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Reflexão da Vigília Pascal, por Dom Paulo Francisco Machado

Vigília Pascal

Dom Paulo Francisco Machado

As grandes solenidades da Igreja Católica, a nossa Igreja porque nos foi dada por Jesus Cristo, são celebradas, ou têm início com uma vigília. É esta que estamos a celebrar e que, no dizer de Santo Agostinho, é a “mãe de todas as vigílias”.

A Vigília Pascal tem início com o rito da luz e o canto do “EXULTET”. O precônio pascal.

A Liturgia da Palavra convida-nos a recordar, refletir e rezar as maravilhas de Deus: a criação, a aliança abraâmica, a aliança sinaítica (Moisés) e os anúncios proféticos a apontar para uma Nova e Eterna Aliança, e assim, entramos no coração do Novo Testamento, o evento da Ressurreição de Cristo, postando-nos diante do túmulo vazio, onde se encontrava algumas horas antes, o corpo do Senhor.

O evangelho segundo Lucas é aquele que mais exalta as virtudes da mulher. Ele narra com que carinho as mulheres, certíssimas da morte de Jesus, levam perfumes para ungir seu corpo. Tinham a certeza de encontrar um cadáver, mas para espanto delas, o túmulo estava vazio. A explicação vem do alto, porque só pela força da graça, por ação de Deus no íntimo de nossos corações, é que entendemos o sinal, melhor ainda, o símbolo do túmulo vazio: Jesus ressuscitou. Ele vive para nós mediante o seu Espírito, que nos concedeu a vida divina.

O túmulo vazio nos convida a fazer memória, em profunda ação de graças, de todas as grandes etapas da História da Salvação. Na verdade, a salvação corresponde ao mais profundo anseio a latejar em todo coração humano, ao considerar as profundezas da História, da nossa História, banhada em dor, mortes, injustiças, sofrimentos ( veja-se no presente: guerra Rússia X Ucrânia), medo e angústia (a guerra fria a mostrar suas garras que pareciam escondidas), a doença ( Covid-19, a exterminar milhões de pessoas), a fome quando somos capazes de abarrotar celeiros, os desabrigados, as inúmeras drogas a se apossarem da vida de tantos jovens, os assassinatos (Feminicídios), a violência a tingir de sangue e lágrimas milhões de lares. A todas essas duras realidades nós as enfrentamos pela fé em Cristo, na bondade e amor de Deus.

Só à luz da fé no Ressuscitado, vítima do maior crime da história humana, pois foi a criatura que se insurgiu e assassinou o Criador  e voltou-se contra o Amor Encarnado, é que a existência humana tem sentido, pois o Ressuscitado, só Ele, o alfa e o ômega tem as chaves da História e, só Ele o Ressuscitado, é a fonte de nossa esperança. Como afirmava São Paulo, na Primeira Coríntios: “Se não há ressureição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé … somos dignos da compaixão de todos os homens”. Com seu próprio sangue e no patíbulo assinou nossa carta de alforria, libertando-nos da escravidão do pecado.

Nós que aqui nos apresentamos, não somos os fracassados, os coitadinhos, os ingênuos deste mundo, mas os bem-aventurados que creem na vitória de Cristo sobre a morte. As trevas todas foram iluminadas pela Luz de Cristo, o recapitulador da História, que teve seu começo com as fortes palavras (dabar): “Faça-se a Luz” e, em momento preciso do tempo, após longo período de trevas para a humanidade, eis que brilhou para nós fiéis discípulos de Cristo a Luz verdadeira, Jesus Cristo, Verbo Encarnado, morto e ressuscitado que fora anunciado por João Batista e que não era a luz, mas dela deu testemunho.

Hoje, numa sociedade de socialização da mentira e que foi buscar para essa triste realidade de nossa fraqueza humana, um termo fora da índole de nossa bela língua o “FAKE NEWS”. Surgem inúmeras falsas luzes como fogo-fátuos, fruto da putrefação de corpos orgânicos, como a mentira é originada, às vezes de mentes brilhantes, mas em decomposição, pois a inteligência tem um tropismo natural pela luz da verdade, e para cada um de nós, toda verdade encontrada pela mente humana, é reflexo da PLENA VERDADE, o Verbo Encarnado e Ressuscitado.

Por força da graça, não nos deixemos seduzir pelas luzes fugazes, acessas em muitos corações e, apresentadas no nosso caminhar. Somos discípulos, seduzidos pela Luz Eterna, com um nome e rosto: o Ressuscitado de entre os mortos.

Será preciso recorrer ao Novo Testamento, à carta de São Paulo aos romanos para entender o real significado da Páscoa do Senhor, para cada um de nós cristãos. No EXULTET, há pouco ouvimos o anúncio alegre da Ressurreição. Somos reportados ao Batismo, porque pelo Mistério Pascal, fomos batizados em Jesus Cristo, na sua morte fomos batizados… fomos sepultados com Ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos… também levemos uma vida nova.

A graça que nos vem da Páscoa do Senhor, de sua Ressurreição é a vida nova. Morreu o homem velho, crucificado com Cristo e, grande graça, fomos de certa maneira identificados com Ele, somos filhos no Filho, o Eternamente amado de Deus. A morte de Cristo destruiu o pecado do mundo (“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo…”). A ressureição de Cristo, deu-nos a vida nova, a graça da filiação divina.

Então, agora, abertos à graça, ao Espírito de Cristo – Dom Pascal – recebido no Batismo, com o nosso frágil esforço, nossa cooperação, o que já é uma grande graça, consideremo-nos mortos para o pecado e “vivos para Deus, em Jesus Cristo. A alegria pascal se aposse de nosso coração e os lábios exultem de alegria.

A TODOS DEIXO MEU FRATERNO ABRAÇO E DESEJO UMA SANTA PÁSCOA!

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