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Liturgia: uma ação ritual

A Constituição Sacrossanctum Concilium, do CVII, no número 7 considera a liturgia: “como o exercício da função sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo – cabeça e membros – presta a Deus o culto público integral”.

Foto de arquivo: Catedral de Santa Teresinha 01/10/2013
Foto de arquivo: Catedral de Santa Teresinha 01/10/2013

Desse modo a liturgia é ação simbólico-ritual, celebrada pela comunidade de fé para a glória de Deus e santificação da humanidade. Buscaremos os aspectos antropológicos, teológicos e litúrgicos do rito, a fim de alcançar aquela plena participação no Mistério Pascal.

O rito, na sua dimensão antropológica, está relacionado com o sentido da vida, com o sentido da existência. Ele condensa o modo de vida de um grupo ou comunidade e expressa as crenças, as relações interpessoais, as relações com a natureza e com Deus. Os ritos não são invenções do “mercado” que fabrica tudo, mas eles surgem no decorrer da história, marcando a singularidade e identidade da comunidade.

É por meio do rito que os valores e os costumes do grupo são transmitidos às novas gerações. Os ritos são per-formadores, ou seja, os gestos, as danças, as músicas, realizam algo nas pessoas levando-as a uma tomada de decisão, exigindo uma mudança e um novo compromisso com a vida.

É da natureza do rito a repetição, o ritmo, o fazer novamente. Engana-se quem pensa que a repetição conduz a uma monotonia. Engano maior é a busca pela inovação para fugir do suposto tédio que o rito induziria. A novidade nasce daquilo provocado nas pessoas na realização do rito. É o rito com seu ritmo no espelho da vida humana com todas as suas peripécias que traz a novidade, a Boa-Nova geradora de vida.

Foto de arquivo: Catedral de Santa Teresinha 01/10/2013
Foto de arquivo: Catedral de Santa Teresinha 01/10/2013

Aqui, O Pequeno Príncipe[1] nos ensina muito: para cativar a raposa e para que sua vida seja “cheia de sol” é preciso que haja um rito entre os dois: encontrar-se sempre no mesmo horário: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração”. Assim a novidade do rito “é o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas”.

 (Os aspectos teológico-litúrgicos seguirão no próximo artigo).

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Por, Tânia Mayer


[1] SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. 48. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2009.

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