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Liturgia: uma ação ritual (II)

A liturgia que é o exercício do sacerdócio de Cristo, realizada por meio de ações rituais e simbólicas é o momento no qual a obra da nossa redenção se realiza (SC 5). No contexto religioso o rito tem por função expressar ou revitalizar a relação da humanidade com alguma divindade. Os ritos cristãos, ao redor dos quais estrutura-se a nossa liturgia, originam-se de Jesus Cristo. Colocam-nos em relação com o seu Mistério Pascal e por isso não pertencem à ordem da teatralização.

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No contexto da ceia da despedida, conforme narra o Apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 11,23-26), Jesus após a ação de graças sobre o pão e o vinho, ordena aos presentes de perpetuarem, ritualmente, o memorial da sua entrega na Cruz. É isso que se celebra em cada Eucaristia! Toda vez que a comunidade cristã come do pão e bebe do vinho eucaristizados ela é conduzida pelo Espírito ao evento da Páscoa de Jesus, que “morrendo destruiu a nossa morte e, ressuscitando, restaurou-nos a vida” (SC 5). Desse modo eles garantem que seja mantida a Memória de Jesus Cristo, a fé viva da comunidade eclesial e sua configuração como corpo de Cristo.

É uma lástima tomarmos os ritos litúrgicos como um script ou um roteiro a ser executado. Caímos num rubricismo mecânico e vazio de espiritualidade. Por nos colocar em relação com o Mistério Pascal do Senhor, os ritos devem ser tomados como verdadeira ação ritual da comunidade celebrante. Devem ser vividos com ritualidade. No rito tudo o que somos e temos está lançado na relação com Cristo em seu Mistério para que ele possa ser Todo em nós e nós, todos Nele.

Nesse sentido a plena vivência ritual cristã necessita do “corpo de sentido” das pessoas que celebram e mais ainda, precisa que a mente e o coração acompanhe aquilo que as palavras dizem (SC 11) e que o corpo faz. A inteireza do ser de cada um é fundamental para saborear a ação da graça de Deus que nos santifica na liturgia em que elevamos nosso louvor. Essa “inteireza do ser”, longe de ser expressão banal na contemporaneidade aos olhos de alguns, está profundamente enraizada na tradição bíblico-teológica cristã, pois a Palavra feita Carne assume por inteiro a natureza humana. Assim a Páscoa do Senhor, que celebramos por meio dos símbolos e dos ritos, não se distancia de nós e da nossa história. Pois é Páscoa de Cristo na Páscoa de nossas vidas.

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Por, Tânia Mayer

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