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Homilia – Missa da Unidade | Dom Paulo Francisco

Homilia missa do crisma
Dom Paulo Francisco Machado
“E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós, e nós contemplamos a sua glória, glória como Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,15).
Padre, o homem da Palavra, é chamado a contemplá-La continuamente para viver segundo a Palavra e da Palavra.
Ao aproximar-se do altar, o presbítero saúda os féis e, ao fazer memória da cruz redentora e da SSma. Trindade, convida-nos a uma dupla confissão: Deus, no seu infinito amor, é misericórdia; o padre e os fiéis reconhecem os seus contínuos distanciamentos da vontade divina, por isso ele convida: “Confessemos os nossos pecados”. Ele se inclui na procissão dos pecadores.
Nesta primeira parte da Missa estamos voltados, em especial (padre e fiéis), para o Cristo Palavra viva do Pai. “Muitas vezes e de muitos modos Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho…o resplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser (Hb1,1.3). A Liturgia da Palavra é para escutar o que Jesus fala pela voz da Igreja.
Tenhamos na memória do coração o longo itinerário de nossa formação presbiteral:
Quando constituídos leitores, fomos advertidos da necessária e incessante meditação da Palavra, para dela sermos impregnados e, a partir daí, sermos seus fiéis anunciadores aos irmãos. Foi-nos entregue a Sagrada Escritura, para que a transmitíssemos com fidelidade e produzisse os devidos frutos no íntimo dos fiéis (do Rito de Leitores).
No diaconado, o candidato recebe o Evangelho das mãos do bispo: “Recebe o Evangelho de Cristo (atenção: não é o meu Evangelho, que não tem poder salvífico), do qual fostes constituído mensageiro, transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”.
Na Palavra e da Palavra o padre alimenta a sua vida espiritual e acalenta o íntimo dos corações do povo confiado ao seu pastoreio, sabendo como já afirmava São Gregório Magno: “A Escritura cresce com os que a leem”. A Escritura nos trans-porta para as realidades maiores sonhadas pelo nosso coração. Deus se torna, mediante sua Palavra a nós dirigida, o nosso companheiro como fazia com seu amigo Adão, a passear pelo paraíso (Santo Ambrósio). Ela aquece a alma dos discípulos nos variados caminhos da vida.
Faço questão de apresentar, em rápidas linhas, o depoimento de um teólogo do século passado, vítima do nazismo, a mostrar-nos o poder da Bíblia a plasmar nossa vida para um renovado encontro com Jesus Cristo. Dietrich Bonheoefer afirmava que no início de sua carreira tinha o coração repleto de ambição e de vaidade, até um primeiro e verdadeiro encontro com a Bíblia que o transformou. Ele dizia que a princípio usava a causa de Jesus para seu próprio proveito, para satisfazer sua louca vaidade. Ele rezava, mas pouco. Quando, porém, chegou à Bíblia … tudo mudou. Tomei consciência de que a vida de um ministro de Jesus Cristo deve pertencer à Igreja. Num congresso internacional da Juventude, no ano de 1932, dirá” gostamos mais de nossas próprias ideias do que das ideias da Bíblia. Já não lemos a Bíblia seriamente, já não a lemos contra nós, a lemos somente a nosso favor”.
Antes de terminar, não posso deixar de mencionar a mãe de todos os sacerdotes, Maria Santíssima, a mais fiel ouvinte de Deus. Assim como o E. Santo pousou a sua sombra sobre ela para que, no cálice de seu seio virginal fosse concebido o Salvador, Filho de Deus e seu, também por nossa ação “in persona Christi”, no instante da consagração no cálice sobre o altar, ao sopro da voz do sacerdote, o mesmo Espírito desce e, mistério da fé, transforma todo o conteúdo do cálice no sangue precioso do Redentor, deixando nele somente as aparências de vinho. Assim como pela Palavra do Pai, o Verbo (“Deus disse”) todo o universo foi criado, também pela palavra do padre é que o pão se torna o corpo de Cristo para fortificar nosso agir segundo o amor, e que o vinho se transforma no sangue de Cristo para, no cálice do Senhor, encher nossa vida de alegria e esperança.
Que a missa, ora celebrada, torne nosso coração mais atento aos dizeres do Senhor, de modo a nos tornar os homens da Palavra tão necessária nos nossos dias e, como “homens de palavra” nos empenhemos em abrir nossa alma para a ação Daquele que “falou pelos profetas”.
Que a renovação de nossas promessas seja palavra viva em nossos corações e corresponda a um real desejo de seguir Jesus, Mestre e Senhor.

APÓS A RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS, REZAR A ORAÇÃO DO CARDEAL MARTINI PELOS PRESBÍTEROS
“Pedimos-Te, Senhor, que revigores os nossos padres que estão cansados e oprimidos, não com uma solução fácil, mas por uma intuição sobrenatural profunda, purificando-os e lhes dando a experiência de Ti. Pedimos-Te pelos padres sobrecarregados pelo peso do ministério, pelas fadigas físicas e psicológicas, pela idade, a fim de que percebam, mediante a purificação e a libertação interior, que o Teu jugo é suave e o Teu peso é leve. Concede a todo o nosso presbitério a graça da prontidão e da alegria”.

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