Diocese de Uberlândia Em Destaque

Mosteiro Monte Alverne celebra Missa do Galo

Ontem (24) a Igreja celebrou o Natal do Senhor. Todas as comunidades católicas celebraram  com grande alegria a vinda de Deus na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo. O profeta Isaías afirma que “Porque nasceu para nós um menino,
foi-nos dado um filho” (Is 9, 5a).

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No Mosteiro Monte Alverne das Irmãs Clarissas, em Uberlândia, foi celebrado com grande júbilo a chegada do Salvador, em celebração presidida pelo vigário do Mosteiro, Padre Baltazar Sallun. A celebração contou com um coral de sete vozes e o ressoar dos sinos anunciaram o nascimento de Jesus.

Em sua homilia, Padre Baltazar destacou, dentre outras coisas, o exemplo de São Francisco de Assis, o qual experienciou em sua vida o nascimento, a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, tendo, inclusive, recebido as chagas, chamando a atenção para a necessidade do testemunho cristão. A seguir, trechos da homilia de Padre Baltazar.

“Caros irmãos, mais uma vez celebramos a Solenidade do nascimento de Nosso Salvador. No Natal, o nascimento do Salvador, renovação da salvação, não pode ser marcado pelo consumismo, pelo paganismo, que deixa de lado o ponto central desta celebração, Nosso Senhor Jesus Cristo, filho unigênito do Pai. Quem é Jesus? O filho de Deus. Jesus é nosso filho […]  Ontem (23) o Papa Francisco falando para a Cúria Romana falou das quinze doenças espirituais que podem acometer ao corpo místico de Cristo, isto é, à Sua Igreja. Vou fazer referência a uma que é a doença das famílias, das congregações e das ordens: sentir que é imortal, ou seja, aquele que acha que é indispensável. Aquilo que ele, o papa, chamou de Martalismo. Às vezes até no convento tem Martalismo. Marta por causa de Marta, que ficava só fazendo as coisas, sem parar e que reclamou de Jesus […] Depois ele falou daqueles que têm uma mentalidade de pedra, porque não quer acompanhar os sinais dos tempos. […] aqueles que querem voltar ao passado. Depois ele falou do Alzheimer espiritual que fica assim esquecido, não acompanha, não avança. E ele também falou da esquizofrenia espiritual […] E um que ele frisou bastante e que tem muito nas famílias, nas empresas, nas escolas, nos trabalhos: as conversas fiadas, os murmúrios, as fofocas. Ou alguns que gostam de divinizar o chefe […] ele não gosta de ser chamado de Santo Padre. Logo que ele foi eleito fizeram uma estátua para ele lá […] e ele disse: “tira”! Não podemos divinizar pessoas, todos nós somos pecadores. […]

O papa fala muito das empresas, mas nas igrejas também tem isso: ‘ah, eu vou lá porque é o padre fulano. Ah, agora não vou mais porque mudou’. Esquecem de olhar para a cruz do altar, porque quem está lá está representando Cristo, mas nunca será Cristo. Depois há aqueles preocupados com a acumulação de bens. Na Igreja, como na sociedade, há aqueles que têm recursos e querem cada vez mais, lucros, lucros e lucros […]. Se não nos convertermos destas doenças, destes pecados, nós não vamos entender o Natal. […] Afinal, ele nasceu num estábulo. E às vezes, solenemente, a gente diz que não havia lugar para ele na hospedaria. Às vezes a gente pensa que Belém era uma cidade grande – umas dez casinhas – e hospedaria tinha, às vezes, uns dois pavimentos e no máximo caberia duas pessoas. Não era uma hospedaria, um hotel. A cidade era a menor das menores, a periferia da periferia. E Jesus nasceu na periferia da periferia. Ele nasceu num curral. E é nesse curral, nesse estrume que é a nossa vida, o nosso coração, que ele quer nascer. […] São Jerônimo, morou em Belém, traduzindo a bíblia do hebraico para o grego. Ele fez uma homilia, uma pregação de Natal: ‘o Cristo não encontra lugar no Santo dos Santos’. Santo dos Santos era o templo de Jerusalém, vamos dizer, se fosse aqui no Brasil seria o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, se fosse em Roma, a Catedral de São Pedro. Onde o ouro, as pedras preciosas e a prata reluziam. Não, ele não nasce entre a prata e o ouro, mas nasce num estábulo, na lama dos nossos pecados. Ele nasce no estábulo para remir os que jazem em meio ao estrume. E ele cita o salmo “ele retira o pobre do estrume”. E aí tem umas traduções, meio esquisitas, que eles colocam. É a mesma palavra, mas aí eles colocam lá monturo, e aí as irmãs rezam e os seminaristas rezam. O que é este monturo? É o estrume. E todos os pobres encontram nisto o consolo. Não havia outro lugar para o nascimento do Senhor a não ser o estábulo. […] ‘Ah, se me fosse dado morar neste estábulo onde Deus repousou’, diz São Jerônimo. Pensando em honrar o Cristo, retirando o presépio de palha, e, às vezes, até com boa intenção, acontece até nas igrejas, nos conventos: de substituí-lo por um de prata. Por exemplo, aqui está muito bonitinho. Mas isto é um agrado nosso, mas que representa a realidade. Por isto, São Francisco, aquele santo que viveu o nascimento, a paixão, morte e ressureição de Jesus Cristo na sua carne, e ele viveu tanto que recebeu as chagas. E ele criou o presépio. […] Na verdade, pensamos, então, em honrar o Cristo, retirando o presépio de palha e substituindo-o por um de prata. E São Jerônimo diz: ‘pra mim tem mais valor o que nos foi retirado: o paganismo’. A fé cristã, merece um estábulo de palha, pois bem, ouvimos a criança choramingar. Jesus choramingou lá, na hora de mamar, se Nossa Senhora não lhe desse, choramingava. […] adoremos o Filho de Deus, Deus poderoso, Deus que por longo tempo, bradou alto dos céus e não salvou ninguém e, de repente, choramingou, porque veio à Terra na condição humana, salvou. A elevação jamais salva, o que salva é a humildade. O Filho de Deus estava no céu e não era adorado, desce à Terra e passa a ser adorado. Mantinha sob seu domínio o sol, a lua e os anjos e não era adorado […] homem completo, integralmente bom, a fim de curar toda a Terra, tudo, se não se fizesse humano, também não salvaria. Se nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, nós só nos salvaremos se nos tornarmos humanos. […] Porque que tudo isso aconteceu? Por causa do amor zeloso de nosso Deus. E todos nós dizemos que somos cristãos e dizemos: aquele lá não presta, eu sou melhor, eu sou aquilo. O evangélico falando mal do católico, o católico falando mal do evangélico, católicos e evangélicos falando mal dos espiritas, dos umbandistas, dos que professam outras religiões. O que ouvimos na segunda leitura? ‘A graça de Deus foi derramada sobre todos’. Ninguém está excluído. […] Quem somos nós para julgar os outros? Quem somos nós? A graça de Deus foi derramada, mas Deus não obriga nada. […] Mas a segunda estrofe do salmo, diz o que? Pegue este folheto e leia […] Queria até que todos lessem aí o salmo, segunda estrofe, todos: Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! – procedeu à leitura a comunidade. Então, não adianta a gente vir à missa se a gente não anunciar dia após dia, nós não temos que esperar o Papa, o padre, a irmã, a madre, nós somos um povo sacerdotal. […] Se nós vivemos em equilíbrio, equilíbrio se nós formos traduzir é a virtude da temperança. Qualquer que aprendeu a cozinhar um arroz sabe que se colocar sal demais, pode até não manifestar se tiver uma visita, mas depois tem que beber água o resto do dia. […] A outra palavra que o apóstolo coloca, justiça, se não tiver esta não haverá piedade. […] Certa vez, Papa Francisco, quando ainda era cardeal em Buenos Aires, perguntou: ‘como podemos esperar surpresa nesta cidade grande? Ontem tive uma surpresa que me comoveu. Os meninos de rua lá da Catedral estavam construindo um presépio vivo, na esquina. […] A visão do mundo pagão, lá do outro lado, o senhor Papai Noel. E um senhor Papai Noel de se tirar o chapéu, como se diz. Porque a criançada gosta, a gente gosta e a gente precisa saber separar […] não se pode deixar levar ao consumismo. eu atravessei a rua e disse: ‘eu posso me sentar aqui um pouco? Eu quero experimentar o sentido do Natal. […] quero sentir o espirito do Natal’. Ele tirou todas as fantasias de Papai Noel e se sentou. E conclui o então arcebispo: ‘não se cubra,não se fantasie, nem com a soberba, nem com o orgulho, nem com a avareza […] incline-se, cubra-se de mansidão e humildade, e aí você vai entender o menino deitado no cocho’. […] Ele não castiga, Ele é rico em misericórdia, Ele precisa da sua gratuidade […].

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Ao final de sua homilia, Padre Baltazar ainda mencionou o exemplo de uma senhora cadeirante que pede ajuda em frente à Catedral de Santa Terezinha, que se dirigiu a ele para solicitar ajuda para uma família necessitada, demonstrando, por meio do exemplo desta mulher, a atitude de caridade que o cristão deve assumir. A celebração ainda contou com a procissão da comunidade em direção ao altar para venerar a imagem do Menino Jesus, contemplando o nascimento do Salvador.

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Por, Leandro Oliveira – repórter Especial para o ELODAFE

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