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Homilia da Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, por Dom Paulo Francisco Machado

HOMILIA – FESTA DE SANTA TERESINHA

Dom Paulo Francisco Machado
Bispo Diocesano

Ontem, 30 de setembro, a Igreja fez memória de São Jerônimo, o dedicado estudioso e tradutor da Bíblia, a empregar o melhor de sua inteligência e de seus muitos talentos para, em obediência ao papa São Dâmaso, deixar à Igreja a tradução da Bíblia, a chamada Vulgata, pois o Pão da Palavra e o Pão Eucarístico, que é o próprio Jesus, alimentam, santificam, divinizam os que deles realmente se alimentam. Ao mesmo tempo, a Igreja católica no Brasil comemora 50 anos da feliz iniciativa de tornar setembro o Mês da Bíblia.

Hoje, iniciamos o Mês Missionário e, neste seu primeiro dia, voltamo-nos para Santa Teresinha, a Padroeira de nossa Igreja Particular e das Missões. Ela, mesmo reclusa no Carmelo de Lisieux, se conectava pela oração contínua e pequenos sacrifícios com os missionários a espalhar o Cristo pelo mundo. Se o seu corpo vivia entre muros, seu coração se expandia, inflamado pelo amor a Cristo e de Cristo, até os “confins da terra”.

Proponho-me, neste ano comemorativo da Igreja no Brasil, ainda que de forma sintética, expor um dos pilares de seu caminho em seguimento do Mestre, de forma a ser declarada na Carta apostólica, de São João Paulo II, “Divini Amoris Scientia”, Doutora da Igreja, pois “seu ensinamento não só é conforme à Escritura e à fé católica, mas sobressai pela profundidade e síntese sapiencial alcançada”.

A Sagrada Escritura, a Eucaristia, a vida de oração, a caridade, a humildade são as grandes fontes que permitiram ao Espírito Santo agir na vida desta jovem, oferecendo-nos novas linhas de uma autêntica espiritualidade cristã, das quais seus devotos se abeberam.

Os Santos Evangelhos deram carne, vida à espiritualidade de nossa amada Padroeira. Aquele mesmo Espírito que “falou pelos profetas” (como rezamos no Credo), ou seja, O Inspirador da Sagrada Escritura, fez com que Teresinha se saciasse da água da Palavra e se tornasse obra prima nos “Dedos de Deus Pai” (Veni Creator). A ela se aplica com exatidão aquela resposta corajosa e amorosa de Pedro ao Senhor, ante desafiante pergunta: “Vós também quereis ir embora? ”. Teresinha quer sempre a Palavra no seu coração, na sua vida e daria a mesma resposta do apóstolo: “A Quem iremos, só Tu tens palavras de Vida Eterna” (Jo 6,69). Na Eucaristia e nos Evangelhos ela se alimenta do mesmo Cristo.

O Sagrado Livro da Boa Nova era para ela como espelho para que visualizasse a necessária mudança que Seu Amado lhe pedia. Fazia-lhe descobrir o valor da humildade e a reconhecer com gratidão as grandezas de Deus na sua curta vida, o que a fazia exclamar: “Tudo é Graça! ”. Soube, com grande maestria, introduzir os valores fundamentais da Palavra divina em sua vida, a ponto de compreender, como afirmava seu mestre de espiritualidade, São João da Cruz, que “Só Jesus é; o resto não é”. Trata-se de um niilismo positivo, bem diverso daquele negativo a campear na Filosofia e na Literatura contemporâneas.

Nossa amada padroeira, como poucos, soube aproximar-se do Evangelho para se pôr à escuta da Verdade, sendo modelo para todos nós. Também nós queremos aprender dela a “ouvir a Palavra e a pô-la em prática”, sem parcialidade, mesmo quando e, sobretudo, somos contrariados no nosso jeito de pensar e de ser. Santa Teresinha, embora estimasse muito a Imitação de Cristo, os escritos de São João da Cruz, de Santa Teresa d’Ávila descobre o valor inestimável do Evangelho, colocando todos os outros livros de Espiritualidade Cristã em plano bem menor. Ela sentia, ao abrir os Evangelhos, que seu Amado Esposo, Jesus Cristo, lhe dirigia palavras de ânimo e de grande ternura. Foi com Ele que ela aprendeu “a ciência do amor”. Na leitura e meditação da Santa Escritura experimentava as moções do Espírito Santo. Era uma leitura atenta, devota, sempre acompanhada pelas luzes do Paráclito, a apontar-lhe novos caminhos de santidade, sem os jejuns prolongados que sua frágil constituição física não lhe permitia, sem revelações do alto, tão a gosto de alguns fiéis, sem favores extraordinários, sem pedra para bater no peito, enfim, uma Espiritualidade “pé no chão”.

No seu desejo de agradar ao seu Senhor (santificação), de manter com Ele precioso e eficiente diálogo, precisava do Evangelho, no qual sua alma dessedentava de sua grande sede de Deus. Era sempre a corça buscando a fonte e a nascente, que é o Evangelho. Nas suas páginas descobriu o valor das pequenas coisas a se tornarem grandiosas com a gota do amor. Sua vida pequena não permitia grandes mortificações, mas algumas pequeninas virtudes: dominar sua vontade, calar-se de seus achaques, atos sem alardes de amor aos outros, etc.

Esta é a nossa padroeira. Dela nos lembramos especialmente hoje, quando estamos a comemorar os 60 anos nos de nossa Igreja Particular. Queremos invocá-la para nos obter do coração de seu Amado Jesus aquele mesmo amor que não apenas a fez caminhar, mas até mesmo voar. São suas as palavras “Com amor, não caminho apenas, ponho-me a voar”.

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