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Homilia de Dom Paulo Francisco Machado na missa da unidade – 2014

Na Missa da Unidade desta quinta-feira (17), tradicional no calendário litúrgico da Semana Santa, Dom Paulo Francisco Machado, bispo diocesano de Uberlândia-MG, em homilia ao clero e aos fiéis leigos, Povo Santo de Deus, enfatizou a missão e a vocação do ministro ordenado que, no dizer do bispo, deve fazer as vezes do Cristo, “comunicando aos homens e mulheres a vida que brota do mistério da Redenção, do Mistério Pascal”. Fazendo referência à comunhão de vida do discípulo com o mestre, afirmou: “Fomos consagrados para dar continuidade à obra de Jesus. Agimos em seu nome, no seu lugar, emprestamos a Ele nosso ser. Ele nos assume”.

Por fim, citando o papa Francisco, em recente encontro com os seminaristas do Colégio Pontifício Leonino de Anagni, Itália, o bispo diocesano enfatizou: “Ai dos pastores iníquos que cuidam de si próprios e não de seu rebanho” que “não se deixam moldar pelo Espírito de Deus”. E concluiu: “[como ministro ordenado] não posso cansar-me de afirmar: o Caminho é Cristo”.

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Durante a celebração eucarística, também conhecida como Missa dos Santos Óleos, são abençoados e distribuídos para as Paróquias os óleos do Crisma (Sacramento da Crisma), dos Enfermos (Sacramento da Unção dos Enfermos) e dos Catecúmenos (Sacramento do Batismo). Essa celebração, em que todos os fiéis leigos e ordenados são convidados a participar, exprime publicamente a comunhão da Igreja Particular que, sob a direção do bispo diocesano, pai e pastor da porção do Povo de Deus a ele confiada, deseja viver genuinamente o ideal cristão de caminharem unidos na mesma fé, na esperança e na caridade.

Ainda durante o rito eucarístico, os presbíteros presentes à celebração renovam suas promessas sacerdotais, bem como o voto de obediência ao sucessor dos apóstolos.

Confira abaixo, na íntegra, a homilia de Dom Paulo Francisco Machado

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Caríssimos irmãos e irmãs,

Neste ano da graça de Nosso Senhor de 2014, eis-nos, novamente unidos em profunda comunhão, povo santo de Deus e presbíteros, com o seu Bispo, numa rica expressão de unidade. Como afirma o Cerimonial dos Bispos (274): “Esta Missa, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é como que a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo”. É bem verdade, que essa mesma comunhão já é expressa em cada missa celebrada em cada latitude e longitude de nossa amada Diocese, mas, aqui e agora, é mais expressiva e viva essa união-comunhão, uma vez que “se manifesta mais claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja” (idem).

Somos presbíteros, chamados cada dia a ser verdadeiramente presbíteros, no sentido etimológico e existencial. Somos velhos, ricos de uma sabedoria que vem do alto e experimentada no dia a dia, nos longos instantes de diálogo pessoal com nosso único Mestre, na leitura constante do Evangelho, no enriquecedor contato com a graça, que emanam, abundantemente, dos sacramentos por nós celebrados.

Somos sacerdotes, sacerdotes para sempre, embora não seja essa a única dimensão de nossa riquíssima vida de presbíteros. Desculpem-me se mais uma vez, como tenho feito a cada ano, recordo a grandeza, o significado, a identidade do ministério que exercemos, a partir das solenes palavras pronunciadas nas celebrações dos sacramentos: “Eu te batizo… Eu te absolvo…Isto é o Meu corpo…o Meu Sangue”. Toda a nossa atuação deve ter por raiz e fundamento o Cristo, anunciador do Reino, Senhor e Rei que por nós se entregou na cruz. Assim, as dimensões todas de nossa atividade pastoral tem inspiração e solidez enquanto se referem e, tem sua fonte em Jesus. Ao anunciar o Evangelho, como autênticos profetas, não estamos a propagar nossas ideias pessoais, nossos sonhos ou as opiniões que agradam aos ouvidos de nossos tempos – estamos no mundo, não somos do mundo – mas,  o sonho, o projeto do Pai Celeste. Somos sacerdotes, fazendo as vezes de Cristo, comunicando aos homens e mulheres a vida que brota do mistério da Redenção, do Mistério Pascal. Por isso as celebrações, como expressões do Mistério da Salvação, não comportam caprichos pessoais, exóticos penduricalhos, inúteis lantejoulas, nem devem ter a nós como centro: o eixo, o núcleo de tudo deve ser o Senhor. Cabe-nos perguntar seriamente: como estou celebrando os sacramentos, em especial a Santa Eucaristia? Como João, percebo que é Ele quem deve crescer e eu diminuir? Temos um especial poder régio, mas que rei sou eu? Nossa realeza tem como modelo aquele excelso Rei, que humildemente se curvou perante seus servos para lavar-lhes os pés e nos chamou a um convívio amigável com Ele. Todo poder – sublime poder que nos torna felizes – é para servir. A Deus e aos irmãos não damos os restos de nossa vida, nós a entregamos toda: “Isto é o meu corpo que é dado por vós…”. Fomos consagrados para dar continuidade à obra de Jesus. Agimos em seu nome, no seu lugar, emprestamos a Ele nosso ser. Ele nos assume.

Penso que nos óleos que consagraremos e benzeremos,  podemos ver os variados e ricos símbolos de nossa vida de presbíteros,  a dar-nos ânimo para a pastoral.

O óleo dos catecúmenos prepara e dispõe as pessoas para o Batismo (Cerimonial, 274). Predispõe as pessoas para superar as dificuldades, os grandes desafios de viver, no mundo de hoje, a vida cristã, que, sem dúvida, tem dimensão agônica. A luta e a sombra da cruz fazem parte constitutiva de nosso caminhar em Cristo. Cabe a nós, presbíteros, como servidores fiéis do povo de Deus, fortalecer os joelhos dos vacilantes na fé.

O óleo dos enfermos serve ao “alívio na doença” (Cerimonial, 274). Por doentes podemos entender todas as pessoas que carecem de nossos cuidados, os pequeninos, os pobres, os injustiçados. Cabe-nos ser mais generosos na distribuição de nosso tempo,  para atender, nas secretarias de nossas paróquias aqueles que nos procuram com tantas angústias no coração, tantas feridas sofridas no caminhar. Será preciso dar mais tempo ao atendimento pessoal de nossos irmãos e irmãs, mais tempo para aqueles que buscam o sacramento da reconciliação.

O óleo da crisma, que ungiu as nossas mãos e foi derramado abundantemente em minha cabeça, consagrou-nos para o serviço do Reino. Ele nos recorda ser Jesus o ungido do Pai para instaurar o Reino de Deus, Reino de Graça e Santidade, de Justiça e de Paz, Reino de Verdade, de Beleza e de plenitude de Vida. Somos ungidos, para dar continuidade à missão de Cristo, Messias e Senhor. Fomos ungidos para a missão, para desinstalar-nos de nosso pequeno jardim e nos abrirmos aos mais amplos horizontes. Mesmo nos pecados do mundo,  podemos ir percebendo a sede que tem a humanidade de reconciliação (não sem motivo,  esse é um tema recorrente nos romances e novelas). Ah! Como o homem contemporâneo tem desejo de um Pai que estenda a mão para o filho cansado da longa caminhada, faminto de acolhida, de abraço. O mundo clama por justiça, mas tem sede maior ainda de misericórdia.

Preparemo-nos para renovar nossas promessas sacerdotais, saibamos nos comprometer com Deus e com os irmãos de sermos “homens de oração”, certos de que assumimos uma missão e não uma função. O que o papa Francisco afirmou, em encontro com os seminaristas do Colégio Pontifício Leonino de Anagni, vale para cada um de nós: “Ai dos pastores iníquos que cuidam de si próprios e não de seu rebanho” que “não se deixam moldar pelo Espírito de Deus”, (…) “como barro na mão do divino oleiro” para guiar o povo até Cristo. Estamos dispostos a dar passos nos caminhos da santidade, “meditar todos os dias no Evangelho, experimentar a misericórdia de Deus no sacramento da reconciliação” e celebrar diariamente a Eucaristia com fé e amor, prosseguindo no único caminho que nos dará a verdadeira alegria e a paz. Não posso cansar-me de afirmar: o Caminho é Cristo.

Ajoelhados por um instante, apresentemos a Deus, que não se deixa enganar, o nosso propósito de viver na fidelidade as promessas sacerdotais, e que Maria Santíssima nos acompanhe com seu olhar terno e materno.

Dom Paulo Francisco Machado
Bispo Diocesano de Uberlândia-MG

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