significados de expectativa e de esperança. De acordo com o dicionário Michaelis, (disponível na internet), esperança é: “1. Ato de esperar aquilo que se deseja obter; 2. Expectativa na aquisição de um bem que se deseja; 3. Aquilo que se espera, desejando; 4. A segunda das três virtudes teologais, simbolizada por uma âncora ou pela cor verde (as outras duas são a fé e a caridade)”; e expectativa é: “1. Situação de quem espera um acontecimento em tempo anunciado ou conhecido; 2. Esperança baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas; 3. Estado de quem espera um bem que se deseja e cuja realização se julga provável”. Supostamente, não existe muita diferença no significado de um e de outro termo, porém na prática existe sim, e muita.

É sempre muito comum criarmos expectativas em relação às coisas ou às pessoas, é um fator humano. Muito mais comum, ainda, é o sentimento de decepção que se surge logo após. Até o verbo que acompanha uma e a outra palavra é diferente, cria-se expectativa, tem-se esperança. Criar significa provocar a existência de algo e ter é passar a possuir alguma coisa.

Quando se cria expectativas, conta-se com algo que ainda não aconteceu, mas que já é certo que acontecerá, cria-se um roteiro onde tudo tem que acontecer daquela forma, ou seja, as pessoas e as coisas devem corresponder ao modo que, mentalmente, foi programado. O que sucede, na maioria das vezes, é a frustração, pois mesmo que achemos que temos o controle das pessoas e das coisas, não o temos.

Numa outra via temos a esperança que caminha numa direção diferente da expectativa, onde se espera algo positivo, mas que, também, permite o contrário. Quando se tem esperança em algo ou em alguém, mesmo que não aconteça, dá aquela sensação de tristeza, mas não de frustração. Já existe a consciência de todas as possibilidades acontecerem. Não se tem garantias de que realizar-se-á. A esperança motiva, faz com que sigamos em frente em busca dos nossos objetivos, no impulsiona, ao passo que a expectativa nos bloqueia, cria barreiras, nos empaca e nos faz até perder a fé.

Criar expectativas, portanto, é criar frustrações. Ao invés de se apegar às expectativas seria bom experimentarmos deixar a vida fluir, ter esperança, contribuir para o bom andamento das coisas. Ninguém perde aquilo que não tem, mas pode se surpreender com aquilo que vier. Confiemos na nossa própria capacidade de superar dificuldades e conquistar sonhos. Quem confia em Deus tem esperança na vida, esperança no futuro, pois quando entregamos e confiamos nossa vida e nossos sonhos a Ele, deixamo-nos ser conduzidos por Ele. Deixemos de alimentar expectativa e cultivemos a esperança, pois a esperança atrelada à fé nos ajuda a caminhar e a entender que nem tudo é como a gente pensa que deve ser. Que Deus nos ajude a ter mais fé, cultivar a esperança e praticar a caridade.

- O artigo apresentado é de responsabilidade do autor.

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