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"Misericordiosos como o Pai" – Ano Santo da Misericórdia está aberto

O papa Francisco abriu hoje (08), Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, oficialmente no Vaticano, o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. O Ano Jubilar irá até o dia 20 de novembro de 2016, Solenidade de Cristo Rei do Universo.

Na Diocese de Uberlândia, a abertura da Porta Santa da Misericórdia será na próxima segunda-feira (14), às 19h30, na Catedral Santa Teresinha, centro de Uberlândia, pelo bispo diocesano, Dom Paulo Francisco Machado.

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Contexto de nascimento do Jubileu

Desde os tempos remotos do antigo Israel, o povo de Deus celebrava a cada cinquenta anos um Jubileu. O nome Jubileu ou ano jubilar provém da palavra hebraica yobel, que significa “chifre de carneiro”, uma espécie de instrumento de sopro, que servia para anunciar um chamado ou um julgamento de Deus (cf. Ex 19,13).

O Jubileu e sua concepção da graça surgiu da experiência terrível e desalentadora do exílio babilônico (587. a.C). O exílio foi um período de profunda revisão da própria vida do povo de Israel que se vira desprovido de sua terra, de seu templo e de sua fé. Em 538 a.C, já sob o domínio persa, os Israelitas puderam voltar a Judá e a Jerusalém a fim de reconstruírem o Templo que fora destruído.

Nos Evangelhos, é Lucas quem nos dá a conhecer o messianismo jubilar de Jesus. Estando na sinagoga, em dia de sábado, Jesus desenrolou o livro do profeta Isaías e proclamou um trecho do capítulo 61 que diz: “o Espírito do Senhor está sobre mim. O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso ele me ungiu e me mandou anunciar aos pobres uma mensagem, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a recuperação da vista, para colocar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-20). Ao concluir a leitura, Ele afirmou: “hoje se cumpriu esta passagem que acabais de ouvir”. Isto é, com Ele, inaugurou-se o tempo por excelência da Graça e da Libertação para todos.

Ano Jubilar na Igreja Católica

A Igreja Católica, a fim de que uma geração pudesse viver ao menos um Ano Santo na vida, diminuiu o tempo da espera. Atualmente, ao invés de um jubileu a cada 50 anos, é realizado a cada 25 anos.

Quem instituiu o primeiro jubileu da era cristã foi o papa Bonifácio VIII, no dia 22 de fevereiro do ano de 1300, com a bula Antiquorum fide relatio.

Somente após o ano de 1475 é que os jubileus passaram a ocorrer a cada 25 anos. Naquele ano, Sisto IV alargou os lugares de indulgência inclusive para fora de Roma, e foi utilizada pela primeira vez a imprensa, descoberta em 1444 por Johannes Gutenberg, para propagar as informações papais. A partir desse Jubileu, entrou em uso a denominação de “Ano Santo”.

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O Jubileu que celebrou os 2000 anos da Encarnação, foi convocado pelo papa João Paulo II na Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente. Nessa carta o papa lançou a ideia de se preparar o Jubileu em duas fases: na primeira entre os anos de 1994 a 1996, foi um tempo de consciencialização da Igreja. Na segunda, o papa convidou a Igreja Católica a celebrar um triênio: 1997 (Ano de Jesus Cristo, do sacramento do Batismo e da Virtude Teologal da Fé), 1998 (Ano do Espírito Santo, do sacramento da Confirmação e da Virtude Teologal da Esperança) e 1999 (Ano de Deus Pai, do sacramento da Reconciliação e da Virtude Teologal da Caridade).

E por que um Jubileu Extraordinário da Misericórdia?

Segundo o papa Francisco, em sua Bula Misericordiae Vultus, “a arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia. Toda a sua ação pastoral deveria estar envolvida pela ternura com que se dirige aos crentes; no anúncio e testemunho que oferece ao mundo, nada pode ser desprovido de misericórdia. A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo”.

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O Ano da Misericórdia é, portanto, uma resposta da Igreja a este mundo mergulhado em conflitos, em guerras e ódios. Será, por isso, o Ano do Perdão dos Pecados, de Penitência para se obter o perdão dos pecados, da Indulgência Plenária para aqueles que passarem pela Porta Santa ou da Misericórdia, nas Catedrais Diocesanas, e fizerem Confissão Auricular, receberem a Comunhão Eucarística, rezarem pelo Papa, Visitarem os Pobres, os Enfermos ou os Aprisionados, ou irem em peregrinação à Porta Santa no Vaticano, e fizerem Obras de Caridade. Ano de conversão.

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. A partir da parábola do Pai Misericordioso (cf. Lc 15, 11-32), Francisco recorda-nos de que a misericórdia é prerrogativa divina e é fonte de alegria, serenidade e paz, e revela explicitamente o mistério da Trindade. A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado e que não há limites para o perdão de Deus. Durante todo este Ano seremos acompanhados pela assistência do Espírito de Deus, afinal, é Ele quem “conduz os passos dos crentes de forma a cooperarem para a obra de salvação realizada por Cristo, seja guia e apoio do povo de Deus a fim de o ajudar a contemplar o rosto da misericórdia”.

Em suma, “a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor como o de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até ao mais íntimo das suas vísceras. É verdadeiramente caso para dizer que se trata de um amor « visceral ». Provém do íntimo como um sentimento profundo, natural, feito de ternura e compaixão, de indulgência e perdão”.

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E mais: “somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: ‘Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé: ‘Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’ (Mt 5, 7) é a bem-aventurança a que devemos inspirar-nos, com particular empenho, neste Ano Santo”, concluiu.

Assim, tal como Deus é misericordioso, somos chamados a ser misericordiosos uns para com os outros, a partir deste ano e para sempre.

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Por, Pe. Claudemar Silva

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