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HOMENAGEM AO PADRE JÚLIO CÉZAR SIQUEIRA, POR PADRE JUNIOR VASCONCELOS

Ao eterno Padre Júlio Cézar Siqueira

Querido padrinho, amigo e irmão, Padre Júlio.
Hoje, 20 de junho de 2022, na celebração do seu sétimo dia de falecimento, aos poucos e com muita dificuldade, vamos assimilando sua partida, tão rápida, prematura e, como um sopro de Deus, tão especial e emocionante.
Você foi uma pessoa especial, presente, firme e sobremaneira alegre. Tive a grata satisfação de ser seminarista ao seu lado em inúmeras celebrações, procissões, semanas-santas, formações ao povo de Deus, encontros de casais. Você foi me ensinando os passos para ser um bom padre. Você não vivia somente para si seu ministério, mas o vivia em um presbitério, que há sete dias chorou sua triste partida. Você me ensinou que o bom padre é sempre sensível e como um bom pastor é ouvinte, atencioso, orante, fiel aos sacramentos, assíduo à leitura bíblica, enfim, dedicado ao Reino, tal como você era.
Sempre o vi orando e meditando, estudando a Palavra para bem pregá-la, sempre com muito entusiasmo.
Em 2008, nas vésperas de minha ordenação presbiteral, quando perdi meu pai, você além de me dar todo suporte, ouvir-me, corrigir-me, a fim de eu não desanimar ou desistir, você de maneira simbólica tornou-se meu pai. Um jovem pai, mas um pai. Como padrinho de minha ordenação, você sempre esteve ao meu lado e, eu, sempre me aconselhei com você. Foram seus conselhos que me ajudaram a discernir muitas coisas especiais, sobretudo a decisão de continuar meus estudos em Teologia Bíblica.
Pe. Júlio, como faz falta pensar em você, a dor logo nos invade, e ao mesmo tempo, misteriosamente, por causa de sua conexão com Deus, logo a consolação do Senhor nos vem visitar.
São inúmeras as consolações neste momento: sobretudo sua vida dedicada à Igreja de Uberlândia, que se tornou sua mãe, casa na qual você se tornou um filho fiel e sempre presente, um grande e belo filho. Serviu à Igreja e ao povo de Deus durante 30 anos e seis meses, assumindo todos os dias a vida presbiteral. Foi um pároco zeloso e pastor amigo, chorando com quem chorava, e rindo com quem celebrava a vida. Nunca presenciei um suspiro de cansaço ou reclamando que as coisas estivessem demorando terminar, você nunca reclamou de celebrar várias missas num único domingo.
Pelo contrário, suas missas eram bem celebradas, confissões bem escutadas, batismos muito ricos em detalhes de atenção às famílias e crianças. Os casamentos eram grandes festas, que os noivos ficavam muito felizes com suas ricas e profundas palavras. As exéquias que celebrava, e você não deixava de ir a uma que lhe chamassem, você esboçava o maior carinho de Deus aos enlutados e feridos pela visita da irmã morte. Das celebrações eucarísticas, das inúmeras e incontáveis que presidiu, seu modo de chegar ao altar revelava um carinho especial com as pessoas que lá estavam, eram abraços e beijos, apertos de mão, e os abraços eram o seu forte, longos e apertados, como de um pai, sempre afetuoso. Cumprimentava todas as pessoas, sabia quem havia faltado domingo passado, quem foi em outra missa, quem tinha viajado ou quem estava doente. Acolhia os peregrinos e tinha uma especial devoção a Nossa Senhora da Abadia, de Romaria, onde ia todos os anos, sempre. E aos doentes, você ia visitar com a unção do óleo santo e com sua presença alegre e encorajadora, com palavras sempre assertivas. Enfim, suas homilias sempre inspiradoras, corrigindo os que precisassem e fortalecendo os que estivessem enfraquecidos.
Hoje, peço a Deus que me conceda esta mesma vitalidade, sua jovialidade. Por ocasião de seus 30 anos de ministério ordenado, você me convidou para fazer a homilia. Eu pensei, o que falar para um homem como este, que eu imensamente admiro? Tratei naquele homilia de sua pessoa, sua origem, seu ministério, seu jeito de conduzir o pastoreio de Cristo que lhe foi confiado, tudo isso à luz da Palavra de Deus. Você a cada ordenação presbiteral que participava chorava de emoção em ver mais um jovem colocando-se a serviço de Deus e da Igreja. Se algum presbítero estivesse triste ou doente você era capaz de antes de criticá-lo ou abandoná-lo o procurava para conversar, você sempre foi um samaritano, que se aproximava de todos os que estivessem caídos e recebia em sua casa todos os que precisassem de você.
Vivemos experiências boas na Pastoral Presbiteral ao seu lado, sempre lembrando seu modo de cuidar dos padres, reuniões bem preparadas, liturgias, lanches, almoços, tanto zelo e amizade, cumplicidade que jamais será esquecida. Muito aprendi com você, meu caro padrinho, padre Júlio. Sua vida jamais será esquecida, seu sorriso, suas palavras enérgicas, quando precisava podar em nós qualquer desajuste, mas seu abraço misericordioso, quando estávamos fracos. Hoje, sentimos muito, imensamente e irreparavelmente sua falta.
Hoje, descubro que o segredo da vida não é viver e lidar apenas com a presença de quem amamos, mas lidar com sua falta. Viver sem sua presença não é tarefa fácil, mas temos vivo e indelével no coração sua maneira de ser, sua forte e notável presença, sobretudo seu jeito de lidar com a vida e conduzi-la com muita paixão e fé.
Tenho a certeza que as palavras aqui colocadas não expressam o mínimo do que você realmente representava e ainda representa para todos nós, seus amigos, os fiéis das paróquias por onde você passou e para os seus irmãos no ministério presbiteral, na Diocese de Uberlândia.
Por fim, faltam-nos palavras neste momento para agradecer ao Deus da Vida sua vida entre nós compartilhada como o óleo perfumado da unção.
Peço ao Deus da Vida, que, se for possível pela graça, um dia, ao cruzarmos os umbrais da eternidade, possamos encontrá-lo e ter a certeza de que aqui vivemos as antecipações das alegrias do céu, na sua presença, desfrutando de sua amizade.
Obrigado, querido padrinho, amigo, irmão, Padre Júlio Cézar.

Seu afiliado, Pe. Junior Vasconcelos do Amaral.
Belo Horizonte, 20 de junho de 2022.

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