Bispo Diocesano Destaque Destaque2 Em Destaque

Homilia do Jubileu do Padre Marcello

Padre Marcello

Saudações

Um simples e curto minuto de uma vida humana tem uma densidade, riqueza e valor que mereceria inúmeras páginas para descrevê-la e, contemplar no tempo, quem tem destino para a eternidade. Rogo pois, as luzes divinas, para falar com simplicidade e veracidade sobre a vida e missão de nosso querido padre Marcello.

Quando sabiamente o papa São Paulo VI governava a Igreja, esse grande incentivador da dimensão missionária na vida da Igreja de Cristo, por força de uma série de circunstâncias, que melhor seria chamada de providência divina, aproximou-se de um jovenzinho e lhe disse “seja um bom missionário”. Assim se solidificava uma vocação/missão acalentada no seu coração e, a partir daquele instante, Marcello teve plena certeza de ser chamado para a vida missionária.

Na verdade, Paulo VI, após o Concílio Vaticano II, vinha incentivando padres, religiosos (as), seculares consagrados(as) a se lançarem como missionários(as) nos países da América Latina, África e Ásia.

Esse encontro marcante na vida de Marcello, essa divina aventura que o fez atravessar o oceano, foi precedida da grande aventura da vida. Aqui somos transportados para o cenário maravilhoso da Sicília, a Magna Grécia e nos postar ante a cidade de Siracusa, terra do genial Arquimedes.

Seus pais eram Giuseppe e Paola. Foi a sua mãe que lhe impôs o nome de santo de sua especial devoção: Sebastiano. Por vezes, em conversas com padre Marcelo, foram-me confidenciado fatos bonitos de sua história na Itália. Como a Sicília ainda hoje possui intensa criação de ovelhas, ele me explicou que os pastores saem pelos campos a alimentar seus rebanhos. Quando alguns deles se encontram, põem-se a prosear e os vários rebanhos se misturam. Terminada a conversa, as ovelhas e carneiros distinguem a voz dos seus pastores e põem-se a segui-los ordeira e obedientemente. Sua mãe, educadora, fazia com que ele beijasse o pão que acontecia cair de suas mãos. No se coração de criança ficava a marca: “se o pão terreno merece tanto respeito e cuidado, o que se dirá do Pão descido do céu?”.

Aos 8 anos, ingressa no Seminário dos Capuchinhos, em Siracusa. Começava a acalentar em seu coração o sonho da missão até se tornar um intenso desejo, desenvolvido com a oração e uma especial devoção a Maria Santíssima, a quem muitas vezes acorria com uma simples flor deposita nos seus pés e seguida por intensa prece. Pedia a intercessão da Mãe de Jesus para que se tornasse missionário.

Passaram-se alguns anos e o encontro com Paulo VI deu-lhe a certeza de sua vocação missionária, sempre a ecoar em sua alma a frase: “Seja um bom missionário”.

No dia 21 de janeiro de 1963. Marcelo Sebastiano Augello aportava no Rio de Janeiro. Vai a Teófilo Ottoni e, por fim entra no Seminário de Mariana, quando era arcebispo Mariana Dom Oscar.  Um seminarista, Emanuel Messias de Olivera, hoje bispo de Caratinga, o recebe. Para iniciar logo os estudos precisava dominar a língua portuguesa e um padre deixa em suas mãos nada mais do que “Os Lusíadas” de Camões.

Fez o segundo grau, a Filosofia e parte da Teologia em Mariana. Foi para São Paulo onde terminou a Teologia, e, até mesmo, por um tempo residiu numa favela.

No dia de hoje, no ano de 1973 foi ordenado por Dom Jorge Scarso, um capuchinho italiano de Modena, bispo de Patos de Minas. Na Diocese desenvolveu o ministério nas cidades de Monte Carmelo, Olegário Mariano e na sede episcopal. Foi-lhe entregue o cuidado dos vocacionados, acolhendo dezenas de jovens para a inicial formação sacerdotal. Enfrentou esse grande desafio com coragem e confiando na Providência Divina, pois era ele mesmo que, mediante inúmeras iniciativas arcava com todas as despesas dos vocacionados. Desse tempo de formador saíram vários padres, entre eles se encontram entre nós Padre Márcio, Padre Lelis, Padre Rui.

Em Monte Carmelo desenvolveu grande serviço social. Para dar mais conforto e dignidade às mulheres pobres, fez construir uma lavanderia pública. Teve a companhia de seculares consagradas como a Amália, mais conhecida como irmã Amália.

Logo, logo vieram os sofrimentos, em especial as calúnias. Ora, sabe-se que a pérola é fruto da dor na carne tenra de uma ostra. Um grãozinho de areia entra na sua concha e, na intensidade da dor vem a superação mediante o envolvimento com o nácar. É a dor que gera a preciosa pérola. Padre Marcello não se deixou vencer pelo mal, por acreditar na foça vitoriosa do bem. O nácar a envolver seus sofrimentos foram suas lágrimas, suas preces e sua confiança em Nossa Senhora.

Os goles do vinho da vida só podemos sorvê-los com alegria. Por que azedar nosso coração com as mágoas do passado, a torná-lo lixeira de péssimas recordações? Assim pensava padre Marcello e seguiu em frente. Deixou sua Diocese e, mesmo requisitado por vários bispos, foi acolhido por Dom Estevão Incardinou-se na Diocese de Uberlândia servindo as Paróquias de Estrela do Sul, Catedral de Santa Teresinha. Conseguiu elevar a Igreja de Nossa Senhora Aparecida a Santuário Diocesano. Por quase um ano foi Administrador Diocesano e serve a Diocese como Vigário Geral. Hoje, cuida da Paróquia de Santa Mônica.

Temos inúmeros motivos para elevar aos céus nossas preces de Ação de Graças. Podemos nos servir do canto mariano, unindo nossos sentimentos aos do Padre Marcello: “O Senhor fez em mim maravilhas, santo é o seu nome”.

Que Santa Teresinha, padroeira universal das missões, faça descer do céu uma chuva de rosas, para sua vida pessoal e seu ministério e, a tão amada Nossa Senhora da Conceição Aparecida o tenha sempre em sua íris e o proteja de todo mal.

Padre Marcello, muito obrigado

Adicionar comentário

Clique aqui para postar um comentário

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!